segunda-feira, 23 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Com Master, BC tem oportunidade de refinar controles

Por O Globo

Pela primeira vez, dois altos funcionários da autoridade monetária foram acusados de corrupção

O caso Master tem oferecido ao Banco Central (BC) uma oportunidade única de aperfeiçoar o sistema de supervisão das instituições financeiras. Não é a primeira vez que um banco comete fraudes, nem a primeira liquidação extrajudicial em que diversos investidores perdem patrimônio. O fato preocupante é que esta é a primeira vez, em todas as ondas de intervenção e liquidação de bancos desde a redemocratização, em que dois altos funcionários do BC são acusados de corrupção.

Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Fiscalização Bancária, e Paulo Souza, ex-diretor de Fiscalização, se tornaram, de acordo com as investigações, “consultores pessoais” do banqueiro Daniel Vorcaro. Depois de auditoria interna ter constatado um aumento de patrimônio dos dois que só poderia ser explicado pelo recebimento de vantagens indevidas, o BC os afastou do cargo e comunicou à Polícia Federal (PF). O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), os afastou do próprio BC.

Qual o maior crime contra a humanidade? Por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Para a União Africana a resposta é clara: foi a escravização e o tráfico transatlântico de africanos

Efeitos físicos, psicológicos, econômicos e sociais desencadeados pela escravização são sentidos por milhões até hoje

Qual o maior crime já cometido contra a humanidade? A pergunta é instigante, mas para a União Africana (UA), organismo formado pelos 55 países do continente, a resposta é clara: foi a escravização e o tráfico transatlântico de africanos escravizados.

A entidade está em busca do reconhecimento oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) desse entendimento. Uma resolução nesse sentido foi aprovada em fevereiro e encaminhada à apreciação da ONU em busca, ao menos, de um pedido formal de desculpas das nações que lucraram com a prática.

Mais poder, menos confiança: o dilema do STF, por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Protagonismo do Judiciário levanta questionamentos sobre seus efeitos distributivos e sua legitimidade democrática

Atuação deve ser analisada como a de qualquer outra instituição política, sujeita a limitações, incentivos e pressões

O Supremo Tribunal Federal é destaque no noticiário político, e isso não é novidade. A novidade é que o holofote agora está na erosão de sua legitimidade. Pesquisas de opinião divulgadas neste mês de março por diversos institutos (Datafolha, Quaest, Ideia, Atlas Intel) convergem ao apontar a queda da confiança dos eleitores no STF.

Master: entre a punição de malfeitos e o conluio generalizado, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

A diversidade e o grande número de envolvidos aumentam as chances de punição ou de impunidade recíproca?

Quando muitos interesses são afetados, ainda que rivais, e o grau de comprometimento ultrapassa certos limiares, o resultado é o conluio geral

Há perplexidade generalizada diante da estrutura tentacular e de dimensões colossais do affair Master. Sobra (quase) ninguém! A mais recente revelação: o filho de um ministro do STF e a nora do líder do governo no Senado teriam recebido somas milionárias do banco. O envolvimento de um número estarrecedor de atores —de autoridades dos três Poderes a empresários—, para além de qualquer clivagem ideológica, suscita uma questão central: quanto maior e mais diverso o número de implicados, maior a probabilidade de emergirem denúncias cruzadas que alimentem uma dinâmica de incriminação recíproca? A resposta otimista é: sim!

Estado, não livre mercado, forjou o capitalismo, afirma professor de Harvard, por Zander Navarro*

Folha de S. Paulo

Livro extraordinário de Sven Beckert ilumina 900 anos de história e mostra que o regime econômico sempre foi global

Para historiador, economia neoclássica ignora fatos e reduz a diversidade da vida econômica a deserto homogêneo

[RESUMO] "Capitalism: a Global History", livro recém-lançado de Sven Beckert, preenche uma lacuna na bibliografia sobre a constituição do regime econômico e desmente narrativas anteriores. Com uma análise empírica da trajetória milenar do capitalismo, argumenta o autor, a obra retorna à melhor criatividade da economia política e sustenta que o regime econômico não é resultado dos mercados, mas um produto direto do poder do Estado.

Ao examinar a evolução do debate econômico do último meio século —da discussão sobre o desenvolvimento dos países ao desmoronamento da ordem mundial formalizada no pós-guerra, passando pela euforia com a globalização e a crise quase letal de 2008—, se nota uma faceta intrigante: há uma lacuna no diagnóstico das entranhas do capitalismo.

O Brasil nas trilhas, por Ivan Alves Filho

Um dia desses, Luiz Carlos Prestes Filho - uma dessas pessoas de cuja amizade só tenho que me orgulhar há dezenas de anos - me convidou para participar de um encontro virtual sobre uma rede de trilhas envolvendo o espaço territorial brasileiro. Seu nome oficial é Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, uma proposta cultural, ecológica e sensitiva criada em 2017. Um dos seus objetivos é interligar as unidades de conservação presentes em nosso território. Uma destas trilhas pleiteia, justamente, a Coluna Prestes, comandada por seu pai, o lendário Cavaleiro da Esperança, entre 1924 e 1927, percorrendo partes consideráveis do nosso país.

Poesia | O Correr da Vida, de Guimarães Rosa

 

Música | Chico Buarque - Sabiá (1968)