sexta-feira, 8 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Aproximação de Lula e Trump permite otimismo

Por O Globo

Agenda positiva é boa notícia, mas ela carece de resultado e precisa ir além da motivação eleitoral

Quebrando a praxe, os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva não deram entrevista conjunta no Salão Oval da Casa Branca. O motivo alegado foi terem extrapolado o tempo para reunião e almoço. Ficaram juntos quase três horas, quando o previsto eram duas. Ao fim, Trump publicou uma mensagem sóbria. Descreveu Lula como “dinâmico”, disse que a “reunião correu muito bem”, que debateram comércio e tarifas e prometeu reuniões futuras entre representantes dos dois países. Lula foi mais efusivo: “Demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos. É uma demonstração de que as duas maiores democracias do continente podem servir de exemplo ao mundo”.

A relevância dos estados para a democracia, por Fernando Luiz Abrucio*

Valor Econômico

O federalismo precisa ser mais incorporado na interpretação dos caminhos e descaminhos democráticos do Brasil

A disputa presidencial de 2026 será decisiva ao país, disso ninguém tem dúvida. Só que o debate político precisa aprender a ter um olhar mais sistêmico para tantos cargos eletivos em jogo. Desde que as eleições se tornaram “casadas”, em 1994, a competição pelo Palácio do Planalto ocorre simultaneamente às corridas eleitorais nos estados. Até que nos últimos anos tem aumentado a cobertura sobre o lado regional do pleito geral que ocorre a cada quatro anos - César Felício faz isso brilhantemente aqui no Valor. Só que é preciso avançar mais na compreensão do papel da esfera estadual na democracia brasileira.

Obviamente é difícil fazer uma cobertura jornalística e análises políticas que consigam captar tanta disputa numa mesma eleição: presidente, senadores, deputados federais, governadores e deputados estaduais. O peso da Presidência da República é muito grande no sistema político brasileiro, mas mesmo essa característica tem se modificado com o poder cada vez maior adquirido pelo Congresso Nacional - o que deveria levar a aumentar o acompanhamento das disputas pelas cadeiras congressuais, tarefa para a qual, infelizmente, a sociedade brasileira ainda não se preparou.

O que o Senado votou foram os limites de seu poder, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Não era o destino de Jorge Messias que estava em julgamento, e sim o STF e o presidente da República

Entretido no trabalho, eu estava apenas ouvindo de longe a transmissão do resultado da votação do nome do indicado pelo presidente da República para o STF, Jorge Messias. Tive a impressão de que já ouvira aquela voz dizendo mais ou menos a mesma coisa, muitos anos antes. Aos poucos a conexão se fez.

Era a voz do senador Auro Soares de Moura Andrade, um criador de gado na região de Andradina (SP), presidente do Senado Federal. Advogado formado pela USP.

A alta aprovação é essencial para reeleger Lula? Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Na contagem regressiva para as eleições, num cenário em que os índices de aprovação da gestão lulista não crescem na mesma proporção que a angústia de petistas e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ganha importância o debate sobre a real influência da avaliação de governo no resultado das urnas.

Um grupo de cientistas políticos sustenta que um presidente com a aprovação de seu governo inferior a 45% não tem chance de se reeleger, enquanto outra parcela de especialistas enumera outros fatores que seriam decisivos para a vitória do candidato, como uma campanha bem-sucedida, e/ou o conjunto de erros e fragilidades do adversário.

Em menos de 24 horas, presidente Lula ressurge das cinzas, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Operação da PF e visita à Casa Branca ajudam a reverter ideia de que o governo morreu

Com menos de uma semana de vida, a ideia de que o “governo acabou” com a derrota da indicação do ministro da Advocacia Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal morreu precocemente em três lances: a operação da Polícia Federal, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca e a aprovação do marco regulatório dos minerais críticos.

A decisão do ministro André Mendonça que teve o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI) como alvo coloca na fila o presidente do União, Antonio Rueda, e, finalmente, o presidente do Senado e capitão da derrota do Messias, Davi Alcolumbre (União-AP).

A “química” entre Lula e Trump na Casa Branca funcionou mais uma vez, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Nem a Casa Branca quis transformar o encontro numa cobrança pública, nem havia interesse brasileiro em abrir conflitos que comprometessem o simbolismo político da aproximação

Apesar do cenário glamouroso da Casa Branca, o cardápio do almoço entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump foi quase um feijão com arroz. Após a conversa formal entre ambos, os dois almoçaram salada de alface-romana com jicama (uma espécie de nabo mexicano, antioxidante, rico em vitamina C, E, selênio e betacaroteno), gomos de laranja, abacate com molho cítrico. O prato principal foi bife grelhado com purê de feijão preto, minipimentões doces e relish de rabanete com abacaxi. De sobremesa, pêssegos caramelizados e torta de panna cotta com mel, acompanhados de sorvete de crème fraîche. Trump dispensou a laranja, como fizera com os temas mais polêmicos das relações entre os dois países.

O tempo próprio de Minas, por Vera Magalhães

O Globo

Estado, um dos mais cruciais para definir a eleição presidencial, assiste a indefinições à esquerda e à direita, que dificultam traçar um prognóstico

Minas Gerais ocupa um lugar singular na política brasileira porque reúne três características decisivas: é o segundo maior colégio eleitoral do país, tem um eleitorado social e regionalmente muito heterogêneo e, historicamente, costuma reproduzir o comportamento médio do eleitor brasileiro.

Por isso, cientistas políticos frequentemente descrevem Minas como uma espécie de “microcosmo do Brasil”, ou nossa versão de “estado-pêndulo”. Reúne regiões com perfil econômico, cultural e ideológico muito diferentes e oscilou da esquerda à direita ao longo dos últimos ciclos presidenciais.

A sorte de Ciro Nogueira, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Pelas provas citadas por André Mendonça, chefão do PP não pode reclamar da sorte

Demorou, mas a Polícia Federal enfim bateu à porta de Ciro Nogueira. O senador estava na mira desde o início do escândalo do Master. Numa mensagem célebre, Daniel Vorcaro o descreveu como um dos “grandes amigos de vida”.

Para o ministro André Mendonça, a relação extrapolava a “mera amizade”. De acordo com as investigações, Ciro recebia mesada de até R$ 500 mil. Além disso, usava o cartão do banqueiro para pagar voos internacionais, hotéis de luxo e restaurantes estrelados.

Um movimento para reformar a universidade, por Pablo Ortellado

O Globo

A formação dos estudantes se enriquece quando exposta a perspectivas plurais

Um grupo de professores lançou nesta semana um manifesto em defesa do pluralismo, da neutralidade institucional e da liberdade acadêmica nas universidades brasileiras. O manifesto busca enfrentar o cerceamento à liberdade acadêmica que se tornou rotineiro nas instituições.

Em maio de 2021, o reitor da UFPB desligou a TV UFPB do programa Univerciência, uma rede de universidades e emissoras públicas nordestinas. A decisão ocorreu após professores, no lançamento do programa, terem criticado a falta de investimento nas universidades e homenageado Paulo Freire. O reitor justificou o desligamento alegando “falta de afinidade” com as pautas e os trabalhos desenvolvidos.

O prelúdio de uma grande campanha, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Será que algum candidato vai colocar a reforma política institucional no topo de sua agenda?

A campanha mal começou, mas recebo constantemente mensagens de amigos sobre o futuro imediato. Não sei se têm muitos votos, sei apenas que são exigentes e esperam muito do futuro presidente. Acham que sem uma reforma política e institucional, não vale a pena a vitória. Só o eleito, com a legitimidade dos votos, poderia liderar algo assim no Brasil. Pensam numa reforma dos Três Poderes. O Executivo precisa ser responsabilizado, o Legislativo precisa se livrar do fisiologismo medular e perder o controle do Orçamento, que usa como quer. O Judiciário está tão carente de reformas que as ideias estão surgindo do interior da instituição.

PF coloca Master perto de Flávio Bolsonaro, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Uma aliança com a federação PP-União Brasil era perseguida. Agora, tornou-se tóxica

Políticos à esquerda e à direita ouvidos pela coluna acreditam que a Polícia Federal apenas começou a puxar o fio das relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os partidos do Centrão.

Atingido ontem pela 5.ª fase da Operação Compliance Zero, o senador Ciro Nogueira (PPPI) é o parlamentar com maior proximidade com Vorcaro, mas está longe de ser o único.

Estão sendo aguardados com ansiedade em Brasília os próximos desdobramentos das investigações. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça demonstrou que não tem qualquer comprometimento com grupos partidários ao autorizar a operação.

Vida e morte das universidades, por Simon Schwartzman*

O Estado de S. Paulo

É a multiplicidade de funções e interesses que faz com que as universidades se mantenham e floresçam

Em artigo recente, os economistas David Cutler e Edward Glaeser tratam de explicar como as universidades têm sido capazes de existir por mais de mil anos e o papel importante que elas desempenharam e ainda desempenham em várias partes do mundo (How Have Universities Survived for Nearly a Millennium, NBER Working Paper 35079, 2026).

