quinta-feira, 16 de abril de 2026

E o dólar vai deslizando, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Nesta semana, a cotação do dólar resvalou para abaixo dos R$ 5, patamar que não se via havia mais de dois anos. Ontem, fechou a R$ 4,9922. Em doze meses, a queda do dólar em relação ao real alcança 15,16%.

Como a economia brasileira continua carunchada pelo rombo nas contas públicas e a dívida vai galopando para acima dos 80% do PIB, cabe entender de onde vem essa força do real e examinar suas consequências.

Tem a fraqueza do dólar, que pode pesar mais do que a força do real. As despesas do governo Trump só vêm aumentando e o déficit por lá preocupa. Não dá para ignorar o movimento de redução das aplicações em títulos da dívida dos Estados Unidos pelos países que detêm volumes altos de reservas. O enfraquecimento do dólar em relação ao euro ao longo deste ano alcança 4,3%.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Excessos puseram a perder a CPI do Crime Organizado

Por O Globo

Embora relator tenha apresentado argumentos para indiciar ministros do Supremo, nenhum era suficiente

Depois da rejeição do relatório da CPI do Crime Organizado que pedia o indiciamento por crime de responsabilidade de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, o momento exige comedimento das autoridades. Houve excessos de Legislativo e Judiciário, e nada seria pior do que manter um clima de ataques, ameaças e xingamentos, que, além de desalentador, é contraproducente.

No Legislativo, a CPI ficou muito aquém do esperado. Pouco avançou na exposição dos mecanismos usados pelo crime organizado. Não revelou nenhuma novidade surpreendente sobre as ramificações de PCC, CV, milícias e outras organizações criminosas. Num momento em que a segurança desponta como maior preocupação dos brasileiros, o Senado perdeu uma oportunidade de responder aos anseios das ruas.

Tarcísio não é um moderado, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Polícias de SP mataram em média duas pessoas por dia neste ano

Abusos policiais não têm nada a ver com combate ao crime

As polícias paulistas nunca foram tão violentas quanto hoje sob Tarcísio de Freitas, ao menos desde o início da série histórica, há 30 anos. Entre outubro a dezembro de 2025, policiais em SP mataram 276 pessoas, o trimestre mais sangrento desde 1996, quando se iniciou a contagem. Em 2026, policiais paulistas mataram uma média de duas pessoas por dia, 130 ao todo entre janeiro e fevereiro, um aumento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Blusinhas', mentira do Pix e INSS assombram Lula, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Presidente pede ideias para mexer em imposto de importação sobre compras até US$ 50

Estão em estudo também medidas de crédito para caminhoneiros, taxistas e inadimplentes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende fazer algo a respeito da "taxa das blusinhas", o imposto federal de 20% sobre importações no valor de US$ 50, regulamentado em junho de 2024. A possível providência faria parte do jorro entre apressado e improvisado de medidas eleitorais. O governo está aflito com a inesperada baixa extra do prestígio presidencial —inesperada ao menos para o governismo.

Pesquisas de opinião indicam que o tributo ficou atravessado na garganta do povo até hoje. Há revolta mesmo contra a fiscalização do Pix, medida técnica e meritória que, na propaganda mentirosa e esperta da direita, foi pintada em janeiro de 2025 como um primeiro passo para a tributação dessas transferências de dinheiro, que levaram o povo miúdo para o sistema financeiro.

Está inaugurada a temporada das bondades eleitorais, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Como se não houvesse amanhã, governo de plantão e Congresso usam período para acelerar benesses

Há quatro anos, no dia 14 de abril, manchete da Folha estampava: 'Bolsonaro decide dar aumento de 5% a servidores e militares'

Está inaugurada a temporada das bondades eleitorais. O governo de plantão e o Congresso usam esse período para acelerar a adoção de benesses como se não houvesse amanhã.

Essa não é uma ação particular do governo Lula. Uma pesquisa simples das manchetes dos jornais deste mesmo período do ano, em 2022, mostra medidas adotadas pelo então presidente Jair Bolsonaro para angariar apoio à sua reeleição.

