PF tem o dever de investigar a fundo elo Flávio-Vorcaro
Por O Globo
Mensagens revelam proximidade do senador e
pré-candidato do PL com o pivô do escândalo Master
Depois dos fatos revelados nos últimos dias,
é dever das autoridades aprofundar as investigações sobre os elos entre o
senador fluminense Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, e
Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master. Mensagens demonstram uma
proximidade incomum entre o senador da República e o banqueiro conhecido pela
generosidade financeira com que promovia seus interesses em Brasília.
Em áudio, Flávio pede a Vorcaro dinheiro para financiar “Dark Horse” (Azarão), filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Há indícios de que as remessas tenham começado em 2025. Entre fevereiro e maio, foram transferidos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) de um total de US$ 24 milhões, segundo reportagem do Intercept Brasil. Nas mensagens em que discutem pagamentos, os dois se tratam por “irmão”.
Atrasos nas parcelas parecem ter sido
frequentes. Cinco dias antes de o Banco Central (BC) barrar a compra do Master
pelo Banco de Brasília, em setembro, Flávio diz saber que Vorcaro passa por
“momento dificílimo”. Afirma estar “sem graça” de cobrar dinheiro. Conta que as
finanças da produção estão em fase decisiva e conclui: “A gente precisa saber o
que faz da vida, porque já tem muita conta para pagar este mês e no mês
seguinte também”. Naquele dia, Vorcaro pede desculpas, e os dois conversam por
telefone.
Em seguida, os contatos se intensificam. No
fim de outubro, Flávio informa que a produção chegou “no limite”. Em 16 de
novembro, manda a seguinte mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre,
não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. No dia
seguinte, Vorcaro foi preso quando tentava embarcar para o exterior, acusado da
maior fraude bancária da História do Brasil, e em seguida o Master foi
liquidado pelo BC.
Flávio omitiu do eleitor a proximidade de
Vorcaro, enquanto cobrava investigações sobre adversários envolvidos no caso
Master. Agora, justificou-se dizendo ser apenas um filho em busca de patrocínio
para um filme sobre o pai. Admitiu que o dinheiro foi para um fundo
administrado pelo advogado de seu irmão Eduardo. Mas não soube explicar as
contradições entre notas dos produtores do filme. Alegou que eram apenas
formais. Não eram. “Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o
governo Bolsonaro já havia acabado e não existiam acusações nem suspeitas
públicas sobre o banqueiro”, afirmou. “Não ofereci vantagens em troca. Não
promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o
governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem.”
Suas explicações são insuficientes. As
dificuldades do Master eram conhecidas pelo menos desde 2024, tanto que o banco
estava à venda. Em agosto daquele ano, o senador Ciro Nogueira apresentou
proposta de interesse do Master aumentando a garantia do Fundo Garantidor de
Créditos para R$ 1 milhão. Só o fato de ser senador e ter de votar projetos de
tal natureza cria conflito de interesses para Flávio.
Também é suspeito o volume de recursos
destinado por Vorcaro a “Dark Horse”, suficiente para financiar cinco produções
como “O agente secreto” ou três como “Ainda estou aqui”. É preciso investigar
se o dinheiro foi todo gasto no filme ou se parte tomou outros caminhos. Claro
que Flávio deve ter presunção de inocência. Mas são ainda mais claros os
indícios que justificam investigações aprofundadas.
Devastação menor na Mata Atlântica decorre do
êxito de políticas ambientais
Por O Globo
Área desmatada recuou 28% em 2025, com
destaque maior para a preservação das florestas maduras
Entre 2024 e 2025, o desmatamento da Mata
Atlântica caiu 28%, de 53.303 hectares para 38.385 hectares. Foi o menor
patamar em quatro anos de monitoramento, de acordo com o Sistema de Alerta de
Desmatamento (SAD), desenvolvido por Fundação SOS Mata Atlântica, MapBiomas e
Arcplan. Ótima notícia para o bioma mais devastado do país, que mantém apenas
24% da vegetação natural e 12% de florestas maduras, que guardam maior
biodiversidade.
Outro dado positivo é que, justamente no
segmento de florestas maduras, a redução foi mais significativa. A área
desmatada despencou 40%, de 14.366 para 8.668 hectares, segundo o Atlas dos
Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, feito em parceria da Fundação SOS
Mata Atlântica com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É a
primeira vez em quatro décadas que a perda de vegetação fica abaixo dos 10 mil
hectares.
