quarta-feira, 8 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula precisa conter tentação intervencionista

Por Folha de S. Paulo

Governo anuncia mais subsídios para frear preços de combustíveis; pacote deve ser, de fato, temporário

Tarefa seria menos árdua se finanças governamentais não estivessem em situação vulnerável, o que também dificulta o controle da inflação

Na segunda-feira (6), o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PTanunciou novos subsídios temporários para conter o impacto da guerra no Irã sobre os preços domésticos dos combustíveis, desta vez atingindo, além do óleo diesel, o gás de cozinha (GLP), o biodiesel e o querosene de aviação.

No mesmo dia, a Petrobras anunciou a demissão do diretor de Logística, Comercialização e Mercados, área responsável por vendas e formação de preços. Dias antes, Lula havia atacado publicamente um leilão de GLP realizado pela estatal, que resultou em ágios de mais de 100% sobre os valores costumeiros.

Vice de Trump visita Hungria e faz declaração de amor a Orbán às vésperas de eleição, por José Henrique Mariante

Folha de S. Paulo

Vance critica burocratas de Bruxelas em linha com campanha antieuropeia de primeiro-ministro

Magyar, opositor que lidera pesquisas, afirma que história húngara não é escrita por Washington

Juras de amor a Viktor Orbán e críticas aos "burocratas de Bruxelas" marcaram a visita de J. D. Vance a Budapeste nesta terça-feira (7). A presença do vice-presidente dos Estados Unidos, tentativa de dar peso internacional ao contestado primeiro-ministro, ocorre dias antes da eleição parlamentar que pode tirá-lo do poder após 16 anos.

Pesquisas de opinião colocam Péter Magyar, um ex-aliado, com vantagem superior a dez pontos percentuais no pleito de domingo (12). No X, o candidato classificou a visita de Vance de interferência externa. "A história da Hungria não é escrita em Washington, Moscou ou Bruxelas. Ela é escrita nas ruas e praças da Hungria."

Trump amarela e pode conseguir um jeito de mentir sobre a guerra para os americanos, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ataque destrutivo contra Irã provocaria retaliação e pioraria crise do petróleo

Presidente dos EUA vai tentar fazer com que assunto da guerra 'morra', mas crise não acabou

Donald Trump arrumou um jeito de contar uma mentira em casa e, talvez, de se livrar até das consequências mais extremas da desgraça que provocou para si —crise econômica e derrota eleitoral.

Depois de ameaçar varrer o país da face da Terra, Trump recuou do quarto ultimato que deu ao Irã. Não era para valer também a exigência de "rendição incondicional", anunciada no sétimo dia da guerra.

Trump vai dizer que acabou com as armas do Irã, matou suas lideranças piores, "mudou o regime", que a guerra acabou "no prazo" (qualquer prazo). Dirá que sua ameaça de solução terminal levou o regime da Guarda Revolucionária teocrática a reabrir Hormuz, que Trump desdizia ser um objetivo de guerra. Seus ultimatos, porém, vão ser testados por todos os seus adversários e inimigos.

Quão resiliente é Flávio Bolsonaro? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Candidato do clã deverá ser questionado por esquema de rachadinha

Ele também mostra inabilidade com declarações que espantam eleitor moderado

Quão resiliente é Flávio Bolsonaro? A resposta a essa pergunta será decisiva na disputa eleitoral. O primogênito de Jair Bolsonaro herdou os votos e a rejeição do pai, mas não foi ainda, enquanto ser autônomo, submetido ao teste de estresse.

A lista de passivos do postulante do PL é densa. Ele foi flagrado num insofismável esquema de rachadinha, que os mais preciosistas chamam de peculato. Desdobramentos do esquema incluiriam lavagem de dinheiro numa franquia da loja de chocolates da Kopenhagen e a compra de uma mansão em Brasília com valor acima de seus rendimentos oficiais.

Saia do rebanho político, ouse pensar por si mesmo, por Wilson Gomes*

Folha de S. Paulo

Em meio à patrulha ideológica, pensar por conta própria tornou-se um ato de resistência

A vida pública se transformou em uma sucessão de testes morais e alinhamentos forçados

Se você já não aguenta mais gente patrulhando cotidianamente a sua opinião, exigindo-lhe um posicionamento moral explícito sobre qualquer coisa como condição para decidir se você presta ou não, se já não suporta militante apertando a sua mente e forçando a sua mão, você não está sozinho. Há muitos brasileiros como você —e me incluo entre eles— sentindo-se como a bola de um pinball político alucinado, arremessada para lá e para cá, à procura de uma saída em meio a tanto barulho e histeria.

A guerra no estreito de Ormuz está chegando aqui, por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

Dá para ficar tranquilo diante da guerra no Golfo Pérsico? Não dá. O Brasil importa cerca de 20% do petróleo produzido na região, além do que 70% dos fertilizantes usados na agricultura (42 milhões de toneladas), 30% passa pelo Estreito de Ormuz. São mais de 10 milhões de toneladas. Como efeito da guerra, Putin resolveu suspender por um mês, renovável por mais um, as exportações desses insumos. No Brasil essa interrupção cai justamente na época de plantios. Significa, portanto, que a safra brasileira de grãos, projetada para 354 milhões de toneladas, que supre o mercado interno e torna o Brasil um dos principais produtores de grãos do Planeta, corre sérios riscos de ter, em 2026, uma menor produtividade e, em consequência, uma redução significativa da produção. Não sei se pode faltar alimentos, mas tudo tende a ficar mais caro.

Nossas raízes democráticas, por Vagner Gomes

Livro resenhado: MAESTRINI, Alexandre Müller Hill. Nossas riquezas pretas: biografias afro-juizforanas. Juiz de Fora (MG). EDITAR. 2025.

Disponível gratuitamente aqui: 

https://institutoautobahn.com.br/index.php/nossas-riquezas-pretas-jf/

Pode-se dizer, então, que desde o seu parecer antiprotecionista, Rebouças começara a aproximar a Alemanha do seu quadro de referência, concedendo-lhe uma densidade ética comparável à da aristocrática Inglaterra e, por via de consequência, ao yankismo que preconizava para o Brasil. Rebouças mudaria também a sua definição de Estado: a qualificação do Estado como “gendarme” das “classes feudais” seria alterada pelo reconhecimento da multiplicidade de interesses abrigados sob o Estado modernizador do século XIX. (…)

Maria Alice Rezende de Carvalho – O Quinto Século: André Rebouças e a Construção do Brasil, p. 207.

Poesia | Chico Science - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Aldir Blanc - Resposta ao Tempo (Aldir Blanc e Cristovão Bastos)