quinta-feira, 26 de março de 2026

Legado de Cláudio Castro é chacina e corrupção, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Seu governo foi o binômio dinheiro vivo, de um lado, e gente morta, de outro

Sem fortalecer instituições, estado está fadado a repetir outros Castros

Com a maioria formada no Tribunal Superior Eleitoral para condenar à inelegibilidade o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), na noite desta terça-feira (24) —não graças aos dois ministros indicados por Bolsonaro, também do partido de Castro—, é oportuno fazer um balanço de sua gestão. Duas palavras sintetizam o governo castrista: chacina e corrupção.

Seu legado se resume a ter comandado operações policiais que mataram muita gente, sem ganho em controle de território de facções e milícias, e a ter ganhado eleições em meio a um esquema de saque de dinheiro público por milhares de pessoas com cargo-fantasma.

Castro no poder se baseou no binômio dinheiro vivo, de um lado, e gente morta, de outro. Os anos Castro, se auditados, impressionariam pelos números superlativos do vil metal e de sangue humano.

Na operação Contenção, 122 mortos, cinco deles policiais. Foi a mais letal da história do estado e do país, mas qualificada como um sucesso pelo ex-mandatário. Em 2025, foram 180 mortos em tiroteios na região metropolitana do Rio, segundo o Instituto Fogo Cruzado. Ao menos 49 crianças baleadas desde o início do governo Castro, em 2020, de acordo com a ONG Rio de Paz.

Na Ceperj, fundação de pesquisa, 27 mil cargos temporários; na Uerj mais 18 mil —com pagamentos em folha secreta, grande parte em dinheiro vivo. Em oito meses em 2022, as ordens bancárias saltaram de R$ 13 milhões para R$ 69,1 milhões.

A renúncia de Castro um dia antes do julgamento no TSE confirma, de um lado, a falta de institucionalidade no estado em que projetos pessoais de poder —disputar o Senado— se sobrepõem a qualquer preocupação com a decência na condução da política; de outro, o quão delirante é preciso estar o ocupante do Palácio Guanabara para renunciar dizendo ser uma figura respeitada que sai de cabeça erguida.

Se o estado do Rio de Janeiro não investir para fortalecer as instituições capazes de fiscalizar os elos políticos entre dinheiro e sangue, estará fadado a repetir outros Castros.

 

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