domingo, 29 de março de 2026

Trump tem de fazer uma escolha no Irã, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

O emprego de militares americanos em território iraniano se tornou bastante provável. O anúncio da mobilização dos fuzileiros navais, paraquedistas e tropas terrestres aponta para dois objetivos possíveis: pressionar o Irã a aceitar as condições americanas ou intervir para pôr fim ao bloqueio do Estreito de Ormuz.

Por definição, uma tática dissuasória só tem o efeito de modelar o comportamento do adversário se prenunciar um cenário que ele considera mais prejudicial do que a concessão exigida. Esse não parece ser o caso do Irã.

O regime não tem motivos para abrir mão do controle sobre o Estreito de Ormuz e de suas exigências, como a manutenção de seu arsenal de mísseis e de um programa nuclear para fins pacíficos, bem como o compromisso de não voltar a ser atacado, em troca de evitar o desembarque do inimigo.

A Previdência, rumo ao colapso, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

É como rompimento de barragem. O rombo da Previdência Social vai crescendo inexoravelmente. Se nada se fizer para estancar o vazamento, até mesmo antes de 2030 faltarão recursos para pagamento das aposentadorias.

Em uma década, o déficit anual, que era de R$ 272 bi em 2015, passou a R$ 442 bi em 2025, crescimento de 62,5%.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Diretas no Rio são a resposta recomendada pela lei e pela jurisprudência

Por O Globo

Fachin tem de marcar logo sessão para referendar liminar de Zanin que suspendeu eleição indireta na Alerj

Fez bem o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em suspender a eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para escolher o governador que exercerá o mandato-tampão até dezembro, após a renúncia de Cláudio Castro ao governo fluminense. Diante da turbulência que tomou conta da política estadual, a eleição tem de ser feita por sufrágio universal, já que a renúncia de Castro não passou de manobra para driblar a cassação e manter no poder seu grupo político.

Kant, uma revolução no pensamento, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro que transita entre comentário e biografia consegue tornar claras ideias do filósofo

Embora seja um autor do século 18, Kant segue sendo referência em temas como ética e direitos humanos

É difícil dizer se "Kant: a Revolution in Thinking", de Marcus Willaschek, deve ser classificado como um comentário da obra do filósofo ou como uma biografia. Qualquer que seja o veredicto, Willaschek faz as duas coisas muito bem.

É impressionante como o livro consegue tornar claras as ideias de Kant, uma tarefa em que muitas vezes o próprio filósofo prussiano fracassava. E não porque Willaschek fuja dos pontos mais desafiadores. "Kant..." cobre praticamente toda a obra, sem nos poupar das passagens mais abstratas e difíceis da "Crítica da Razão Pura". É claro que especialistas poderão apontar lacunas, mas o livro resolve bem os problemas de leitores comuns, movidos só pelo "sapere aude!" (ouse saber) e sem pretensão de escrever uma monografia sobre o filósofo de Königsberg.

No balcão de compra e venda, o que se quer da República é uma fachada conveniente, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Escândalo do Master levanta a suspeita de que um outro Brasil tenha nascido e se alojado nas vísceras federais

Movimentos suscitam interrogações relevantes sobre as relações do poder com a sociedade

Há algo de salutar no escândalo do Banco Master, pois toda grande crise (do grego "krinein", descriminar, ver nas fissuras) revela aspectos despercebidos da realidade. No caso do Master, mais do que revelar, trata-se de expor: quando não se conhecem detalhes, ao menos se sente o peso do poder paralelo de entidades corruptivas na dinâmica nacional. Na exposição, incrementada nas redes por mobilização neural, o argumento dá lugar à cenografia, como num conto moral. As massas veem o que sentem de coração.

O powerpoint certo do Banco Master, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Gráfico precisa mostrar quem é suspeito de roubar com o Master, quem tentou salvar o Master e quem ganhou dinheiro

Powerpoint terá que ser atualizado com o conteúdo dos celulares de Vorcaro

Um programa da GloboNews mostrou um gráfico que colocava Lula e a esquerda no centro do escândalo do Master. Estava errado. A emissora pediu desculpas. Mas como seria o Powerpoint certo?

No centro, coloque Daniel Vorcaro como símbolo do ecossistema Master (que tem também Fictor, Will Bank, Reag, etc.).

Em volta, desenhe um primeiro círculo com o título "suspeitos de roubar com o Master". São os três governadores (todos de direita) e 15 prefeitos (14 de direita) que investiram dinheiro de aposentados no banco. A administração do PT da Bahia é suspeita de coisa diferente, mas pode ser colocada aqui –como um dos 19 casos. Se algum caso merece destaque é Cláudio Castro, do PL, que queimou R$ 1 bilhão dos aposentados do Rio no Master.