A insanidade tomou a Casa Branca, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Nação mais poderosa do mundo é conduzida por um desvairado

Ao contrário das autocracias, democracias têm recursos para conter aspirantes a ditadores

Não poderia ter acontecido, mas aconteceu. A nação mais poderosa do planeta passou a ser conduzida por um desvairado. A lista dos desatinos de Donald Trump é estarrecedora. No plano interno, desorganizou a administração pública; desencadeou o terror contra os imigrantes; ameaçou as melhores universidades; pôs em xeque a pesquisa científica; chantageou a mídia e espalhou a incerteza sobre o que está por vir.

Já no plano externo, virou de ponta-cabeça o comércio mundial; tratou aliados como inimigos; ameaçou anexar nações soberanas; invadiu a frio uma, a Venezuela, e sequestrou seu ditador; iniciou a guerra que incendeia o Oriente Médio; xingou o papa.

Trump, o Jesus de hospício, por Rui Castro

Folha de S. Paulo

Já não basta a Trump ser o homem mais poderoso deste mundo; quer ser o do outro também

Para a psiquiatria nos EUA, seu caso já é de camisa de força e doses triplas de sossega-leão

Quais são os mais populares heróis de hospício? Perdão, quais são as figuras históricas que pessoas mentalmente comprometidas mais são dadas a interpretar nas casas de repouso? Pelos compêndios, os campeões são Napoleão, Sherlock Holmes, Elvis Presley e Jack, o Estripador. Para as mulheres, Cleópatra, a rainha Elizabeth e Marilyn Monroe. Mas há uma figura que supera todas as outras, e que a ciência já nem considera: Jesus Cristo.

Os Cadernos do Cárcere de Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido, por Marco Mondaini*

A terra é redonda

As cópias anotadas dos Quaderni del Carcere de Gramsci pertencentes a Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido, descobertas na Unicamp, revelam ênfases distintas: o primeiro nos processos históricos europeus, o segundo na literatura e na práxis política

A descoberta

Tudo começou numa terça-feira, 17 de março, do ano em curso. Acabara de chegar à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para o início de um pós-doutorado junto ao seu Departamento de Sociologia, sob a supervisão do professor Marcelo Ridenti, que gentilmente me convidou a acompanhar uma visita guiada – com a sua turma de graduação da disciplina Pensamento Social do Brasil – à Coleção Sérgio Buarque de Holanda, na Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho.

Adquirida pela Unicamp em 1983, logo após o falecimento do autor de Raízes do Brasil, em 24 de abril de 1982, a coleção é composta por aproximadamente 10 mil volumes, dentro de um espaço que procura reconstituir o escritório de Sérgio Buarque, com a sua escrivaninha, cadeira de repouso e máquina de escrever.

Vantagens da oposição nas opiniões aferidas nas pesquisas, por Vagner Gomes*

A ninguém escapa a observação d’este facto curioso que toda oposição, por mais inexplicável, ou impura, que seja a sua origem, com o andar do tempo, vai gradativamente ganhando a simpatia pública. A meu ver, não é difícil encontrar a explicação de tal fenômeno. Pensam em geral que o público é oposicionista por índole. Mas não, o que o público é por índole, desde que não entre em questão o imediato interesse dos indivíduos que o compõem – é amigo da virtude, e, para mim, é regra que a oposição é virtuosa. Esta regra terá exceções, mas não deixará de ser uma regra.

Assis Brasil, Democracia representativa, 2022, p. 113¹

Não faltaram os avisos de que o atual incumbente presidencial não seguiu os caminhos políticos que o elevou ao terceiro mandato. A Frente Ampla foi assumida como uma tática eleitoral em 2022 deixando a cultura política da Aliança Democrática (vitória no Colégio Eleitoral em 1985) a intermitentes referências. A governança esteve “anos luz” de distância da política de Frente Democrática, portanto ela não está esgotada diante da política sectária de sobrevivência de uma máquina partidária que empurrou um senhor conservador filho de Dona Lindu a proferir opiniões de uma pluralidade de “bolhas”.

Poesia | Capinan - Te esperei - com violão de Gerado Azevedo

 

Música | Edu Lobo e Maria Bethânia - Cirandeiro (Edu Lobo e José Carlos Capinam)