sexta-feira, 20 de março de 2026

A guerra do Irã pode virar uma tempestade política perfeita nas eleições, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A oposição, liderada por Flávio Bolsonaro, tende a explorar o aumento do custo de vida como narrativa central, independentemente de sua origem externa

O impacto da guerra do Irã na conjuntura política brasileira pode provocar uma tempestade perfeita nas eleições e alterar profundamente o cenário atual de polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro, seu principal oponente. Embora favorito, Lula enfrenta um candidato em ascensão, e não é possível prever o impacto da alta dos combustíveis na inflação geral e na popularidade do governo. Acrescente-se a isso a grande insatisfação popular com a violência e o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além do distanciamento do Congresso em relação a medidas que possam mitigar os efeitos da guerra.

Revoada no Rio, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Paes descumpre promessa de concluir mandato, e Castro tenta escapar de condenação

Num intervalo de poucos dias, o Rio deve assistir à debandada do governador e do prefeito da capital. O primeiro a renunciar será Eduardo Paes. Ele deixa o cargo hoje para concorrer ao Palácio Guanabara pela terceira vez.

Paes foi reeleito há menos de dois anos, com a promessa de cumprir o mandato até o fim. Gaiato, jurou pelo Vasco e pela Portela que não abandonaria a prefeitura. A lorota talvez explique os infortúnios que afligem o clube e a escola de samba.

É preciso defender a democracia, não o Supremo, por Pablo Ortellado

O Globo

A missão democrática hoje é sustentar que apesar dos muitos erros da Corte, as condenações dos golpistas foi justa e precisa ser mantida

A crise gerada pelo envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com Daniel Vorcaro pode comprometer o pouco apoio público que resta ao Supremo, lançando o país em crise institucional grave. Num futuro não distante, isso poderia levar à revisão das punições às mobilizações antidemocráticas, produzindo impunidade, fragilidade democrática e a liberação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em alta, endividamento, inadimplência e recuperação, por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

Mesmo vindo a redução de juros, é preciso resolver a falta de educação financeira, que é estrutural e de difícil solução no curto prazo

Nos últimos dias, os jornais publicaram notícias sobre esses temas. E notícias fortes, como a de que o endividamento das famílias bateu recorde em fevereiro, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em números, 80,2% das famílias entrevistadas declararam possuir alguma dívida, e esse é o maior nível de endividamento da série histórica mensal, que começou em 2010. A pesquisa revelou também que a inadimplência é alta, com 29,6% das famílias declarando ter dívidas em atraso e 12,6% delas dizendo não ter condições de pagar as dívidas vencidas. Por que, então, as tomaram?

A delação aceitável de Vorcaro, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Chegamos a tal nível de desconfiança sobre as relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro que é inaceitável uma delação premiada do ex-banqueiro que não esclareça o que realmente aconteceu. A cobrança não é apenas da opinião pública, mas da legislação. Qualquer seletividade de Vorcaro, caso tolerada pelas autoridades competentes, corre o risco de desmoralizar de vez o instrumento de colaboração premiada no Brasil.

Toffoli só abriu a fila... por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com citação a filho de Kassio Nunes Marques, só 50% do STF passa ao largo do Master

Brasília está lotada de craques, e não é de hoje. O presidente Lula já comparava o filho Lulinha a Ronaldo Fenômeno nos primeiros mandatos e os filhos e parentes de um ministro atrás do outro do Supremo Tribunal Federal (STF) parecem não ficar atrás. Timaço, regiamente tratado pelo agora liquidado Banco Master e a já famosa JBS.

A escalada do choque do petróleo, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

A escalada dos preços do petróleo é o impacto produzido por outra escalada, a da guerra do Irã. Nesta quinta-feira, as cotações chegaram a ultrapassar os US$ 119 por barril e só voltaram a ceder depois que os países ricos anunciaram a liberação de suas reservas.

