quinta-feira, 2 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Alcolumbre tem de ser ágil ao marcar sabatina de Messias

Por O Globo

Lula enviou enfim ao Senado mensagem indicando chefe da AGU a vaga no Supremo

Depois de mais de quatro meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou enfim ao Senado a mensagem oficializando a escolha do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso. A escolha de Messias foi publicada em novembro no Diário Oficial. Nunca o chefe do Executivo protelou tanto o envio da mensagem, mera formalidade.

As ideias do novo ministro da Fazenda, por Míriam Leitão

O Globo

À frente da Fazenda, Durigan afirma que cumprirá as regras fiscais do país e que o Brasil dará exemplo de democracia na eleição

das famílias incluirá desconto na dívida, garantia do governo e será mais simples do que foi o Desenrola. “Neste ciclo do governo do presidente Lula, mais de 15 milhões de pessoas foram bancarizadas”. É o que conta o ministro Dario Durigan em entrevista que me concedeu na GloboNews, na qual falou também de política. O novo titular da Fazenda se espanta ao ver lideranças jovens no país com “um discurso pouco republicano”. Ele se define como um técnico que tem respeito pela política. “Vamos cumprir as regras fiscais do país e vamos ter uma eleição sem negacionismo, uma eleição livre com reconhecimento do resultado. O ciclo democrático ocorrerá de maneira bonita”.

A República do autoengano, por Malu Gaspar

O Globo

Aquecendo os motores para a campanha pela reeleição, Lula fez uma reunião para se despedir dos ministros que disputarão algum mandato em outubro. Na fala transmitida pelo YouTube, o presidente convocou seu time para “ir pra cima” de Flávio Bolsonaro, mostrando que seu governo fez “infinitamente mais” que o anterior. Rui Costa, da Casa Civil, fez uma apresentação comparando Lula e Jair Bolsonaro, classificando o resultado de “mudança da água para o vinho”. E sugeriu que o colega da Comunicação, Sidônio Palmeira, não estava fazendo seu trabalho direito.

Política no STF, Por Merval Pereira

O Globo

A lealdade a quem indica é o principal fator para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua o sentido do ritual de aprovação.

Não é porque não tem “notório saber jurídico” que o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, não poderia ser indicado para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Esse requisito há muito não é levado em conta na escolha do candidato, e, na verdade, são poucos os que o têm. O problema é que, mais uma vez, o presidente Lula escolheu um ministro do Supremo por suas qualidades pessoais, não jurídicas. A lealdade a quem indica é o principal fator para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua o sentido do ritual de aprovação.

Visão do passado arrisca reeleição, por Julia Duailibi

O Globo

As pessoas conhecem os programas do governo e os veem, hoje, não como favor, mas como obrigação

Diagnóstico errado; remédio também errado. Essa máxima serve para a política. O presidente Lula avalia que a baixa aprovação da sua gestão, na reta final do mandato, tem a ver com uma falha na comunicação sobre as entregas do governo. A falta de informação na praça seria a principal explicação para a desaprovação, que atinge mais da metade da população. Lula culpa não só a imprensa, reeditando a visão equivocada de que jornais e TVs deveriam funcionar como linhas auxiliares dos Diários Oficiais, mas também os canais formais da Presidência.

Os bônus e ônus para Lula da indicação de Messias ao STF, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O indicado carrega no passivo de imagem o episódio de 2016, quando seu nome apareceu em interceptações telefônicas no contexto da crise do impeachment de Dilma Rousseff

A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da campanha eleitoral, tem bônus e ônus. Ocorre num cenário político-institucional delicado, com a Corte muito desgastada por causa do envolvimento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o Banco Master, e dividida quanto à condução desse processo pelo novo relator do caso, ministro André Mendonça — sem falar no racha entre os ministros quanto à aprovação de um Código de Ética para a magistratura. A eventual aprovação do nome de Messias reforçará a associação da imagem da Corte à de Lula, que passaria a ter três ministros, com Cristiano Zanin e Flávio Dino, fortemente ligados ao seu governo. Isso produz efeitos ambíguos, com ganhos políticos na relação com os demais poderes, porém, sob desgastes eleitorais imprevisíveis.