Pesquisadores da SOS Mata Atlântica atribuem
esses resultados à mobilização da sociedade, a políticas ambientais, a
restrições de crédito a áreas desmatadas ilegalmente, à consolidação da Lei da
Mata Atlântica e a ações de fiscalização, como a operação Mata Atlântica em Pé.
“São dois anos de redução, e isso aponta para uma trajetória mais consistente”,
diz Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica. “Se
permanecer, pode nos levar ao desmatamento zero até 2030, a meta brasileira.”
Há, no entanto, pontos de atenção. Embora 11
dos 17 estados que abrigam áreas do bioma tenham registrado redução no
desmatamento, noutros seis — Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná,
Santa Catarina e São Paulo — houve aumento. Apenas quatro estados (Bahia, Minas
Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul) concentram quase toda a área afetada (89%).
A queda no desmatamento da Mata Atlântica se
soma a outros resultados positivos. Na Amazônia Legal, a devastação em 2025
caiu 11% em relação ao ano anterior e 50% na comparação com 2022, segundo o
Inpe. No ano passado, a área desmatada foi de 5.796 quilômetros quadrados, a
menor em 11 anos e a terceira mais baixa da série histórica. O Cerrado, que
costuma enfrentar dificuldade para reduzir o desmatamento, também registrou
recuo de 11% em 2025.
No mês passado, um relatório do World
Resources Institute atribuiu aos bons resultados brasileiros a redução de 36%
no desmatamento de florestas tropicais em todo o mundo em 2025. Segundo o
documento, o trabalho no Brasil foi o principal fator a impulsionar o resultado
geral. Mas fez um alerta sobre a vulnerabilidade das florestas aos incêndios.
Embora o Congresso não perca oportunidade de enfraquecer a legislação ambiental, abrindo caminho às motosserras, governos federal e locais têm dado atenção ao tema. Mas o problema está longe de resolvido. As taxas ainda são altas. E não é incomum que os índices oscilem em meio aos solavancos das mudanças climáticas. Os bons resultados indicam um caminho a seguir, mas não se pode baixar a guarda.
Intimidade entre Flávio e Vorcaro é de
estarrecer
Por Folha de S. Paulo
Presidenciável do PL não se livrará da nódoa
de ter chamado de irmão o pivô da roubalheira do Master
O argumento de que se tratou de ação privada
cai por terra diante do padrão inescrupuloso de Vorcaro, que tentou comprar a
República
São estarrecedoras as conversas em que o
senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) cobra do
fraudador Daniel
Vorcaro valores milionários supostamente para a produção de um
filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Começa com essa bomba a campanha de alguém que já reunia escassas credenciais
para pleitear o Planalto.
Os diálogos divulgados na quarta-feira (13)
pelo site Intercept não deixam dúvida da proximidade entre o senador e o
delinquente. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa
entre a gente", escreveu o senador a Vorcaro, em 16 de novembro último,
véspera da prisão do banqueiro por tentativa de fuga.
No afago fraterno, Flávio apelava ao então
dono do Master para que saldasse os R$ 134 milhões prometidos para o filme
"Dark Horse" (azarão), cinebiografia hagiográfica de Jair feita
nos Estados
Unidos. Com a prisão do "irmão" e a derrocada do banco, o
repasse ficou em R$ 61 milhões.
O dinheiro do Master não era de Vorcaro —daí
sua desenvoltura em celebrar contratos vultosos para se aproximar de agentes
públicos. Era produto do maior roubo da história do sistema financeiro
nacional, que custará à sociedade ao menos R$ 60 bilhões.
Policiais desconfiam de que a iniciativa
artística dos Bolsonaros seja fachada para financiar o
ex-deputado fujão Eduardo nos EUA. A hipótese é plausível dada a
fortuna do alegado orçamento, cujo custo rivalizaria
com grandes realizações de Holywood.
A reação do pré-candidato do PL foi
desastrosa. Primeiro negou relação com o ex-banqueiro. Depois, diante do fato,
disse não ter feito nada de errado ao pedir dinheiro para uma ação privada, sem
envolver verba pública. O argumento perde o sentido quando se leva em conta a
fonte pagadora. Vorcaro tentou comprar a República com o seu dinheiro sujo.
Fechou contrato de R$ 129 milhões com o escritório
da mulher do ministro Alexandre de Moraes, repassou R$ 35 milhões à
família Dias Toffoli por
resort. Pagou R$ 6,1 milhões à banca de parentes de Ricardo
Lewandowski, da qual o ex-ministro se licenciou para assumir a pasta
da Justiça.
