terça-feira, 28 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Master mostrou fragilidades a corrigir no BC e na CVM

Por Folha de S. Paulo

Banco Central detectou indícios de corrupção, e Comissão mal aparelhada falhou no controle de fundos

É preciso endurecer regulação e promover ação conjunta das duas instituições; BC alocou 40 novos servidores na área de fiscalização

O escândalo do Banco Master revelou, de forma dramática, a obsolescência do arcabouço regulatório do sistema financeiro brasileiro.

Sob a guarda conjunta da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central, o conglomerado de Daniel Vorcaro montou um sofisticado esquema de pirâmide que se sustentou por anos, explorando brechas normativas, falhas de fiscalização e fragilidades institucionais.

Programa dos endividados, por Míriam Leitão

O Globo

Pacote do governo beneficiará quem tem renda de até cinco salários mínimos

Perto de R$ 100 bilhões são elegíveis para renegociação no novo programa de redução do endividamento das famílias. Será bom para os dois lados, porque os devedores vão resgatar, reduzir e renegociar as contas penduradas, mas os bancos e instituições financeiras de todo o tipo poderão liberar recursos que tiveram que pôr em provisão. Só estarão no pacote as três dívidas mais caras do mercado. O governo terá que fazer um aporte no Fundo de Garantia de Operações (FGO). Como será garantido pelo governo, os juros serão bem mais baixos.

O volume potencial do programa é de R$ 50 bilhões no rotativo do cartão de crédito, R$ 40 bilhões de crédito pessoal não consignado e R$ 6 bilhões de cheque especial. O grupo atendido terá renda de até cinco salários mínimos, com débitos entre 90 dias e dois anos de atraso. Vai ser possível usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e os bancos terão que dar descontos de 40% a 90% sobre os valores devidos. Os mais antigos recebem desconto maior. O que restar será renegociado com juros de 1,99% por quatro anos.

Choque Zema x Gilmar abre campanha, por Fernando Gabeira

O Globo

Se a Polícia Federal for acionada para defender o Supremo de ataques, corre o risco de ser soterrada pela demanda

São evidentes os sinais de que a campanha começou. Lula ironiza Trump porque sabe que o presidente americano será um bom cabo eleitoral para ele e um transtorno para o adversário. No capítulo das polêmicas, o debate Romeu Zema x Gilmar Mendes teve grande destaque. Zema é azarão, a julgar pelas pesquisas. Mas tem um marqueteiro audacioso, que fez animação criticando os ministros do STF. Gilmar saiu para o debate, dando entrevistas a jornalistas, sem escolher os mais camaradas. O resultado foi uma grande exposição do ministro e, provavelmente, um ligeiro avanço de Zema nas pesquisas.

PL da Dosimetria: o entulho autoritário e o canto da sereia, por Rafael dos Reis Aguiar e Lucas Louback*

Correio Braziliense

Quando o sistema político passa a suavizar as consequências de atos que atentaram contra a ordem constitucional, abre-se espaço para uma normalização perigosa com danos colaterais bastante sensíveis

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, convocou para 30 de abril uma sessão conjunta do Congresso para analisar o veto integral do presidente Lula ao PL da Dosimetria. A controvérsia em torno da manutenção ou derrubada do veto à dosimetria dos crimes do 8 de Janeiro tem sido apresentada como um debate técnico, quase neutro. Mas essa leitura não se sustenta. O que está em disputa é o próprio sentido da resposta institucional a uma tentativa de ruptura democrática. 

Há um conceito útil para compreender o que está acontecendo: o de legalidade autoritária, desenvolvido por autoras como Katya Kozicki, Heloísa Câmara e Daniela Urtado. A ideia central é simples e incômoda: regimes autoritários, e suas continuidades, não operam apenas fora da lei, mas também por meio dela. O direito, nesse caso, deixa de ser limite ao poder e passa a ser instrumento de sua reorganização. A discussão sobre a dosimetria precisa ser lida nessa chave. 

