quinta-feira, 30 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Congressistas devem explicações sobre carona em jatinho

Por O Globo

Presidente da Câmara, senador e deputados viajaram para o Caribe em aeronave de empresário

No dia 13 de abril de 2025, o jato com o prefixo PP-OIG, pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima, dono de empresas de apostas on-line conhecido como Fernandin OIG, decolou do São Paulo Catarina, aeroporto exclusivo de aviação executiva em São Roque (SP), a 68 quilômetros da capital paulista. O destino era a ilha caribenha de São Martinho. Fernandin postou imagens da viagem numa rede social, com passeios a bordo de embarcações de luxo pelas águas azuis do Caribe, piscina privativa, serviço de concierge e menu de frios, ostras e lagosta. Uma semana depois, no dia 20, por volta das 21 horas, o mesmo jatinho pousou de volta em São Roque.

Impacto da guerra se espalha na economia, por Míriam Leitão

O Globo

O efeito da guerra na economia vai além do petróleo e já pressiona a produção de chips e o setor de alimentos, com a queda na oferta de fertilizantes

O impacto da guerra na economia vai muito além do petróleo. Está ameaçando a produção de chips e afetando o setor de alimentos ao reduzir a oferta de fertilizantes. A escassez de insumos agrícolas chegou a algumas economias e em dois meses atingirá o Brasil. A inflação reflete este cenário nos preços, todas as projeções subiram, e por isso, o Banco Central tomou a decisão de fazer apenas um corte de 0,25 ponto percentual, mesmo os juros estando tão altos.

Os caronas do bonde do Tigrinho, por Julia Duailibi

O Globo

Ministros do STF, deputados e senadores continuam aceitando caronas em jatinhos de empresários

Dois deputados federais, um senador da República e o presidente da Câmara dos Deputados pegaram carona no jatinho de um empresário do ramo das bets em meio a uma CPI que investigava justamente esse mesmo empresário do ramo das bets. Enquanto colegas trabalhavam em Brasília para tentar descobrir se Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, havia cometido lavagem de dinheiro, dissimulação patrimonial ou evasão de divisas, os quatro parlamentares acharam que tudo bem embarcar no avião dele, que tinha como destino o Caribe.

Derrota de Messias vira o jogo da eleição, por Malu Gaspar

O Globo

Ofensiva contra indicado do presidente teve ajuda de ministros do STF como Alexandre de Moraes

Um dia antes de o Senado Federal derrotar a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) mandou um recado aos senadores da oposição bolsonarista. Se perdessem a oportunidade de derrubar o indicado de Lula no plenário, que não viessem lhe pedir para colocar em pauta um dos cerca de cem pedidos de impeachment de ministros que ele mantém engavetados. No dia seguinte, o mesmo Alcolumbre, conhecido por nunca atender o celular, passou o tempo todo ao telefone falando com qualquer parlamentar que tivesse condição de ajudá-lo. Nas conversas, variações do mesmo tema — faça seu papel que farei o meu —, terminando sempre com “hoje será um dia histórico”.

Com o primeiro vaticínio confirmado, dois novos passaram a ser ouvidos em Brasília. O primeiro: o governo “acabou”. Outro: o próximo passo é o impeachment de ministros do Supremo. É difícil cravar agora com 100% de certeza se tais previsões se confirmarão.

Nada será como antes para Lula depois da rejeição de Messias, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O resultado abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade de Lula. No presidencialismo, nomear ministros de cortes superiores é exercício de poder

A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado marca um ponto de inflexão na política brasileira e reposiciona a relação entre os Poderes. Mais do que um fracasso do indicado, é uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção revelou que o governo perdeu o controle de sua base no Senado. E cometeu graves erros de avaliação e condução das negociações, apesar das advertências do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de Alcolumbre na política do Amapá.

A receita da limonada é a escolha de uma mulher negra ao STF, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Depois de rejeitar um evangélico, Senado teria que arcar com o ônus duplo de negar a vaga também a uma mulher negra

O presidente da República colecionou mais um “nunca antes na história do país” com a derrota da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. As excepcionalidades viraram o novo normal. Nunca, ou, pelo menos, desde a redemocratização, não se via um governo tão minoritário no Executivo. Nem tampouco um presidente do Senado trabalhando tão abertamente contra uma indicação presidencial.

