Folha de S. Paulo
Uma das condições essenciais a um candidato é
transmitir do eleitor entusiasmo pelo cargo que disputa
Não foi o que exibiu o petista durante meses,
ao afirmar que preferia chefiar a campanha de Lula ou sair de cena
Um dos pré-requisitos essenciais ao candidato a cargo eletivo é a capacidade de transmitir ao eleitorado entusiasmo pela função que pretende conquistar. Presidente precisa demonstrar gosto em comandar a nação, governador em administrar o estado e prefeito em gerir a cidade.
Não é algo que tenha exibido Fernando
Haddad (PT), desde que o presidente
Luiz Inácio da Silva (PT) cogitou a candidatura dele ao governo
de São Paulo.
Da cogitação à imposição, lá se vai Haddad ao enfrentamento de uma parada dura
com Tarcísio de
Freitas (Republicanos), governador bem avaliado no que interessa, a
gestão.
Todo mundo viu, e o paulista em particular
pôde observar a contrariedade do ministro da Fazenda durante meses em que se
esquivou da missão; preferia coordenar a campanha de Lula ou
se retirar para um período de estudos. Reconheceu o problema ao tratar logo de
dizer que não estava indo para o "sacrifício".
Teria o direito de exercer sua escolha não
fosse o PT um partido em que vontades individuais nada valem diante daquilo que
seu mestre mandar. Não vai aí uma desqualificação do método, apenas uma
constatação factual.
Pois bem. Temos, então, que Haddad não entra
na disputa entusiasmado por governar São Paulo, mas com a tarefa de produzir o
maior volume possível de votos no maior colégio eleitoral do país no intuito de
dar a Lula um capital capaz de fazer a diferença entre a derrota e a vitória na
votação nacional.
Daí surge a indagação pertinente: o que o
eleitor paulista médio, aquele não se pauta por afeto ideológico, pensa disso?
O paulistano já deu sua opinião em 2016, quando o então prefeito Fernando
Haddad não conseguiu ser reeleito.
O cenário pode ter mudado, é verdade, Haddad
pode ter conquistado adeptos em sua passagem pela Fazenda, embora não seja o
que indique a percepção negativa sobre a economia registrada nas pesquisas.
Mas, admitamos a existência de uma taxa de sucesso. Será suficiente para o
eleitorado votar no governador só para ajudar o presidente?

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