sábado, 25 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Antagonizar Trump convém a Lula

Por Folha de S. Paulo

Petista, que já se beneficiou da oposição ao tarifaço, agora se vale da rejeição ampla à guerra no Irã

Segundo o Datafolha, 70% são contrários ao conflito; Flávio Bolsonaro terá dificuldade em se dissociar das trapalhadas do americano

O antiamericanismo, amparado em momentos da história nos quais Washington exerceu sua vocação colonialista na América Latina, tornou-se há muito muleta retórica da esquerda brasileira.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sempre manipulou tal sentimento com um misto de cinismo e pragmatismo. Enquanto o mundo rejeitava as guerras de George W. Bush, o petista fez do republicano um aliado próximo.

Com a volta de Donald Trump à Casa Branca, o conflito era esperado, já que seu direitismo populista sempre foi farol de Jair Bolsonaro (PL) e seguidores.

Juventude, redes e extremismo, por Juliana Diniz

O Povo (CE)

Empresas privadas poderosas, com imensa capacidade de lucro e influência, têm moldado sistemas políticos, impactado eleições e transformado o trânsito dos valores na sociedade, redimensionando a juventude e a tolerância com a violência

Durante a semana, uma entrevista com o jovem influenciador norte-americano Nick Fuentes viralizou nas redes sociais, alcançando milhões de visualizações não só nos Estados Unidos, mas em países do arco de influência da democracia americana, como o Brasil. Na entrevista, Fuentes é indagado: que direito retiraria das mulheres se tivesse a chance? Sem titubear, ele afirma que começaria pelo direito ao voto.

Não será trivial Lula negar ajuda ao BRB, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Quando governadora do DF formalizar pedido de aval do Tesouro a empréstimo, presidente será forçado a decidir

Licença é semelhante à que o Tesouro concedeu aos Correios, estatal com histórico de corrupção e má gestão

Não será trivial para o presidente Lula negar o aval do Tesouro Nacional ao empréstimo de R$ 6,6 bilhões que o governo do Distrito Federal pleiteia junto ao Fundo Garantidor de Crédito para salvar o BRB em pleno ano eleitoral.

O senso comum leva a pensar que cabe ao BRB, que se meteu nas falcatruas do Master, sair dessa encrenca sozinho, sem impor ônus à União e ao contribuinte, ou sofrer intervenção do Banco Central.

Que tal uma constituinte exclusiva? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Acuados, ministros do STF vão dando cada vez mais sinais de destempero

Não parece haver saída para a crise de credibilidade em que a corte se meteu

Não acho que o chilique de Gilmar Mendes com Romeu Zema, em que pese ter vitaminado o posicionamento do mineiro nas redes sociais, bastará para tornar sua candidatura presidencial uma alternativa realista à polarização. Aliás, nem sei se Zema pretende mesmo manter-se na disputa até o fim ou apenas tenta ganhar pontos para pleitear o posto de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Um dos muitos problemas do Brasil é que a direita sem o sobrenome Bolsonaro não foi capaz de colocar-se inequivocamente na defesa das instituições e rejeitar golpismos e anistias.

Sob Castro, Palácio Guanabara virou um puxadinho bolsonarista, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Horas antes de sua condenação, ex-governador destinou R$ 730 milhões a prefeitos aliados

Ex-ministro da Saúde, general Pazuello ensinou a 'logística' da multiplicação de cargos

Cláudio Castro é um desmemoriado. No tempo recorde de um mês, esqueceu que no dia 24 de março o TSE o condenou por uso indevido da máquina pública nas eleições de 2022.

Castro faz caras e bocas de coitadinho. Reclama do governador interino, o desembargador Ricardo Couto, que promove uma faxina no Palácio Guanabara, transformado pelo antigo ocupante num enorme comitê eleitoral bolsonarista, com ramificações no crime organizado —a crise institucional explodiu com a prisão do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, candidato governista à sucessão acusado de envolvimento com o Comando Vermelho.

Pesquisas e a experiencia da vida como ela é, por Marcus Pestana

A raposa política disse: “há dois seres ansiosos na política, os políticos e os jornalistas que cobrem a política”. Todas as semanas somos bombardeados com números de pesquisas de opinião. Lideranças políticas, especialistas, jornalistas, esmeram-se em torturar os números e extrair conclusões brilhantes e definitivas. Cravam resultados inevitáveis, menosprezam candidatos, elegem precocemente vitoriosos.

Enquanto isso o eleitor médio comum toca a vida. Enfrenta a carestia no supermercado, encara a fila na unidade de saúde, pega o carro, o ônibus ou metrô para chegar ao trabalho, leva os filhos na escola, pensa em como melhorar a vida.