Nenhuma das excepcionalidades, porém, foi mais determinante para o desfecho da noite desta quarta do que aquelas que dominam o STF. Nunca houve um ministro do Supremo cuja esposa firmou contrato de R$ 130 milhões com banqueiro pilantra. Nunca houve togado dono de resort. Nem ministro que chama senador de miliciano, processa outro por um voto e está sentado há cinco meses em cima de liminar sobre as regras para o Senado dar um basta em tudo isso.

Derrota marca rompimento da relação entre Lula e Alcolumbre

Por Sofia AguiarAndrea JubéTiago Angelo e Gabriela Guido / Valor Econômico

Após rejeição de Messias, aliados do presidente da República ainda avaliavam impactos políticos e chances de encaminhamento de novo nome

Com o rompimento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerado praticamente consumado, autoridades do governo ainda avaliavam na noite de quarta-feira (29) o impacto político da rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Além de fragilizar o Palácio do Planalto, disseram algumas fontes nos bastidores, o episódio demonstra que a própria Corte passa a ficar ainda mais exposta.

O fato foi considerado um ponto de inflexão. Messias obteve apenas 34 votos a favor, ante os 41 necessários para a sua nomeação, o que indicou ao Executivo que a agenda legislativa do governo pode ficar inviabilizada. Um interlocutor de Lula classificou o placar como “humilhante”. Também havia dúvidas se e quando Lula deveria encaminhar novo nome ao Senado, além do perfil do escolhido.

Duas transparências, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Autoridades que validam penduricalhos, ocultam negociatas e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência estão nos enganando

A imprensa cumpre seu papel quando dá transparência a paredes que os poderosos gostariam de manter opacas. Manchete de anteontem aqui no Estadão: Fazenda de SP pagou, em 1 mês, R$ 111 milhões em penduricalhos (28/4, A8). A reportagem de Felipe de Paula e Fausto Macedo abriu a planilha para o público, ou seja, tornou transparentes os tapumes que a escondiam. Um auditor sozinho recebeu R$ 513 mil. Líquidos. Num único mês. E este é apenas um dos muitos absurdos que se tornaram visíveis.

Também anteontem, um dos editoriais do jornal, Inação ante os supersalários (A3), deu visibilidade a outro fator deprimente: “Congresso mantém parado desde 2023 projeto que limita abusos no serviço público, enquanto avança com rapidez em propostas que ampliam benefícios e revela resistência a enfrentar privilégios”. As informações, detalhadas e precisas, foram apuradas pela reportagem deste matutino. De novo, ponto para o jornalismo e ponto para a transparência.

A força de Alcolumbre e do sentimento anti-STF, por Ricardo Corrêa *

O Estado de S. Paulo

Pressão no Parlamento vai aumentar e custos de nova derrota podem ser mais pesados para o Planalto

Lula insistiu, bateu o pé, manteve o nome de Jorge Messias, mesmo diante de todos os alertas que recebeu e da pressão que sofria para ir por outro caminho. E perdeu. Perdeu sendo relembrado, da pior forma, da força do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. E da insatisfação do Congresso atual com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula nunca teve base confortável, mas conseguia se virar no Senado, sempre com o auxílio de Alcolumbre. Sem ele, percebeu que não tem nem maioria simples dos parlamentares na Casa. Se, depois de quatro meses empurrando a indicação com a barriga, o presidente do Senado aceitou pautar a indicação do petista, na melhor das hipóteses, não moveu uma palha sequer para ajudar. Lavou as mãos para, agora, poder dizer: “Na próxima, me ouça”.

O pior cego, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Estava claro e só não enxergou quem não quis ver. Especialmente o presidente Lula. Fez mais uma aposta errada, uma das piores na sequência de apostas políticas equivocadas que demonstram um líder político em seu ocaso. As condições para a aprovação do indicado eram difíceis de saída, sobretudo pela proximidade das eleições. Não só a oposição declarada, mas um bom pedaço do centrismo no Senado achava que seria melhor uma indicação depois do 4 de outubro – melhor até para o próprio STF.

Não se sabe quem garantiu a Lula que Messias passaria raspando, mas passaria. Se foi Alcolumbre, foi um conselho diabólico para pular para dentro do abismo. Pois a derrota política é histórica na pura acepção da palavra.

