sexta-feira, 10 de abril de 2026

Aumentos de gasolina e diesel no Brasil estão entre os menores do mundo durante a guerra, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Reajuste da gasolina por aqui fica na 90ª posição entre 128 países; o do diesel, na 71ª

Além de dar subsídios e redução de impostos, país enfrenta crise em situação mais favorável

Os preços da gasolina e do diesel aumentaram mais na maioria dos países do mundo do que no Brasil, que fica perto da rabeira desse ranking. No caso da gasolina, ficamos em 90º lugar entre 128 países —em 25 deles, a variação foi menor do que 1%, nada, ou negativa. Quanto ao diesel, ficamos em 71º lugar —em 21 países, a variação foi menor do que 1%.

Os dados são da Global Petrol Prices. Baseiam-se na conta de variação de preços entre 23 de fevereiro (a guerra começou em 28 de fevereiro) e 6 de abril. Como se deve fazer em relação a qualquer ranking ou comparação, é preciso descontar a precisão dos dados. Trata-se de médias nacionais ou preços típicos. Alguns países controlam reajustes (oi, Brasil), ditam as datas de aumento, outros não intervêm no mercado, poucos são grandes produtores, outros importam quase tudo etc.

Uma guerra só com derrotados, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Se cessar-fogo precário puser fim a conflito, EUA, Israel e Irã saem com mais perdas do que ganhos

Conflito sem vitória também poderá trazer repercussões eleitorais negativas para Trump e Netanyahu

dSempre que vejo Palmeiras e São Paulo se enfrentando, me pergunto se não haveria um jeito de os dois times perderem. No futebol, parece que não, mas, no que diz respeito a guerras, a derrota de todos os envolvidos é um desfecho possível e até frequente. Lembrem-se de 

guerra deflagrada por EUA e Israel contra o Irã encaminha-se para ser um desses conflitos sem vencedores, ainda que todas as partes reclamem ter logrado brilhante vitória. O regime iraniano pode de fato congratular-se por ter sobrevivido a um inimigo militarmente muito superior, mas é só. A coluna dos ônus é extensa demais para ser ignorada: cerca de duas dezenas de suas principais lideranças, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, foram assassinadas, o país sofreu enorme destruição de vidas e de infraestrutura, notadamente a militar, e comprou décadas de inimizade com os países vizinhos do Golfo Pérsico que atacou.

Lambança de Trump no Irã é apoio a plano de Grande Israel, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Líder americano achou que o explosivo tabuleiro de xadrez da guerra contra o Irã seria um jogo de damas

Com Netanyahu, alguém ainda acredita nas fantasias de dois Estados e devolução de territórios ocupados?

Estados Unidos e Israel, nas figuras abomináveis de Donald Trump e Binyamin Netanyahu, estão transformando o mundo num lugar ainda mais perigoso para se viver. Sim, isso é possível. Os dois têm muitas coisas em comum, nenhuma delas animadoras: são autoritários, expansionistas, imperialistas, racistas (por que não dizer?) e não medem consequências em busca de seus objetivos.

Enquadram-se perfeitamente na categoria de lideranças fascistas contemporâneas. "Ah, mas isso não é igual ao que aconteceu nos anos 30"... Bem, não estamos nos anos 30 do século passado. Falamos do conceito do século 21. É duro e triste dizer que um político que comanda Israel veste bem esse perfil fascista, mas lamentavelmente é o caso.

Sob as asas, digo, membranas do pai, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro ainda nem começou a apanhar, mas já reage como se no meio da campanha

Da Lua vê-se o pôr e o nascer da Terra; da candidatura de Flávio só se verão os eclipses

Nada de mais em a nave Artemis 2 ter dado uma volta pelo lado oculto da Lua e ficado 40 minutos sem que soubéssemos o que estava acontecendo. A candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência passa ainda mais tempo no lado oculto de si mesma e só tenta mostrar o que lhe interessa. Mas não adianta —ao contrário da Lua, cuja massa rochosa interrompe o sinal e impede que este chegue à Terra, a candidatura de Flávio Bolsonaro tem a densidade de uma cortina de banheiro.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Vincular gastos sociais é armadilha orçamentária

Por O Globo

PEC aprovada na Câmara teria impacto de R$ 100 bilhões em uma década, pela estimativa do governo

Em pleno ano eleitoral, a Câmara aprovou em primeiro turno uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que destina um percentual mínimo da receita da União ao Sistema Único de Assistência Social (Suas). A iniciativa é bem-intencionada, pois engloba uma série de ações sociais. Mas se mostra descolada da realidade, ao ignorar o impacto nas contas públicas. A PEC é vista pelo governo como mais uma pauta-bomba. O custo é estimado pela equipe econômica em R$ 36 bilhões durante quatro anos e pode alcançar R$ 100 bilhões em uma década. Pela PEC, o percentual começaria com 0,3% da Receita Corrente Líquida da União em 2027, passaria a 0,5% em 2028, subiria a 0,75% em 2029 e atingiria 1% em 2030. O escalonamento, no entanto, não torna a proposta menos prejudicial aos cofres públicos.

Poesia | As sem-razões do amor, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Roberta Sá - Gostoso veneno