Raphael Di Cunto / Folha de S. Paulo
Partido acelera candidatura para estruturar
campanha e nacionalizar nome do escolhido
Eduardo Leite e Ronaldo Caiado seguem atuando para convencer a sigla a lançá-los
O presidente do PSD, Gilberto
Kassab, sinalizou a aliados que deve anunciar na próxima semana o nome do
governador Ratinho Jr.
como o pré-candidato à Presidência do partido. A informação foi confirmada por
três integrantes da cúpula da legenda que o apontam como favorito para vencer a
disputa interna. Ainda assim, eles evitam cravar a escolha pelo receio de que
conversas finais mudem o desfecho.
A ideia da direção do partido e dos governadores é acelerar a divulgação do nome para que o escolhido possa estruturar sua campanha e se apresentar ao país, uma vez que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou seu nome de forma mais rápida do que era esperado na sigla.
Integrantes da direção do PSD imaginavam que
a transferência de votos do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) para o filho mais velho demoraria mais, e por isso
tinham marcado a escolha do candidato a presidente para abril, depois da janela
partidária para quem for candidato definir seu partido –que acaba dia 4. No
entanto, o senador
cresceu rapidamente nas pesquisas, se aproximou do presidente Lula (PT) no
primeiro turno e já se encontra empatado com o petista no segundo turno.
Dirigentes do partido dizem que Ratinho virou
o favorito dentro do PSD para assumir
a candidatura por algumas razões: por estar filiado há mais tempo,
aparecer melhor nas pesquisas e conseguir uma boa aceitação entre os eleitores
de menor renda por causa do pai, o apresentador de TV e empresário Ratinho.
Seria um nome também com baixa rejeição, além de se debatido há meses entre os
filiados.
Em entrevista para jornais de Santa Catarina,
o presidente estadual do partido e integrante do conselho político do PSD,
Jorge Bornhausen, afirmou que se reuniu com Kassab e
ouviu que a decisão já está tomada.
"Ficou ajustado que no dia 25 de março
será anunciado o nome do Ratinho Júnior. Eu faço parte da comissão de escolha.
Evidentemente, respeitando os outros dois grandes governadores, eu optei pelo
Ratinho Júnior, que é de centro-direita como eu. Esse é o caminho que o
eleitorado deseja", declarou Bornhausen.
A Folha procurou ele e Kassab para
comentarem, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.
Ratinho disputa com outros dois
governadores, Eduardo Leite (Rio
Grande do Sul) e Ronaldo
Caiado (Goiás), a pré-candidatura à Presidência. Aliados afirmam que
eles procuraram Kassab para questioná-lo sobre a escolha e ouviram que o
martelo ainda não está batido e que a decisão ocorrerá até o fim do mês.
Kassab tem conversado com os três para
garantir que renunciem ao governo local até 4 de abril e se candidatem
nas eleições de
outubro. A estratégia é que aqueles preteridos para a Presidência disputem o
Senado ou como vice, numa chapa pura do PSD.
De acordo com dirigentes e parlamentares da
sigla, a preferência sempre foi por Ratinho, mas dependia de uma decisão dele
próprio de concorrer. Flávio ainda tenta demovê-lo, ao ameaçar com um
rompimento do acordo no Paraná, onde o PL apoiaria o sucessor escolhido pelo
governador em troca da vaga para o Senado.
Com a candidatura presidencial de Ratinho, o
PL afirma que terá o senador Sergio Moro (União Brasil)
como candidato ao Governo do Paraná. Isso pode ocorrer pelo próprio PL ou pelo
União Brasil, caso Moro consiga convencer a federação do partido com o PP a
lançá-lo candidato. A campanha de Flávio terá uma reunião com os dois partidos
nesta semana.
Apesar de figurar melhor do que os
concorrentes internos nas pesquisas, Ratinho está bem atrás de Lula e de Flávio
no primeiro turno. O PL tenta convencê-lo a se aliar a Flávio, com a
possibilidade de ser vice, mas no PSD o discurso é de que há espaço para
crescimento até outubro e que uma aliança com a direita ou a esquerda racharia
o partido nos estados.
A pesquisa Datafolha mais
recente mostra Ratinho com 7% das intenções de voto no primeiro turno, no
cenário estimulado (quando são apresentados os candidatos). Lula teria 38% e
Flávio, 32%. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), teria 4%, seguido
por Renan Santos (Missão), com 3%, e Aldo Rebelo (DC), com 2%. Outros 11% dizem
que votariam em branco ou nulo e 3% afirmam estarem indecisos.
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137
municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois
pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral
sob o código BR-03715/2026.

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