segunda-feira, 6 de abril de 2026

A guerra e a História, por Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Pensar a História descartando a guerra como categoria de pensamento e como forma da natureza humana é um luxo que não mais podemos nos dar

Pensar a guerra, eis uma tarefa primordial de nosso tempo. Tempo de profundas transformações, em que o arcabouço vigente desde a 2.ª Guerra Mundial está desmoronando a olhos vistos. O que valia começa a cessar de valer, com os referenciais geopolíticos explodindo. Os interesses dos Estados, sobretudo os mais poderosos, simplesmente se afirmam enquanto tais, com os demais devendo se acomodar a essa nova situação. Trilhar a diplomacia num contexto desse tipo exige grande habilidade, quando não o silêncio, diante de circunstâncias que são incontornáveis. De nada adianta, como faz a diplomacia lulista, confrontar retoricamente Trump se não tiver força para fazer valer a sua posição. O Brasil será apenas o grande prejudicado.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

EUA completarão 250 anos com democracia em crise

Por O Globo

Estudos comparativos demonstram que, sob Trump, liberdades e direitos civis estão em recuo flagrante

No fim do século XVIII, as nações bem-sucedidas no mundo eram basicamente monarquias. O experimento democrático inaugurado nos Estados Unidos com a independência em 1776 e a Constituição em 1789 foi, sob qualquer aspecto, revolucionário. De lá para cá, a ideia de uma república democrática se espalhou pelo mundo. É irônico, diante disso, que os americanos estejam prestes a comemorar os 250 anos de sua independência justamente numa época em que a democracia sofre forte erosão. Os efeitos negativos do primeiro ano do segundo governo de Donald Trump têm sido constatados nas principais avaliações objetivas de democracia e liberdade publicadas nos últimos dias.

A opção Caiado: recursos e confiança, por Lara Mesquita*

Folha de S. Paulo

Histórico do ex-governador de Goiás ajuda a entender a escolha do PSD para eleição presidencial

Eduardo Leite tem dificuldade de articulação política e questionava as decisões do partido

Este sábado encerrou uma etapa crucial do calendário eleitoral. Foi o fim do prazo para desincompatibilização de cargos públicos, filiação partidária e mudança de domicílio eleitoral por aqueles que pretendem disputar mandato eletivo neste ano.

São 17 ministros do governo Lula e 11 governadores que deixaram seus postos com foco na disputa eleitoral. Entre eles está o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, personagem clássico da política brasileira. Participou de todas as eleições desde 1989, já tendo concorrido à Presidência, ao Governo de Goiás, à Câmara dos Deputados e ao Senado. Também figura entre os governadores com maior riqueza pessoal do país.

O controle da corrupção e o corte de orelhas, por Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

Que as maiorias legislativas são inimigas do controle não é novidade; o mal maior é quando os inimigos do controle são os próprios controladores

É o problema canônico do quem guarda os guardiões

A análise das origens do controle parlamentar de contas públicas —o qual teve como palco a Guerra Civil Inglesa (1642-1651)— é particularmente instigante pelo seu simbolismo. As demandas por controle e transparência foram protagonizadas por William Prynne, membro da oposição no Parlamento. Prynne teve as orelhas cortadas como punição à audácia de querer que o governo prestasse contas, como relatado por Jacob Soll, em "The Reckoning: Financial Accountability and the Rise and Fall of Nation". Mas sobreviveu. Quem não sobreviveu foi o rei que teve a cabeça cortada.

Por uma universidade com a cara do povo brasileiro, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

A ampliação do acesso do povo às universidades se reflete nas esferas econômica, social e cultural

Multiplicam-se os ataques contra as ações afirmativas, especialmente contra cotas étnico-raciais

Ouso dizer, sem medo de errar, que a democratização do ensino superior com a implementação das cotas é a política pública mais eficiente e eficaz já adotada pelo Estado para enfrentar as inequívocas e múltiplas desigualdades que separam as elites das camadas populares da sociedade brasileira.

A ampliação do acesso do povo às universidades produziu um efeito que supera o campo da política educacional e se reflete nas esferas econômica, social e cultural ao abrir portas que historicamente estiveram cerradas aos mais pobres —em especial aos negros.

O espião festivo, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

John Mowinckel, adido cultural americano na ditadura, era uma figura em Ipanema

Os guerrilheiros cogitaram sequestrá-lo, mas mudaram de ideia; não seriam levados a sério

Não perco os obituários do The New York Times. Seus mortos, famosos ou não, são sempre fascinantes —ou talvez os obituaristas os tornem assim. Esta semana, morreu aos 105 anos, em Roma, Letizia Mowinckel, viúva de um diplomata americano, amiga dos costureiros europeus e consultora informal de moda da chique Jacqueline Kennedy, primeira-dama dos EUA com John Kennedy (1961-63) presidente.

Poesia | Manuel Bandeira - Última canção do beco

 

Música | La voglia la pazzia / Samba per Vinicius / Samba della rosa / Tristezza