Se Israel se dispôs a atacar o campo de gás de South Pars, um dos maiores do Irã, é porque não está interessado em conter a alta do petróleo e todos os seus desdobramentos para a economia mundial. Isso mostra, também, que, ao respaldar o bombardeio produzido por Israel sobre a infraestrutura do petróleo da região, o presidente Trump não se limita a restringir os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz. Permite a escalada da guerra e o aprofundamento do choque da energia. Destruição da infraestrutura do petróleo da região é de reparo mais difícil e mais demorado do que simplesmente o de reabrir o Estreito. Produz distorções mais prolongadas e mais dolorosas para a economia mundial.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desafio do ECA Digital está na implementação

Por O Globo

Nova legislação é avanço indiscutível, mas seu êxito dependerá da adesão das plataformas

É sem dúvida um avanço a entrada em vigor da lei conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital. O simples fato de começar a vigorar uma legislação de proteção aos menores de idade na internet é auspicioso. A dúvida, como em qualquer nova lei, é se as novas regras funcionarão na prática — e até que ponto as plataformas digitais contribuirão para evitar seu esvaziamento.

A partir de agora, as redes sociais e qualquer outro fornecedor de conteúdo ou serviço para menores deverão oferecer aos pais ferramentas de controle. Será preciso também manter mecanismos confiáveis de aferição de idade, para coibir o acesso dos menores a ambientes e conteúdos inapropriados — não basta mais a simples autodeclaração. Todas as plataformas terão de oferecê-los, mesmo que não sejam identificadas explicitamente como espaço infantojuvenil — caso de bancos, sites de entretenimento ou comércio eletrônico.

Eleição Presidencial: decisão no primeiro turno? Por André Régis*

Folha de Pernambuco

Diante da leitura das últimas pesquisas, no contexto dos escândalos do INSS e do Banco Master, a eleição presidencial de 2026 já admite uma hipótese antes remota: desfecho no primeiro turno. Todas indicam erosão do favoritismo de Lula e mostram que a direita passou a ter incentivos claros para trocar dispersão por coordenação. Nelas, o centro volta a dar sinais de inclinação à direita, enquanto Flávio Bolsonaro busca ampliar sua aceitação com gestos nessa direção.

A cautela histórica continua necessária. Desde a redemocratização, apenas Fernando Henrique Cardoso venceu a Presidência no primeiro turno, em 1994 e 1998. Basta esse registro como advertência: trata-se de desfecho raro, que exige condições políticas muito específicas.

Ocaso da democracia dos EUA sob Trump é má notícia para o Brasil, por Ana Luiza Albuquerque

Folha de S. Paulo

Pela primeira vez, Brasil supera EUA nos índices do instituto V-Dem, que produz ranking da democracia global

Acentuada aceleração da crise na nação americana pode atrapalhar recuperação da democracia brasileira

Novo relatório anual do instituto sueco V-Dem, maior referência no monitoramento da democracia global, chancela o diagnóstico a respeito da acelerada deterioração da democracia nos Estados Unidos sob o governo Donald Trump.

O documento reconhece a manutenção da recuperação democrática no Brasil, após um episódio de autocratização liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde o fracasso da tentativa de golpe de 2022, o país é tratado por acadêmicos, políticos e pela imprensa internacional como um caso de sucesso na resistência ao autoritarismo.

Os riscos de faltar diesel e de paulada nos preços no Brasil, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Com base em referências internacionais, Petrobras teria de fazer reajuste de mais de 30%

Segundo gente do setor, haveria combustível até meados de maio, mesmo sem importação extra

Há boatos, alarmismos e mentiras a respeito do risco de faltar diesel no Brasil. Foi assim também na alta do petróleo nos meses seguintes ao do início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, em 2022.

A diferença agora é que há restrição muito grande de oferta de petróleo e derivados —em países da Ásia, há medidas drásticas de redução de consumo. A semelhança com o problema de 2022 é o preço do diesel no Brasil, que precisa de reajuste bastante para atenuar a ameaça de escassez. No limite, aumento de 30%. Improvável.