Sem anistia, por Cida Barbosa

Correio Braziliense

Fingir que nada aconteceu, passar uma borracha, "esquecer" — como querem pré-candidatos, no vale-tudo pela Presidência — é permitir que ocorram novas ofensivas

É lastimável que pré-candidatos à Presidência da República apresentem como cartão de visitas a promessa de anistia ampla, geral e irrestrita a golpistas condenados. Postulantes ao comando do país não têm pudor de enfatizar que o principal contemplado com o perdão será o chefe da organização criminosa que atentou contra a democracia. Chefe este, diga-se, que desfruta de prisão domiciliar humanitária — benefício possível apenas no Estado de Direito que ele tentou derrubar.

O argumento acintoso desses pré-candidatos é que a pacificação do país passa pela anistia. Livrar da cadeia os que planejaram assassinato de autoridades? Os que depredaram os prédios dos Três Poderes? Os que bradaram por intervenção militar e queriam mergulhar o Brasil novamente num período de trevas?

Fraudes trabalhistas, extinção de direitos e o julgamento no STF, por Luiz Marinho*

Correio Braziliense

É possível validar a prática de transformar artificialmente um empregado em uma pessoa jurídica mesmo estando presentes todos os requisitos de um emprego? Questão será julgada pelo STF

Aproxima-se, no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento de uma questão essencial: é possível validar a prática de transformar artificialmente um empregado em uma pessoa jurídica mesmo estando presentes todos os requisitos de um emprego? Se não for possível, por se tratar de uma fraude, qual ramo do Judiciário deve ser indicado para impedi-la? 

Governadores fogem da raia na eleição para o Senado, por César Felício

Valor Econômico

Apenas 8 dos eleitos em 2022 devem concorrer às 54 cadeiras de senador em disputa

A lista de governadores candidatos a outros cargos nesta eleição encolheu nos últimos dias. Até sábado, último dia da desincompatibilização, dez governadores eleitos em 2022 deverão ter deixado o cargo para buscar outros desafios.

Dez ou onze. O gaúcho Eduardo Leite (PSD) foi o último a engrossar a lista dos desistentes. No caso, o partido desistiu dele, ao preteri-lo para a presidência da República em favor do goiano Ronaldo Caiado. Leite contudo deu mostras de inconformismo e começaram a circular apelos de personalidades ligadas ao PSDB para que ele retorne ao ninho tucano e tente viabilizar a sua candidatura por lá. Pouquíssimo provável, já que a base de Leite na Assembleia Legislativa migrou para o PSD por orientação do governador, mas o governador gaúcho tem precedente de decisões surpreendentes.

Entrevista | Alckmin prevê ajuste fiscal em 2027 em caso de reeleição de Lula

Por Lu Aiko Otta, Giordanna Neves e Estevão Taiar / Valor Econômico

Vice vê melhora, mas defende avanços; tema será estudado pelo presidente

O atual governo melhorou a situação das contas públicas, mas é preciso avançar mais, defendeu o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin em entrevista ao Valor. Segundo ele, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, será necessário fazer um ajuste fiscal já em 2027. “Eu entendo que ajuste se faz no primeiro ano”, afirmou.

O tema será discutido na elaboração do programa de governo. A questão fiscal fará parte de “um conjunto” de propostas. “A questão mais premente é juros, a política monetária, que me parece totalmente descalibrada”, acrescentou.

Jogando com o extermínio, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

A possibilidade de uma chuva de artefatos mais destrutivos do que aqueles que a Casa Branca despejou em Hiroshima e Nagasaki pode não ser grande, mas é real

Segundo uma crença liberal do século passado, as guerras arrefeceriam à medida que as sociedades de mercado prevalecessem e os regimes democráticos, minimamente estáveis, perdurassem. Pois bem, o que se deu foi o contrário, três vezes o contrário.

Primeiro revertério: os regimes democráticos começaram a periclitar e agora claudicam. O relatório anual do Instituto V-Dem, o principal ranking da democracia no mundo, rebaixou os Estados Unidos (até os Estados Unidos). De “democracia liberal”, o país caiu para “democracia eleitoral”. Na terra do tio Trump (o Tio Sam foi deportado), os indicadores de liberdade apodrecem como detritos burocráticos que o caminhão de lixo se esqueceu de recolher.