Enquanto esquerda debate o sexo dos anjos, direita se prepara para invadir o paraíso, por Angela Alonso

Folha de S. Paulo

Erika Hilton foi engolfada em briga fratricida, e o pessoal de Damares Alves nem precisou entrar em campo

Corrupção será prato cheio na eleição, mas há fosso entre a obsessão moral das elites e as preocupações da população

A culpa é de Eva. Foi ela quem se deixou aliciar pela serpente e induziu Adão a comer a fruta proibida. Se fosse hoje, Adão tentaria a delação premiada para voltar ao paraíso. Mas as punições do Velho Testamento eram bem diferentes das do Judiciário moderno e, em vez de prender, Deus soltou os corrompidos no mundo. Desde o Éden, pecado e corrupção andam de mãos dadas e assim chegaram ao bacanal Daniel Vorcaro, em Trancoso.

A versão tupiniquim da ilha de Jeffrey Epstein era igualmente regada a dinheiro, sexo e poder. Ali, códigos profanos e divinos estavam suspensos, mas apenas após a queda de Vorcaro é que a categoria bíblica "corrupção" passou a descrever esse paraíso de pecadores.

O dedo em riste para os transgressores da moralidade pública gerou um famigerado PowerPoint, que lembrou outro. A diferença é que o original saiu do cérebro abençoado de Deltan Dallagnol e a cópia, de uma cabeça que já deve ter rolado na Redação da GloboNews.

Eduardo Leite reluta em apoiar Caiado e quer a vaga, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Leite pediu a Kassab tempo para tentar se viabilizar interna e externamente como candidato a presidente

PSD adiou o anúncio da candidatura para aplacar as divergências em torno dos nomes dos dois governadores

A saída de Ratinho Júnior da cena presidencial embolou o jogo e tensionou o ambiente no PSD. Dada como certa num primeiro momento, a candidatura de Ronaldo Caiado deslocou-se para o terreno da incerteza.

O anúncio, antes previsto para o final da semana, foi adiado para segunda ou terça-feira, podendo se estender para 3 de abril, a depender das tratativas. É que Eduardo Leite decidiu reivindicar a vaga. Pior: poderia não apoiar o colega. Pediu a Gilberto Kassab o adiamento porque se Caiado fosse anunciado de imediato, daria a impressão de que o papel dele, Leite, fora desde sempre decorativo.

As bobagens de Lula e a eleição, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Presidente diz que povo e 'mulheres' gastam demais e culpam o governo pelo problema

Melhora econômica será escassa, se tanto, em 2026 e conversa do governo é muito velha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a não dizer coisa com coisa na semana passada. Disse que novos costumes e tecnologias (celular, Pix, acesso a cartão de crédito) facilitam despesas, que acabam por levar o salário inteiro (e as bets?). Contou que sabe disso porque "tem mulher" e "tem filha". Sem dinheiro por causa de maus hábitos, o povo fica "zangado", mas "xinga" o governo.

Sem gastar nada, a direita ganhou "cortes", trechinhos de vídeos, para usar na campanha. O eleitor vai ficar mais "zangado" quando souber que Lula o culpa pela dureza.

O governo diz que vai baixar medidas a fim de atenuar o efeito dos juros altos. Não vai nem conseguir tapar o sol com a peneira. Considere-se o que vem pela frente.

A barata americana, por José Eduardo Agualusa

O Globo

O atual presidente americano pode ser um inimigo temível, sim, não por causa da sua intuição, mas por sua estupidez. A estupidez é imprevisível

Donald Trump anuncia o completo esmagamento do Irã. Logo a seguir surpreende-se com a resistência. Admite ter proposto um cessar-fogo. Diz que foram os iranianos a iniciar as conversações. Reivindica a vitória total. Na frase seguinte proclama, com a ingenuidade de um anjo recém-saído das mãos de Deus, que ninguém poderia prever o encerramento do Estreito de Ormuz. Escreve que o Irã tem 48 horas para reabrir a passagem, caso contrário, aniquilará várias usinas de energia. Anuncia que suspende por cinco dias os ataques às infraestruturas energéticas. Diz-se disposto a abandonar o cenário de guerra. Os europeus que resolvam o problema. Irrita-se com o alheamento dos europeus. Implora ajuda aos europeus. Grita que não precisa dos europeus. Confessa que os israelenses o forçaram a iniciar o conflito. Volta, ainda na mesma frase, a proclamar vitória. Diz que não se importa que os aiatolás se mantenham no poder desde que lhe entreguem o petróleo. Noticia o levantamento do embargo petrolífero ao inimigo mortal. Acrescenta que nunca os americanos foram tão vitoriosos. É uma vitória a seguir à outra. Tantas vitórias já cansam.

Poesia | Testamento - Manuel Bandeira

 

Música | Zeca Pagodinho - Sem Compromisso