O segredo, dizem eles, está na combinação entre uma cooperativa de professores, com autonomia substancial sobre ensino e pesquisa e entidades externas de financiamento e controle – igreja, governos, filantropos, empresários, doadores. Eles têm interesses diferentes, mas que convergem. Os professores querem um lugar onde tenham liberdade para exercitar sua curiosidade, desenvolver e expor suas ideias sem se preocupar com de onde vem o dinheiro, e os controladores querem um lugar para onde possam mandar seus jovens e os melhores profissionais sejam formados. Cada um precisa ceder um pouco. Os professores precisam gastar tempo dando aulas e não exagerar em suas liberdades, a ponto de os controladores cortarem seus recursos; e os controladores precisam se cuidar para não forçar os professores a fazer o que não querem, matando a galinha de ovos de ouro.

Juros pelo núcleo de inflação? Por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Para o vice-presidente da República Geraldo Alckmin, o estrago produzido pelos juros altos ficará substancialmente reduzido se for feita uma pequena mexida na meta de inflação.

Se para definir os juros, em vez de medir a inflação pelo IPCA cheio (custo de vida), como é agora, for adotado o critério de núcleo de inflação, os juros podem despencar.

Núcleo de inflação, assim entendido, é o mesmo IPCA, só que expurgado das variações de preços dos alimentos e dos combustíveis, dois itens voláteis, sujeitos a frequentes choques de oferta. Chuva demais ou chuva de menos ataca os preços do chuchu; um espirro da Opep mexe com os preços do petróleo e do gás...

Lula já é pato manco ou pode reverter isolamento eleitoral? Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Assistimos ao filme da derrota para a frente Master, centrão e bolsonarismo? Delação de Vorcaro pode ser 'plot twist'?

Situação de petista se estreita, num processo que já vinha se desenhando com a colaboração do próprio PT

Os efeitos eleitorais do grande revés do presidente Lula no Senado, com a recusa do nome de Jorge Messias para um lugar no Supremo Tribunal Federal, não podem ser subestimados. Não basta considerar que o eleitorado não se preocupa com indicações ao STF e que o tema será esquecido.

Como já se analisou, a derrota, sem precedentes em 130 anos, é um sinal claro de que a candidatura do petista ingressa numa nova fase do que já se configurava como um processo de isolamento político e eleitoral.

Lula está sendo empurrado para um confinamento no campo da esquerda, num quadro em que se tornam mais difíceis ainda alianças valiosas do centro à direita.

A fantástica multiplicação dos penduricalhos, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Juízes pagam preço por recorrer a subterfúgios para reajustar seus próprios salários

Dano não é apenas reputacional, mas afeta a própria credibilidade do sistema judicial

Ser visto fazendo coisas tidas como erradas sempre causa dano reputacional ao autor da ação. O tamanho do prejuízo, porém, varia, dependendo não só da gravidade do malfeito mas também de sua relação com a história da pessoa ou instituição envolvidas.

Imagine dois políticos, ambos flagrados num caso extraconjugal. Um deles é um libertário meio hippie, que sempre defendeu o amor livre. O outro é um ultraconservador, que só falava na sacralidade da família.

Conflito de interesses assola tribunais superiores, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Casos se acumulam nas cortes altas e evidenciam a necessidade de que haja um regramento de condutas

Códigos de ética não resolvem, mas são um começo na imposição de freios ao exercício desenfreado do poder

O tema do conflito de interesses chegou para ficar, e pelo visto se ampliar, nos tribunais superiores. Já tínhamos o problema da venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a questão de ligações perigosas no Supremo (STF), a criação de novos penduricalhos na Justiça Militar (STM) e agora temos a venda de cursos para advogados na corte do trabalho (TST). Esses tópicos não contam a história toda das incorreções em curso nesse universo, mas ao menos fortalecem a evidência da necessidade de um regramento de condutas.

Aos cuidados do ICE, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A polícia de imigração de Trump não quer saber se você pode ser inocente ou se tem 85 anos

Uma denúncia rende a invasão de uma casa e a ida de seu morador para a cadeia até a expulsão

No dia 1º de abril último, uma senhora francesa, Marie-Thérèse Ross-Mahé, residente no Alabama, no sul dos EUA, foi acordada às 5h da manhã por gente batendo à porta de sua casa. Não eram batidas normais, mas murros e chutes contra sua porta e janelas. Marie-Thérèse acordou assustada. Vestiu um roupão, calçou os chinelos e foi abrir. Ao fazer isto, foi empurrada para dentro por três policiais aos gritos, que a algemaram e a enfiaram no banco de trás de um carro. Espremida entre eles, ela soube que eram agentes da imigração.

Lula concede coletiva após encontro com Trump na Casa Branca: veja íntegra

 

Poesia | Há 81 anos fim da 2ª Guerra Mundial - Fernando Pessoa, Cecília Meireles e Carlos Drummond de Andrade. 3 Poemas sobre guerra

 

Música | Elis Regina - Gracias a La Vida (Violeta Parra)