sexta-feira, 24 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Como não fazer uma legislação sobre jornada de trabalho

Por Folha de S. Paulo

Tramitação do fim da escala 6x1 é apressada por disputa entre governo e Congresso em ano eleitoral

As piores ideias incluem uma compensação a ser paga pelo governo aos empregadores; vale dizer, a conta seria repassada ao contribuinte

Governo e Congresso Nacional dão um exemplo didático de como não se deve elaborar uma legislação em suas tratativas para a redução da jornada de trabalho.

Uma mostra disso é a tramitação simultânea de propostas de emenda constitucional (PECs) sobre o tema —duas das quais foram aprovadas na quarta-feira (22) pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara— e de um projeto de lei enviado em regime de urgência pelo Executivo.

É preciso resistir às tentações, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Educação e sinalizações afetam comportamento humano, mas só até certo ponto

Norma britânica que bane cigarros para novas gerações viola igualdade diante da lei

Eu acredito no poder transformador da educação e de sinalizações, venham elas do Estado ou mais organicamente da própria sociedade. Foi uma combinação desses fatores que levou os temíveis vikings a se converterem nos civilizados escandinavos. E não faz tanto tempo. Até o finalzinho do século 19, a Suécia ainda era um dos países mais pobres e corruptos da Europa. Existem, contudo, limites para a maleabilidade humana. Nem recorrendo à força conseguiremos fazer com que 100% da população siga sempre um mandamento legal, uma diretriz sanitária ou o bom senso.

Dino propõe reforma que se desvia do cerne da crise, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Tensão no STF não decorre de falhas do Judiciário e sim da conduta imprópria de alguns magistrados

O código de ética seria um ponto de partida para o Supremo começar a recuperar a confiança do público

Uma das maneiras de se desviar de um ponto sob questionamento é propor que se olhe o problema por uma lente ampliada. E, neste aspecto, o proponente em geral leva vantagem. Afinal de contas, por que não enxergar o todo no lugar de focar a parte, não é mesmo? Em tese, faz todo sentido.

Na prática, porém, há o risco de a amplitude do debate levar à dispersão e à perda de concentração na questão principal que se dilui no turbilhão de sugestões. Uma reforma ampla do Poder Judiciário, como propõe o ministro Flávio Dino, do STF, soa condizente com as demandas por correções no sistema de Justiça. São muitas as falhas e distorções. O tema é relevante.

Flávio Moderado Bolsonaro, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Se achou importante tomar vacina, por que permitiu que seu pai a sonegasse ao povo brasileiro?

Numa coisa o senador será, com razão, moderado; não dará um pio sobre corrupção

Flávio Bolsonaro apresenta-se ao eleitorado como um "Bolsonaro moderado". Equivale ao círculo quadrado e ao fato imaginário, especialidades da família Bolsonaro. Um de seus argumentos é que se vacinou contra a Covid. E daí? Se achava a vacina tão importante a ponto de tomá-la, o que fez para sustar a política omnicida de seu pai, que sonegou enquanto pôde a vacina à população, mentiu sobre ela, ridicularizou-a e, como um misto de camelô e curandeiro, vendeu um substituto sabidamente ineficaz? Dos 700 mil brasileiros mortos pela Covid, quantos não terão sido crédulos bolsonaristas? E onde estava Flávio Bolsonaro enquanto seu pai, indiretamente, matava em série?

Liberalismo e Sindicato no Brasil, 50 anos, por Fernando Perlatto e Diogo Tourino

Neste dia de São Jorge, santo popular e cheio de significados na cultura urbana carioca, a BVPS traz uma comemoração em torno de um Jorge, grande guerreiro das ciências sociais brasileiras. Luiz Jorge Werneck Vianna publicava há cinquenta anos atrás sua tese de doutorado Liberalismo e sindicato no Brasil. Marco de uma época em que a sociologia enfrentava desafios macros, com coragem e audácia. Contemporâneo de A revolução burguesa no Brasil, de Florestan Fernandes, cujo cinquentenário comemoramos ano passado, e da segunda edição de Os donos do poder, de Raymundo Faoro, por exemplo.

A tese de Werneck tem uma história de escrita que se confunde com a repressão e a resistência à Ditadura Militar brasileira. E, só por isso, mereceria ser lembrada. Mas, ela é mais. Muito mais. O livro forjou uma interpretação original da modernização conservadora brasileira, inserindo um novo olhar e novos recursos intelectuais sobre o problema das relações entre Estado, sindicatos e classe trabalhadora. Não seria exagero nenhum dizer que, nesse sentido, a partir da periferia, Liberalismo e sindicato no Brasil permite interpelar a teoria sociológica em um sentido mais amplo. O livro, além disso, teve ampla recepção, causou controvérsias e disputou direção (moral e intelectual, como, gramscianamente, ele gostava de dizer) nos meios acadêmicos e dos movimentos sociais da transição democrática.

Meio século depois, permanece e se atualiza como referência para pensarmos os impasses da formação social brasileira. Dois dos mais queridos alunos de Werneck Vianna no antigo IUPERJ, Fernando Perllato e Diogo Tourino, ambos professores da Universidade Federal de Juiz de Fora atualmente, fazem o elogio do livro em nome de tantos de nós que tivemos o privilégio de conviver com Werneck e que continuamos a aprender com Liberalismo e sindicato no Brasil.

Salve (Luiz) Jorge!

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Poesia | Soneto da doce queixa, de Federico García Lorca

 

Música | Brigas nunca mais - Roberta Sá (Prêmio de Música Brasileira Tom Jobim)