Vergonha, fake news e carta na manga, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Uma das armas de Edson Fachin para tirar o Supremo da crise é o constrangimento

Edson Fachin aposta no constrangimento para tirar o Supremo Tribunal Federal (STF) do atoleiro no qual está mergulhado. Ele quer aprovar um código de ética para a Corte ainda neste ano. Os ministros estão abertos à ideia – desde que não sejam punidos por eventual desvio de conduta.

Para serem sancionados, os ministros precisariam criar uma comissão de ética nos moldes da que existe no Palácio do Planalto. No caso do STF, os ministros têm resistência a escolher integrantes para esse colegiado. Ou seja: nomear quem teria o direito de julgar o comportamento deles.

Custo eleitoral da guerra, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Desgaste de imagem forçará o presidente Lula a mudar sua postura cautelosa por causa da eleição

A guerra no Oriente Médio virou um problemão eleitoral para Lula em duas dimensões: custos e endividamento. É possível tentar mitigar os efeitos de cada um desses fatores negativos. Mas não dá para controlá-los. A questão de custos é bastante óbvia, mas nem um pouco até onde vai o encarecimento de energia e fertilizantes. O custo imediato para evitar desabastecimento e picos de preços é estimado em R$ 20 bilhões – para um horizonte de ainda 4 meses de guerra.

Abastecendo no posto de combustível do crime organizado, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Operação Carbono Oculto mostrou que crime organizado criou dinâmica de paraíso fiscal dentro do Estado brasileiro

As descobertas dos investigadores vão muito além dos setores de combustíveis, padarias e fintechs que atuam no mercado financeiro

O escândalo do Banco Master colocou em segundo plano no noticiário os desdobramentos da megaoperação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado para desarticular a infiltração do crime organizado em negócios regulares da economia formal no país.

A boa notícia é que as investigações estão avançando com a identificação de novos setores, que vivem de perto a penetração de organizações criminosas com esquemas cada vez mais sofisticados. A má notícia é que a polarização política em ano eleitoral pode atrapalhar.

Flávio Bolsonaro perdido no mundo, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Em Dallas, o herdeiro afirmou ser sua a agenda internacional extremista

Desafio do país é lidar com transformações na hierarquia de poder e no sistema multilateral vigente desde o final da Segunda Guerra

Flávio, o primeiro filho de Jair Bolsonaro, acaba de fazer sua estreia internacional. O palco foi a reunião da Conservative Political Action Conference (CPAC), em Dallas, no Texas. Perante a fina flor do reacionarismo, disse coisas reveladoras, além de desfilar como herdeiro político do pai. Afirmou que sua agenda é dos que veem o mundo como campo de batalha entre conservadorismo e "globalismo", termo sob o qual a extrema-direita amontoa as "elites internacionalizadas", o "ambientalismo" e os "movimentos identitários", culpados pela dissolução da família e de seus valores tradicionais. Todas, ideias da turma extremista já trombeteadas em 2019 por Ernesto Araújo —o chanceler afamado por levar a política externa brasileira ao ridículo.

'Flávio' descobriu que 'Bolsonaro' é palavrão, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Chamar um Bolsonaro pelo prenome é um suspeito sinal de simpatia, quase amor

E tratá-los por 'Zero Um', 'Zero Dois' ou 'Zero Três' é uma ofensa ao número zero

Alexandra Moraes, nossa ombudsman, chamou a atenção (14/3) para a familiaridade com que, de repente, a imprensa passou a se referir a Flávio Bolsonaro. Assim que ungido presidenciável, o oleoso senador, portador de um sobrenome sinônimo de violência, insenbilidade e golpismo, tornou-se nas reportagens apenas "Flávio", algo assim como um afável vizinho de porta. Isso em veículos que, para manter a objetividade ou evitar repetições, costumam chamar, digamos, Camila Pitanga de "Pitanga" e Ratinho Junior de "Junior".

Um autodidata sem mistérios, por Ivan Alves Filho*

Autodidata, começou a trabalhar em jornal logo que completou 16 anos de idade, em Liège, na Bélgica. Foi quando sentiu a força dos chamados faits divers, ou acontecimentos do cotidiano, como crimes e acidentes. Ele costumava dizer que “a vida de cada homem é um romance”. Conheceu gente de peso por essa época, como Poincaré e Churchill.

Poesia | Soneto Sonhado, de Manuel Bandeira

 

Música | Arlindo Cruz & Beth Carvalho - Malandro sou eu / Sonhando eu sou feliz