Folha de S. Paulo
Ex-governador de Minas ajuda Flávio Bolsonaro
a parecer mais palatável ao eleitorado
Zema já criticou restrições ao trabalho
infantil e chamou beneficiários do Bolsa Família de imprestáveis
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) está fazendo um ótimo trabalho para que Flavio, o outro presidenciável que já foi denunciado por rachadinha e elogiou milicianos como um "novo tipo de policiamento", pareça palatável quando não o é. Zema tem defendido posições extremistas em sua pré-candidatura à presidência que fazem qualquer Delfim Moreira, presidente entre 1918-1919 que tinha fama de ter alucinações, parecer um político são e equilibrado.
As falas de Zema não são apenas cortes feitos
para viralizar nas redes sociais, são mentiras que desvirtuam problemas reais
atrás de uma cortina de fumaça. Minas Gerais, ocupa o segundo lugar no ranking
de denúncias de trabalho infantil do Ministério Público do Trabalho, sendo 918
em 2025, mais do que o dobro do que em 2021 (429). Zema mente sobre o Bolsa
Família: em 10 anos, 60,7% dos beneficiários conseguiram deixar o programa,
longe de serem o estereótipo propagado por Zema.
Com apenas 4% das intenções de voto no Datafolha de meados de abril, Zema sabe
que não vai ganhar a eleição, mas confia que pode ganhar, ao menos, projeção
num mundo digital em que posições extremistas são recompensadas com
visibilidade. Zema dobrou o engajamento e triplicou o número de publicações no
mês de abril, crescendo 56% nas redes, segundo levantamento da consultoria
Datrix.
Zema, o governador que deixou o cargo com um rombo nas contas públicas de R$
11,3 bilhões e cujo alto escalão foi alvo de operação contra esquema de
corrupção de licenças ambientais, preciso explicar, antes de polemizar, o seu
deplorável trabalho na gestão pública.

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