O aviso da derrota de Messias, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Supremo vê revés no Senado como um aviso sobre impeachment de ministros

A rejeição histórica do Senado ao nome de Jorge Messias foi interpretada de duas formas por integrantes do Supremo Tribunal Federal. A primeira é a desmoralização do governo Lula perante o Congresso. A segunda é que o Senado enviou à Corte um recado: se hoje a Casa tem maioria para descartar um candidato a ministro, amanhã terá poder suficiente para afastar quem já compõe o tribunal.

O PT e seu programa sem futuro, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Documento apresentado pelo PT em seu congresso não faz jus ao partido real

Não se sabe bem de onde veio a inspiração que animou os autores

O Partido dos Trabalhadores acaba de realizar seu 8° Congresso Nacional, no qual aprovou o documento "Construindo o futuro: manifesto do PT para seguir transformando o país". Trata-se de peça programática com a ambição de apresentar um mapa das mudanças que a maior agremiação de esquerda propõe ao Brasil. Em princípio, deveria também nortear as campanhas eleitorais deste ano.

O texto tem três partes. A primeira é uma diatribe contra o capitalismo neoliberal. Os quatro longos parágrafos iniciais descrevem os malefícios que o sistema produziu. Mas não é clara a alternativa proposta ao capitalismo destrutivo. Seria alguma forma de capitalismo domesticado, à semelhança do praticado pelas social-democracias? Ou um tipo ainda desconhecido de socialismo compatível com a democracia e as liberdades individuais?

Desastrosa para Lula, derrota gera dúvida sobre capacidade de reação do governo, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Messias enfrentou sentimento anti-STF, calendário eleitoral e hostilidade de Alcolumbre

Ao presidente, resta agora tentar alguma medida de impacto antes da eleição, como fim da escala 6x1

A derrota por larga margem na indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal) deixa dúvidas sobre a capacidade de reação do governo Lula e abre perspectivas sombrias para a campanha eleitoral que se avizinha.

Messias foi vítima do fato de ter sido escolhido na hora errada. Como mostrou a sabatina para lá de cortês na Comissão de Constituição e Justiça, o indicado não desperta resistências de caráter pessoal. É educado, afável e tem jogo de cintura política.

Por diversas vezes na longa sessão, buscou estabelecer relação de empatia, mesmo com os mais barulhentos opositores. Não se abalou nem com as provocações do verborrágico Magno Malta (PL-ES).

Uma noite de derrotas graves de Lula, na política e na economia, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Enterro da nomeação de Messias também anima forças da direita que querem dominar o STF

Imprevidência e conversa velha na política e na economia prejudicam projeto Lula 4

atropelamento do governo no Senado foi tamanho e tão cheio de significados que o destino cinzento das taxas de juros no Brasil ficou parecendo um assunto acadêmico ou menor. Se alguém ainda se lembra, nesta quarta (29) o Banco Central diminuiu a Selic de 14,75% para 14,5%, mas deu indícios de que o gato dos cortes de juros está subindo no telhado.

Taxa de juros não é assunto acadêmico ou menor, claro, embora seja conversa muito mais tediosa. Os dois assuntos, porém, são derrotas sérias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sinais de mais riscos, político-institucionais e econômicos.

Rejeição de Messias é vitória da baixa política, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Davi marcou a sabatina de indicado de Lula para 'matar'

Presidente do Senado esperava acordo para indicar Rodrigo Pacheco ao STF

Festa na oposição bolsonarista e frustração na base governista. A derrota histórica que o presidente do SenadoDavi Alcolumbre, impôs ao presidente Lula é um divisor de águas.

Davi acreditava que tinha um acordo de bastidores com Lula para indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para o Supremo Tribunal Federal após a indicação e aprovação do ex-ministro da Justiça Flávio Dino —hoje, o caçador de emendas parlamentares.

Davi nunca mudou de posição. Sempre foi contra Messias e avisou que tinha marcado a sabatina para "matar".

Poderá o STF ter um ministro ateu? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Messias foi crucificado por briga entre o Planalto e o Senado

Suas afirmações sobre religião e STF parecem contraditórias; e são

Jorge Messias é um jurista competente. Foi um erro o Senado tê-lo rejeitado, numa derrota que tem o peso histórico de 132 anos.

Messias foi crucificado na disputa entre o presidente do Senado e o presidente da República, como uma demonstração de força de Alcolumbre de que, um, a eleição já começou e ela não está ganha e, dois, o impeachment dos ministros do STF –que requer apoio de 54 senadores– não está fora de questão.

Poesia | Antônio Abujamra declama Mário Quintana

 

Música | Luiza Lara - O que será (Chico Buarque) -