Deputados condenados vão se dividir entre a Câmara e a cadeia, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A punição pode ter efeito didático sobre a conduta de parlamentares que abusam do Orçamento

Mas pode ser que suas excelências os protejam de olho nos inquéritos sobre emendas em curso no Supremo

Dois deputados, um suplente e mais quatro condenados por corrupção no uso das emendas é algo a ter algum efeito didático sobre o comportamento dos parlamentares que avançam sem cerimônia sobre o Orçamento da União.

Ao menos assim se espera que ocorra diante do indicativo do ministro Flávio Dino de que outras punições severas virão, no âmbito das dezenas de inquéritos sobre o tema que tramitam ainda em sigilo no Supremo Tribunal Federal.

Com o apoio de 71%, fim da escala 6x1 é civilizatório, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Suporte da maioria, revelado pelo Datafolha, contraria discurso reacionário

Não há motivo para deixar de aprovar pelo menos a jornada de 40 horas

Uma consistente maioria de 71% dos brasileiros apoia o fim da escala 6x1, de acordo com recente pesquisa Datafolha. Por esse modelo, o trabalhador é submetido a seis dias de trabalho e um de folga por semana. O resultado é positivo no momento em que vozes reacionárias levantam-se para defender um tipo de arranjo trabalhista retrógrado, que deveria envergonhar o país.

É o caso do deputado federal Marcos Pereira, presidente do Republicanos, partido do bolsonarista Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo.

Leitura comparativa ajuda a entender semelhanças e diferenças entre autores, por Juliana de Albuquerque

Folha de S. Paulo

Fiz duas listas para avaliar a relação entre literatura e filosofia nas obras de Hannah Arendt e Simone de Beauvoir

Não é mais fácil, como eu pensava, escrever sobre o tema a partir dos romances de Beauvoir

Concluí, no último sábado, a redação de mais um artigo acadêmico sobre a relação entre literatura e filosofia na obra de Simone de Beauvoir. Essa será a minha quarta publicação sobre o tema.

Em trabalhos anteriores, ocupei-me dos romances "Todos os Homens São Mortais" (1946) e "Os Mandarins" (1954). Desta vez, no entanto, dediquei-me à análise de "O Sangue dos Outros" (1945) e examinei sua relação com algumas das ideias propostas por Beauvoir em "Por uma Moral da Ambiguidade" (1947), que, no próximo ano, completa 80 anos de publicação.

Parte das questões que abordei no artigo também foi objeto de algumas das minhas colunas mais recentes para a Folha.

'1984' versão hoje, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

No livro de Orwell, a verdade é a mentira, e o povo acredita em tudo que lhe injetam

O país da trama é a URSS de Stálin. Mas os bolsonaristas viveriam muito bem nele

Certos livros deveriam ser lidos todo ano. Exemplo: "1984", de George Orwell. Sei de gente que faz isso. Desde sua publicação, em 1949, já vendeu 30 milhões de exemplares –eu próprio comprei vários, inclusive, num leilão, a primeira edição, da Secker & Warburg, de Londres. Pois, seguindo meu próprio conselho, acabo de relê-lo de novo e fiquei ainda mais assustado que da última vez. Com razão –"1984" nunca foi tão atual. Ou Orwell adivinhou tudo ou está sendo seguido à risca.

Uma pequena pausa para a cerveja, por Ivan Alves Filho

Construído em 1283, o antigo Refeitório do Convento dos Frades Trinos foi inteiramente destruído durante o terremoto que abalou Lisboa, em 1755.

Mas Deus sabe o que faz: sob as ruínas do convento, alguém teve a luminosa ideia de edificar a Fábrica de Cerveja da Trindade, inaugurada em 1836. Louvado seja. A cervejaria em questão está situada no tradicional bairro do Chiado, frequentado por escritores do porte de Eça de Queiroz e Fernando Pessoa. Ali se localiza também o café A Brasileira do Chiado, casa fundada por Adriano Telles, em 1905.

Poesia | O anel de vidro, de Manuel Bandeira

 

Música | Sueli Costa - Jura Secreta (Original da Autora)