sábado, 21 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula e Alcolumbre têm de acelerar sabatina de Messias

Por O Globo

Presidente precisa enviar mensagem oficial, e inquirição deve ser logo. STF não pode ficar com ministro a menos

Não é razoável o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuar procrastinando a formalização da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, à vaga aberta em outubro pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Logo em novembro, Lula anunciou que seu escolhido era Messias. O indicado se disse “honrado”, e tudo parecia seguir o rito habitual. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para 10 de dezembro, prazo que não daria a Messias tempo de se apresentar aos senadores. Em seguida desentendimentos emperraram o andamento. O governo, receoso de não contar com os 41 votos necessários para a aprovação, segurou o envio da mensagem presidencial ao Senado com o nome de Messias — e Alcolumbre cancelou a sabatina. Desde então, o Supremo tem funcionado com apenas dez ministros.

Carmen Lúcia e a esperança às mulheres, por Juliana Diniz

O Povo (CE)

A sua proposição "parem de nos matar, porque nós não vamos morrer" traduz de forma didática uma reflexão filosófica muito profunda: a de que é impossível negar a liberdade de uma mulher ou de qualquer ser humano

É difícil para uma mulher bem informada se manter confiante e esperançosa nos tempos que vivemos. As razões são múltiplas, e cito algumas só para ilustrar o quão grave é o nosso problema. Falo da evidência cotidiana da violência generalizada que vitimiza tantas mulheres; da deficiência do Estado em proteger e promover mudanças estruturais; do déficit de representação política que dificulta uma transformação mais profunda da sociedade; do empobrecimento econômico que atua como obstáculo substancial para a autonomia e desenvolvimento feminino.

Calmaria antes da tempestade, por Murillo de Aragão

Veja

Os escândalos podem se transformar num incêndio institucional

O clima político é de calmaria tensa, entremeada por rumores, boatos e suposições que atiçam a curiosidade dos observadores da política nacional. Brasília é hoje uma espécie de parque temático de escândalos. São eles: a questão do INSS e o roubo dos aposentados, as investigações — que alcançam dezenas de parlamentares — sobre desvios na execução de emendas orçamentárias e o indefectível e profundo escândalo do Banco Master, que ainda tem como subtema a potencial intervenção ou federalização do banco estatal de Brasília.

Faroeste político, por José Casado

Veja

Orçamento secreto tem até ameaça de morte em disputa de propina: ‘Bala na cara!’

Dois deputados federais e um suplente condenados por unanimidade a mais de cinco anos de cadeia por corrupção no repasse de verbas do Orçamento a prefeituras, via emendas parlamentares. E, também, uma deputada algemada à tornozeleira eletrônica, acusada de ladroar aposentados e pensionistas do INSS. Assim terminou o verão na Câmara dos Deputados.

Vai ter mais nas próximas estações, à margem do calendário eleitoral. Há “dezenas” de políticos, nas palavras do juiz Flávio Dino, na fila de inquéritos e ações penais para julgamento no Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de desvio bilionário de verbas públicas.

Estratégias de desenvolvimento, pobreza e desigualdade, por Marcus Pestana

Há razoável consenso sobre ser a melhoria do padrão e da qualidade de vida da população o objetivo final das políticas públicas. No entanto, os caminhos e as estratégias para atingi-lo não são pacíficos. Há diversas concepções sobre o papel do Estado e o modelo de desenvolvimento a perseguir.

 Fato é que, em 1980, o Brasil estava entre os 50 países de maior renda per capita, e hoje estamos em 87º. lugar, a nove posições da metade mais pobre do mundo.  Fomos ultrapassados, em 45 anos, por Coréia do Sul, China, Chile e Uruguai, entre outros. Por que escolher como marco o ano de 1980? Foi aí que se esgotou o ciclo de industrialização e urbanização, iniciado em 1930 e acentuado após a 2ª. Grande Guerra, e sucessivas crises inflacionárias e de Balanço de Pagamentos se abateram sobre o País, superadas pelo Plano Real (1994) e pelo boom das comodities (2003/2010).

O paradoxo do STF, Cláudio Couto

CartaCapital

O mesmo tribunal tão fundamental para defender a democracia agora semeia condições para que ela seja solapada

E indubitável que o Supremo Tribunal Federal foi crucial na defesa da democracia durante o governo de Jair Bolsonaro e depois dele. No primeiro período, foi bastião de resistência a ataques perpetrados contra o regime democrático, o Estado de Direito e a ordem federativa. Isso ficou claro no combate à disseminação de desinformação (fake news), na investigação sobre os atos antidemocráticos e na atuação durante a pandemia. Associado à Corte Suprema, à qual se sobrepõe, o Tribunal Superior Eleitoral zelou pela integridade das eleições e pela defesa do voto.

Flávio Dino, o republicano, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

O ministro enfrenta os privilégios no Judiciário e a farra das emendas

As notícias sobre supersalários, penduricalhos, privilégios e abusos de juízes fazem lembrar o diálogo entre Alexandre, o Grande e o pirata Diomedes, relatado por Plutarco e disseminado por Santo Agostinho e pelo Padre Antônio Vieira. Em um ponto da conversa, Alexandre questiona o capturado pirata da seguinte forma: “Quem te dá o direito de navegar pelos mares, tomando à força coisas que não lhe pertencem?” Ao que o pirata responde: “Com o mesmo direito que tu tens de molestar o mundo inteiro. Eu tenho apenas um pequeno barco e por isso sou chamado de ladrão. Tu tens uma grande armada, e por isso és chamado de imperador”.

A hermenêutica do ornitorrinco, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Cláudio Balieiro Jr.

CartaCapital

O capital financeiro, ao subordinar o valor presente da riqueza aos rendimentos, se conserva, se nega e se supera

A Economia Capitalista Monetária da Produção só pode ser compreendida como um processo histórico, no qual produção, circulação e valorização se articulam desde o início sob a mediação do dinheiro. Não se trata, portanto, de uma teoria do valor tomada em sua forma pura ou abstrata, mas de relações inerentes e socialmente fetichizadas, nas quais a valorização do valor se impõe como princípio organizador da vida social.

Manhã alvissareira, por Guto Rodrigues

Meu avô me dizia que no tempo da guerra dormia, sonhando que a manhã alvissareira traria a notícia do fim de Hitler e Mussolini.

Houve festa, multidões tomaram as ruas.

Hitler roto, derrotado se suicidou no bunker, Mussolini foi malhado e decapitado em praça pública.

Montou-se palanque, meu avô subiu e aprovou o fim do nazifascismo e exaltou a vitória do socialismo.

Morreu feliz no século passado, com a certeza de que o nazifascismo foi sepultado, pra sempre.

"Não passarão! Enquanto todos dormem. Tem alguém acordado no Kremlin, cuidando da paz".

Mas o século passado foi breve, nele mesmo, tudo foi desconstruído. Como dizia Marx, afirmado por Engels: "tudo que é sólido desmancha no ar".

O Kremlin do meu avô evaporou-se e o nazifascismo ressurgiu

Nesse novo século. Trump encarna Hitler, Netanyahu encarna Mussolini e são os flagelos da guerra, que eles mesmo inventaram.

Matam as crianças, roubam riquezas dos países pobres, bombardeiam cidades.

Matam líderes e não respeitam as leis da paz e o mundo assiste perplexo.

Ontem, achei guardado, o pijama que meu avô dormia pra sonhar, no tempo da guerra. Hoje à noite vou dormir com o seu pijama. Tomara que venha uma manhã alvissareira, por aí.

Poesia | Memória declamado, por Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Sidney Miller - Botequim Nº1