Lula aposta nos endividados, Flávio no agro e Zema nos ataques a Moraes, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O ex-governador mineiro tenta romper sua condição de candidato periférico. Com 4% no primeiro turno, adotou o discurso antissistema mais radical

A semana começou em clima de campanha eleitoral e com pesquisas que confirmam a resiliência da polarização numa disputa sucessória que está aberta. O novo levantamento da Nexus/BTG Pactual, divulgado ontem, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em empate técnico no segundo turno: 46% a 45% pontos percentuais de intenções de votos, respectivamente. No primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 36% de Flávio, mantendo uma distância estável, porém insuficiente para afastar o risco de derrota no segundo turno.

PT tem diagnóstico, mas falta estratégia, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Comparação entre governos não será vantajosa para Lula sem a disputa de valores

O 8º Congresso do PT mostrou a adoção do diagnóstico feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Barcelona. A esquerda ganha eleições com utopia e entrega austeridade. Torna-se alvo do voto antissistema capturado por uma extrema-direita que capitaliza o mal-estar das promessas não cumpridas.

O que falta - além de matizar a austeridade - é estratégia. O manifesto gastou 3.493 palavras e deixou “corrupção” de fora. Só citou “bets” uma vez para mencionar que foram alvo da reforma tributária deste mandato. Não são dois problemas. É um só, a indicar a falta de ambição na disputa de valores. Só há duas formas de se enriquecer da noite para o dia: roubo e jogo. E precisa de governo pra mostrar que ambas levam a um beco sem saída.

Guerra pode decidir eleição brasileira, por Christopher Garman*

Valor Econômico

O custo dos alimentos é central para a popularidade do presidente Lula

A eleição presidencial deste ano dá sinais de que será apertadíssima — e o fiel da balança pode vir do Oriente Médio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou 2026 com uma aprovação de 48%, mas viu esse percentual recuar para 44%. Sua vantagem sobre os candidatos de oposição se evaporou, e várias pesquisas agora mostram Flávio Bolsonaro à frente do presidente em simulações de segundo turno por um ponto percentual, dentro da margem de erro.

Especulando sobre o futuro extraordinário do Brasil, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Talvez Friedman esteja enxergando qualidades que não temos, mas em meio a embates internos ferozes, acuados por radicais da austeridade ou do negacionismo, também é possível que estejamos pouco atentos a qualidades que temos

Em meio a inúmeras más notícias diárias, que tal uma especulação otimista a respeito do futuro do Brasil? É difícil abordar esse assunto porque já virou até motivo de chacota. O escritor austríaco Stefan Zweig publicou um livro, em 1941, com o título “Brasil, país do futuro” e, ao longo do tempo, essa expressão passou ser usada ironicamente como se descrevesse um país cujo futuro previsto nunca chega.

A notícia boa, para quem quiser acreditar, é alguém dizendo que esse futuro pode chegar.

O Atlântico Sul como zona de paz e cooperação, por Rubens Barbosa*

O Estado de S. Paulo

Nos próximos três anos, o Brasil estará na presidência dessa importante organização do ponto de vista geopolítico

Nos dias 8 e 9 de abril, o Brasil foi sede da 9.ª Reunião Ministerial e assumiu pela terceira vez a Presidência Pro Tempore da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).

A Zopacas foi criada – por iniciativa do Brasil, apoiado pela Argentina – pela Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com o intuito de promover a cooperação regional e a manutenção da paz e da segurança no entorno dos 24 países sul-americanos e da costa ocidental da África que aderiram ao projeto. Estabelecida em 27 de outubro de 1986, este fórum se propôs a ser o principal mecanismo de articulação, no Atlântico Sul (área compreendida entre o paralelo 16.° N e a Antártida), buscando promover uma maior cooperação regional para o desenvolvimento econômico e social, a proteção do meio ambiente, a conservação dos recursos vivos e não vivos e a segurança de toda a região, sob a perspectiva da integração multilateral, permeada pelo pano de fundo das iniciativas relacionadas à não proliferação de armas nucleares e de destruição em massa.

Uma semana, duas derrotas de Lula? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Lula corre risco com Messias e PL da Dosimetria; seu aliado é o feriadão

O maior adversário da derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, feito sob encomenda para favorecer Jair Bolsonaro, não é político, eleitoral ou ideológico, é simplesmente o calendário: quórum no Congresso numa quinta-feira, véspera do feriado de Primeiro de Maio? A questão é explosiva e a tendência é contra Lula, a favor de Bolsonaro. Mas nesta semana?

O caso Master e o fator Zema, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Romeu Zema testa-desafia o projeto-fachada de moderação de Flávio Bolsonaro, ou lhe oferece-amplia as condições para que se venda como moderado? Seria jogo combinado, Zema avançando para que Flávio pudesse exibir reforçar a imagem de “Bolsonaro ponderado”? Esse Zema de texto radicalizado, que denuncia-enfrenta ministros do Supremo, forçará-obrigará “o Bolsonaro que não é louco” a se mexer e expor a própria natureza; ou, situando-se à direita do “Bolsonaro que come de garfo e faca”, empurraria-ajudaria Flávio a se mover para o centro?

A universidade só muda quando o custo de não mudar se torna insustentável, por João Pereira Coutinho*

Folha de S. Paulo

Universidade Yale fez diagnóstico sombrio sobre o estado da instituição.

Não é de admirar que 70% afirmem que a universidade está "no caminho errado".

Houve um tempo em que o mundo olhava com admiração para a universidade. Esse mundo está desaparecendo.

Um relatório recente da Universidade Yale faz um diagnóstico sombrio sobre o estado da instituição. As conclusões do estudo podem ser aplicadas, sem esforço, a outros países que enfrentam problemas semelhantes.

Basicamente, há uma queda de confiança dos americanos no ensino superior. Em 2014, 57% confiavam no sistema; em 2024, o número desceu para 36% —um mínimo histórico. Não é de admirar que 70% afirmem que a universidade está "no caminho errado".

Violência política é constante na história dos EUA, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Trump sobrevive a terceiro atentado em menos de dois anos

Fim precípuo da democracia é prevenir episódios de violência

Em menos de dois anos, Donald Trump já sobreviveu a três tentativas de assassinato. Nas duas mais recentes, a da Flórida em setembro de 2024 e a deste fim de semana em Washington, os serviços de segurança conseguiram impedir o perpetrador de disparar contra o republicano, mas, na da Pensilvânia em julho de 2024, foram as forças do acaso que salvaram Trump. A bala de fuzil passou raspando por sua cabeça.

Crise institucional no Rio complica Flávio Bolsonaro, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 inverte a realidade e culpa STF por crimes cometidos por bolsonaristas

Contra o governador interino, Alerj quer quadruplicar as despesas com emendas

A presença do desembargador Ricardo Couto no Palácio Guanabara, com ações para moralizar a máquina pública e impedir que ela continue a ser usada para fins eleitorais, é uma espinha na garganta do grupo bolsonarista que desde 2019 domina o Rio de Janeiro e um entrave inesperado para as pretensões presidenciais do filho 01.

Terras raras não são farelo de soja, Por Roberto Amaral*

A ciência política, na sociedade globalizada pelo capitalismo monopolista, nos fala de uma soberania nacional relativa, fragmentada. O conceito cobra a revisitação da ciência política, tal sua fragilidade e imprecisão no quadro da ordem internacional em crise, quando as forças que contam — e são as potências nucleares — ferem de morte o multilateralismo, abandonam as mesas de negociações e adotam o baraço e cutelo — a guerra tour court — como ponto de partida e ponto de chegada do diálogo de uma só voz. Como o diálogo do cordeiro com o lobo, consagrado por Jean de La Fontaine.

Poesia | Tecendo a Manhã, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | João Gilberto - Menino do Rio (Caetano Veloso) - França, 1989