A república do medo, por Murillo de Aragão

Veja

O STF, o Congresso, o governo e a sociedade estão paralisados

Em coluna recente no Estadão, Fernando Schüler diagnosticou que nos tornamos uma sociedade do medo. O diagnóstico é preciso, mas pede ampliação: o medo que hoje nos define não é apenas aquele que a sociedade sente diante do crime. É o medo que atravessa o próprio aparelho do Estado, que habita gabinetes, plenários e antessalas das cortes superiores — e que, por isso mesmo, paralisa. É o medo que se instalou nas ruas por conta do crime organizado. Sociedade e estado paralisados pelo medo.

O Supremo temeu as CPIs e os vazamentos relacionados aos escândalos recentes. Ainda que protegido por fragilidades estruturais de fiscalização, teme que revelações possam vulnerar ainda mais a instituição. Por isso se defende com ataques, ações neutralizadoras e atua em tricô silencioso entre ministros, relatores e líderes partidários. Politizado ao extremo, o guardião da Constituição aprendeu a jogar xadrez preventivo com os outros Poderes, antecipando-se a ameaças reais ou imaginadas.

Três anos em trinta, por Cristovam Buarque

Veja

Os planos nacionais de educação são muito frágeis

A frase “50 anos em 5”, do tempo de Juscelino Kubitschek, simboliza o salto do Brasil para a industrialização. O governo da época elaborou um plano de desenvolvimento nacional com objetivos, estratégia, estrutura e ações federais de modo a fomentar o crescimento e a urbanização. Não é o que se pode dizer do resultado dos dois Planos Nacionais de Educação (PNEs), a partir de 1996.

As viagens de Lula, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

O conflito social, sempre latente, foi revigorado no Brasil pelo avanço do atraso das classes dominantes e de seus seguidores

Em sua viagem à Europa – Espanha, Alemanha e Portugal –, nosso presidente Lula reafirmou, de modo enfático, seu compromisso com a democracia, o multilateralismo e o combate às desigualdades.

A Agência Brasil nos informa que as reuniões com os chefes de Estado da Espanha, da Alemanha e de Portugal abordaram questões relacionadas ao multilateralismo, incluindo a sucessão da Secretaria-Geral da ONU; desigualdades, com o Brasil defendendo a inclusão de aspectos relacionados à violência política e digital de gênero; e o combate à desinformação.

Os caminhos do debate político em curso, no Brasil, sugerem que a mediação democrática entre os dois polos que se digladiam está em risco. Diante dessa polarização e da forma como está evoluindo, é conveniente imaginar que a eleição de outubro possa acomodar as tensões. Essas tensões são a expressão política de um conflito social, sempre latente nas sociedades modernas urbano-industriais.

Os novos templários, por Jamil Chade

CartaCapital

O governo Trump transforma o Pentágono em um braço armado do nacionalismo cristão fundamentalista

embate entre Donald Trump e o papa Leão XIV tem gerado polêmica e a imagem do presidente norte-americano como Jesus causou indignação, mas a realidade é que os episódios são apenas a ponta do iceberg de um fenômeno muito mais profundo. Nos últimos meses, a administração do republicano tem adotado normas e medidas para permitir que o exército mais poderoso do mundo seja sequestrado por uma ala radical do cristianismo. Essa base não esconde a intenção de fazer do Pentágono o braço armado de um plano global de hegemonia de uma versão da fé cristã. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, é considerado um dos líderes dessa ala e, não por acaso, leva tatuado no corpo lemas usados por guerreiros enviados às Cruzadas.

Por uma História do Partido Socialista Brasileiro, por Ricardo Marinho

Livro resenhado: Hecker, F. Alexandre. História do socialismo democrático brasileiro: o Rio de janeiro como centro produtor e difusor. São Paulo: Annablume, 2024. 394 p.

O livro de F. Alexandre Hecker é, hoje, o principal trabalho de história sobre o Partido Socialista Brasileiro (PSB). É o mais recente resultado de anos de pesquisa e estudos de textos e documentos que cobrem períodos da história brasileira. Nos períodos analisados por Alexandre Hecker, estamos sob a perspectiva do confronto pela democracia e da luta pela sua consolidação, em face das dificuldades vividas por um partido peculiar, dentro dos sistemas partidários, nos intervalos do segundo pós-guerra, de 1945-1946 a 1964, e, posteriormente, de 1985-1988 até os dias correntes. Período este em que o PSB se destaca pela atuação do Vice-Presidente da República, que também acumulou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, diante da complexa conjuntura aberta pela Ordem Executiva 14257 do Presidente dos Estados Unidos (POTUS), bem como da Operação Fúria Épica, de 28 de fevereiro de 2026, no Irã.

Poesia | O Andaime, de Fernando Pessoa

 

Música | Portugual: 25 de abril, 52 anos Revolução dos Cravos | Nara Leão - Grandola, Vila Morena