Esses dados são
com dólares comparáveis, calibrados pelos organismos internacionais. Perdemos
os quinze anos anteriores ao Plano Real em sucessivas crises cambiais e nos
fracassados planos de combate à hiperinflação. Insistimos num modelo fechado de
desenvolvimento – que deu certo de 1930 a 1980 – sem entender a globalização
que ocorria e usufruir de seus potenciais benefícios. Depois, estabilizamos a
economia, controlamos a inflação, começamos as reformas estruturais, privatizamos,
modernizamos, tivemos ventos favoráveis no boom das comodities. Mas voltamos a
errar. Em 2015, foi a ultrapassagem do indicador mundial em relação ao
brasileiro, em plena recessão vivida no Governo Dilma, com a economia
brasileira dando marcha ré e colhendo crescimento negativo de 3,5% e 3,3%, em
2015 e 2016.
A polêmica sobre
crescer e distribuir não é nova. É famosa a frase do ex-ministro Delfim Neto,
em pleno Milagre Brasileiro, quando o Brasil crescia a exuberantes taxas anuais
de crescimento, como os 14% de 1973, que ao ser questionado sobre a péssima
distribuição de renda, cravou: “Primeiro, é preciso fazer o bolo crescer para
depois dividi-lo”.
A partir da
Constituição de 1988, as forças democráticas procuraram combater as
desigualdades, dividir o bolo. Hoje, os gastos sociais levam a maior parte do
orçamento. No entanto, os investimentos - sementes do crescimento da economia -
despencaram. O Novo PAC – conjunto de ações estratégicas para o desenvolvimento
– representam apenas 1,1% do Orçamento da União. Não adianta crescer sem
dividir, mas também não resolve dividir sem crescer. Continuaremos estagnados e
seremos ultrapassados por outros países, como nos últimos 45 anos.
Aproximam-se as
eleições presidenciais. Os candidatos deveriam responder à esta questão: qual é
o Brasil que queremos em 2070? Qual é o país que queremos entregar aos nossos
netos daqui a 45 anos? E não nos perdermos numa discussão polarizada, rasa, radical
e de baixa qualidade, eivada de idiossincrasias ideológicas, onde predominem
denúncias e acusações mútuas, onde o protagonismo seja do Banco Master e não do
projeto nacional de desenvolvimento.
A eleição é uma
oportunidade rara de mobilização e debate nacional. Que predomine a discussão
profunda sobre a inserção do Brasil num mundo hegemonizado por EUA e China, a
revolução educacional inconclusa, o desenvolvimento científico-tecnológico na
era da IA e da robótica, as oportunidades oferecidas pelos minerais críticos, a
retomada vigorosa dos investimentos em infraestrutura, a melhoria do ambiente
de negócios, o aprimoramento do SUS e o combate sem tréguas ao crime
organizado.
Podemos escolher
o pântano das baixarias ou o debate qualificado sobre cenários de
desenvolvimento nacional. A escolha é nossa. Mas o futuro dos nossos netos
depende dela.

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