O Estado de S. Paulo
Uma aliança com a federação PP-União Brasil era perseguida. Agora, tornou-se tóxica
Políticos à esquerda e à direita ouvidos pela
coluna acreditam que a Polícia Federal apenas começou a puxar o fio das
relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os partidos do Centrão.
Atingido ontem pela 5.ª fase da Operação
Compliance Zero, o senador Ciro Nogueira (PPPI) é o parlamentar com maior
proximidade com Vorcaro, mas está longe de ser o único.
Estão sendo aguardados com ansiedade em Brasília os próximos desdobramentos das investigações. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça demonstrou que não tem qualquer comprometimento com grupos partidários ao autorizar a operação.
A ação contra Nogueira também cai como uma
bomba na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Torna
mais difícil uma aliança do PL com a federação PP-União Brasil.
Perseguida pelos assessores mais pragmáticos do
senador, a aliança era uma forma de garantir tempo de TV, Fundo Partidário e
prefeitos fazendo campanha em todo o País. Agora, tornou-se tóxica.
O PT já resgatou das redes sociais um vídeo
de Flávio citando Nogueira como possível vice. É uma forma de aumentar a
rejeição do candidato. E a base bolsonarista fica cada vez mais revoltada com a
proximidade de seu líder com políticos supostamente corruptos.
A situação fica ainda pior porque a ligação
direta de Nogueira com Vorcaro ajuda a minimizar o impacto do escândalo do
Banco Master para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o aproxima
perigosamente do candidato da oposição.
Lula vinha pagando o preço nas pesquisas de
intenção de voto por sua associação com o ministro do Supremo Alexandre de
Moraes. O Planalto e o STF caminharam de mãos dadas no inquérito do golpe e até
em questões econômicas.
E o escritório da esposa de Moraes foi pego
em um contrato muito mal explicado de R$ 129 milhões com o Master. Só que agora
é Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, que foi flagrado
recebendo viagens e mesada de R$ 300 mil de Vorcaro.
A situação é tão delicada para
Flávio que o pré-candidato soltou nota
extremamente cautelosa sobre a operação da PF em que nem sequer menciona
Nogueira. Diz apenas que considera os fatos “graves”, que “devem ser apurados
com rigor”, “respeitando o devido processo legal”.
As pesquisas já demonstram uma consolidação
do voto e uma sociedade polarizada entre aqueles que desejam um quarto mandato
de Lula e os que querem tirá-lo do poder. Para os analistas, a vitória está nas
mãos de 4% a 5% de eleitores de centro, para os quais o envolvimento com
Vorcaro pode pesar.

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