Folha de S. Paulo
Donald Trump iniciou uma guerra contra o Irã
que não sabe como encerrar
Impopularidade do conflito nos EUA pode ser
decisiva nas eleições de novembro
Donald Trump começou uma guerra absolutamente desnecessária contra o Irã, só colheu reveses e agora não consegue sair da encrenca que armou para si mesmo. Embora proclame várias vezes por dia ter vencido brilhante vitória, os fatos são que o regime de Teerã continua de pé, o estreito de Hormuz continua fechado para a navegação e os iranianos continuam em posse de seu urânio enriquecido, sem dar sinais de que pretendam encerrar seu programa nuclear. Pelo contrário, a guerra deve ter reforçado a convicção dos generais persas de que só estarão seguros se desenvolverem armas atômicas.
No papel, a economia dos EUA tem
muito mais condições de suportar as restrições impostas pelo conflito do que a
depauperada economia iraniana. Na prática, porém, a tolerância psicológica dos
eleitores americanos a frustrações econômicas é muito menor do que a dos
iranianos, que nem têm muitas condições de opinar. Apesar dos muitos estragos à
democracia que Trump já ocasionou, os EUA ainda são um regime sensível à
opinião pública, que não está gostando nem um pouco dessa guerra e menos ainda
da alta de preços que ela gerou.
O mandato do Agente Laranja vai até janeiro
de 2029, mas em novembro
próximo ele enfrenta eleições legislativas. Se perder o controle do
Congresso, hoje com as duas Casas nas mãos dos republicanos, sua capacidade de
provocar novos danos aos EUA e ao mundo será parcialmente contida. O tamanho da
contenção dependerá da habilidade dos democratas de selecionar candidatos com
boas perspectivas de vitória. O mais provável é que a Câmara mude de comando,
mas, no Senado, que é mais importante, as chances estão em 50%.
O que aconteceu com o mundo, deve estar-se
perguntando o leitor são. Meu palpite é que a memória coletiva dos desastres
gerados por dirigentes autoritários e delirantes só dura algumas décadas. De
tempos em tempos, o esquecimento engendra crises. Se tivermos sorte, as
democracias sobrevivem a elas e saem com suas defesas temporariamente
reforçadas contra essa patologia.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário