O Estado de S. Paulo
Que Xandão se voltará contra seus sócios: não há dúvida. Questão de tempo; que ainda não chegou. Que o governo – sócio oportunista – tentaria se livrar de Xandão: tampouco havia dúvida. Pressionado pela combinação entre ano eleitoral e fator Master, Lula tenta se desvincular de Alexandre de Moraes já, às pressas, descarte prematuro baseado na ficção ousada de que ele, aliando-se ao bolsonarismo, teria trabalhado pela rejeição a Jorge Messias.
Literatura fantástica: Moraes se associara a Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro – dedicando-se assim à obra que ergueu novo patamar competitivo para a bancada do impeachment de ministro do Supremo no Senado – num pacto pela reeleição do presidente do Senado em 2027, o que garantiria o bloqueio a processos de impeachment de ministros do STF; algo que ninguém poderia prometer, a Casa a ter 2/3 de suas cadeiras em disputa, projetada a eleição de senadores bolsonaristas em volume sem precedentes.
Literatura fantástica: Moraes se associara a
Alcolumbre e Bolsonaro para impedir que a formação da dupla Messias e André
Mendonça compusesse novo centro de poder no tribunal a partir da gestão da relatoria
do caso Master – que não pouparia ministros do Supremo. Não havendo quaisquer
indícios de que Mendonça transformariaas apurações em devassa sobre as relações
de togados com a rede vorcárica. Ao contrário: o vazamento das conversas
havidas na reunião secreta blindadora de Dias Toffoli o teve exposto como um
dos mais vocais na defesa corporativista, decerto ciente do que sejam
precedentes.
Literatura fantástica: Moraes se associara a
Alcolumbre e Bolsonaro para impedir que a formação da dupla Messias e Mendonça,
novo centro de poder, ajudasse o Planalto a investigar profundamente as
traficâncias vorcáricas. Caso em que a sociedade xandônico-bolsonarista
atrapalharia a constituição de parceria entre a relatoria de Mendonça e o
governo Lula. Uau!
O conjunto conspiratório só faz sentido no
discurso que os petistas tentam tornar influente: o do Lula antissistema,
vítima de armação. Abordagem sob a qual deveríamos esquecer que o “antipizza”
Messias fora indicado para compor-robustecer a bancada governista no Supremo,
“a terceira casa legislativa” – uma das expressões do sistema, aquela graças à
qual o Planalto governa, chamando seus senadores-togados, Xandão entre eles, a
lhe resolver os problemas, como quando da intervenção no IOF.
No mundo real, o STF está blindado. Moraes mesmo tornou restritivo o compartilhamento de relatórios do Coaf. Gilmar Mendes mudou o quórum necessário para impeachment de ministro e forjou para si prevenção sobre qualquer investigação parlamentar contra os supremos. O nascimento da CPI do Master foi asfixiado bem antes de qualquer negociação relativa a Messias. Com a ajuda do governo Lula, Alcolumbre e STF fulminaram as CPIs do Crime Organizado e do INSS. E a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, certa desde a manifestação do presidente, não poderia ser objeto de acordo nem motivo de surpresa.

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