quarta-feira, 6 de maio de 2026

Sem saída, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Donald Trump iniciou uma guerra contra o Irã que não sabe como encerrar

Impopularidade do conflito nos EUA pode ser decisiva nas eleições de novembro

Donald Trump começou uma guerra absolutamente desnecessária contra o Irã, só colheu reveses e agora não consegue sair da encrenca que armou para si mesmo. Embora proclame várias vezes por dia ter vencido brilhante vitória, os fatos são que o regime de Teerã continua de pé, o estreito de Hormuz continua fechado para a navegação e os iranianos continuam em posse de seu urânio enriquecido, sem dar sinais de que pretendam encerrar seu programa nuclear. Pelo contrário, a guerra deve ter reforçado a convicção dos generais persas de que só estarão seguros se desenvolverem armas atômicas.

Desacerto entre aliados é obstáculo para Flávio Bolsonaro, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Senador faz bonito nas pesquisas, mas em casa e na campanha o ambiente é do mais completo desalinho

Arranca-rabos internos suscitam dúvida sobre quem de fato mandaria num novo governo bolsonarista

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ecoa o velho provérbio que usa a figura da "bela viola" para falar do contraste entre imagens externas e realidades internas.

Nas pesquisas de opinião, o senador faz bonito. Aparece vigoroso, com traços de vencedor. Em casa, o ambiente é de completo desalinho. Os irmãos brigam com os companheiros de campo ideológico —ainda distante da condição de aliados—, a mulher do pai preserva distanciamento para lá de crítico e parte dos correligionários ainda prefere a condição de espectadores não engajados.

Que emoção no coração! Por Pablo Spinelli*

Dedicado aos 50 anos de Liberalismo e Sindicato no Brasil, obra de fibra do flamenguista Luiz Werneck Vianna

Filme resenhado: Zico, o samurai de Quintino. 2025.  Direção: João Wainer. Roteiro: Thiago Iacocca

É com uma raridade cada vez mais constante que vemos raios luminosos em dias cinzentos, no cinema atual, com o mesmo brilho e leveza como foram os 103 minutos da exibição de Zico, o samurai de Quintino. 

Uma biografia jamais pode ser considerada uma fonte verdadeira. E muito do que é retratado do perfil do biografado tem maior consonância com o biógrafo ou com o momento conjuntural do que com o perfil a ser exposto. Em um país que se diz do futebol – tal como a Argentina, Itália, Inglaterra, dentre outros – é de difícil compreensão que tão poucos filmes se debrucem sobre o universo futebolístico. Após clássicos sobre Garrincha, Alegria do povo (1962) e sobre Pelé: o nascimento de uma lenda (2017), cremos que o filme completa uma venturosa trilogia daqueles jogadores que transcenderam o espírito clubista e o ranço dos adversários.  

O alienista: a força das eleições virá do centro, e não dos polos, por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

O brasileiro acaba de ganhar uma nova opção para votar para Presidente da República nas eleições de outubro. É o que, aparentemente, se precisa diante dessa mobilização anárquica pelo País: um psiquiatra. Surgiu Augusto Cury, médico, pesquisador da mente humana, autor de quase 40 milhões de livros de auto ajuda vendidos, preocupado com os desorganização institucional do Brasil, a saúde mental do brasileiro, as expectativas de futuro da juventude, bem como as tendências comportamentais dos políticos atuais. O Brasil tem tradição de transgressão e violência.

Um livro que nos honra a todos, por Ivan Alves Filho*

Terminei de ler, por esses dias, um livro dos mais interessantes. Trata-se de Sorriso escondido, de autoria de Alfredo Maciel. De formação marxista, engenheiro, professor, seu autor rememora sua vida e sua militância, incluindo uma passagem pela antiga União Soviética. Nesta obra, a história pessoal se mescla à História recente do nosso país.

Escrita em linguagem acessível, como uma conversa, o livro cobre um período crucial da nossa trajetória social e política, com ênfase na resistência democrática ao regime instalado no país após 1964. 

Assim, Alfredo Maciel abre espaço para o movimento estudantil, a atuação dos intelectuais, marxistas e/ou católicos. Denuncia as indescritíveis torturas infligidas ao padre Henrique, assessor de Dom Hélder Câmara. No livro, o autor relata seu convívio com figuras importantes da vida cultural e política brasileira. Nomes como Luiz Werneck Vianna, Leandro Konder, Sérgio Augusto de Moraes, Carlos Alberto Torres, Antônio Ribeiro Granja e Edmílson Martins são lembrados por ele com emoção. 

Poesia | Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, de Luís de Camões

 

Música | Nora Ney - Preconceito (Fernando Lobo e Antonio Maria)