Com a consultoria do ex-ministro Guido
Mantega, que levou Vorcaro a audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT),
o Master gastou R$ 14 milhões. Desembolsos milionários também houve com
empresas de parentes do governador pessedista Ratinho Júnior (R$ 21 milhões) e
do senador petista Jaques Wagner (R$
12 milhões). Oponente de Wagner na Bahia, o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil)
recebeu R$ 5,5 milhões em consultoria.
O escritório advocatício do presidente do
partido de Neto, Antônio Rueda,
obteve R$ 6,4 milhões do banco. Ao homólogo de Rueda no PP, Ciro Nogueira,
a Polícia
Federal afirma que Vorcaro pagava mesada de até R$ 500 mil.
Esse era o padrão rapace e inescrupuloso do
"irmão" de Flávio Bolsonaro. Por isso o pré-candidato do PL deve
explicações sobre a intimidade com o mafioso.
Rumo ao desmatamento zero na mata atlântica
Por Folha de S. Paulo
Bioma mais ameaçado do Brasil alcança taxa de
devastação abaixo de 10 mil hectares pela 1ª vez em 40 anos
É preciso melhorar a arrecadação de multas,
mas embargo de produtos e corte de crédito de infratores são ações mais
eficazes
Por muitos anos a situação das matas no
Brasil constituiu fonte inesgotável de más notícias. Mas, após a redução no
ritmo de desmate na amazônia e
no cerrado,
agora a mata
atlântica vem confirmar inflexão na tendência lúgubre,
registrando perda abaixo de 10 mil hectares (ha) pela primeira vez desde o início da série histórica, em 1985.
Segundo o Atlas de Remanescentes Florestais,
mantido há 40 anos pela ONG SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram
8.668 ha devastados em 2025, ante 14,3 mil ha em 2024 —redução de
40%. Da cobertura original de 1,3 milhão de ha, restam apenas 12,4%.
Já o Sistema de Alertas de Desmatamento —criado
pela SOS, a rede MapBiomas e a empresa Arcplan em 2022— detecta áreas de corte
menores que o limite inferior de três hectares do Atlas. Com tal resolução, a
queda na destruição foi menor (28%), de 53,3 mil ha para 38,3 mil ha.
Tal monitoramento também capta áreas de
vegetação em pé ignoradas pelo Atlas, o que resulta numa taxa de cobertura
maior (24%) —mas aí se incluem áreas de mata secundária, empobrecida, com menos
biodiversidade.
Melhor que nada, pode-se argumentar. Mas,
ainda assim, longe de prover os serviços ambientais de uma floresta madura:
produção de água, capacidade de sustentar mais espécies e captura de CO2 para
mitigar o aquecimento global. Destruir é fácil e rápido; reconstituir, lento e
custoso.
Tanto a devastação quanto a recuperação da
mata atlântica, ou de qualquer bioma, não ocorrem por acaso, e sim por
desígnio. Não é coincidência que o desmatamento ali tenha recrudescido nos
governos de Dilma
Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair
Bolsonaro (PL), quando prevaleceram
um desenvolvimentismo antiquado, imbuído da ideologia antiambiental prevalente
em setores do agronegócio.
Como 96% das derrubadas de mata atlântica são
promovidas pela agropecuária, de acordo com o SAD, esse setor deve ser o foco
das medidas dissuasórias. É preciso agilizar e modernizar a execução do
pagamento de multas —o Ibama arrecada
em média por ano somente 5%
das penalidades que aplica.
Mais eficazes são intervenções como o embargo
do produto oriundo de desmatamento ilegal e o cancelamento do crédito para
agropecuaristas flagrados por satélites em delitos ambientais.
Ações de inteligência que restauraram a perspectiva de desmatamento zero na mata atlântica deveriam ser replicadas em todos os biomas brasileiros.
O filme de terror de Flávio Bolsonaro
Por O Estado de S. Paulo
O caso da relação de Flávio com Vorcaro expõe
a baixa estatura moral do pré-candidato e torna ainda mais urgente que a
direita democrática se mobilize para se libertar do bolsonarismo
O primeiro teste de estresse da campanha do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência terminou mal. A revelação de que
o primogênito de Jair Bolsonaro cobrou do banqueiro Daniel Vorcaro dinheiro
para alegadamente bancar um filme sobre a trajetória do pai fez mais do que
expor o despreparo político do indigitado: escancarou a sua baixa estatura
moral, deficiência que o torna absolutamente indigno de ser presidente da
República.
Esse episódio torna ainda mais urgente que a
direita democrática se empenhe em construir uma alternativa conservadora séria,
comprometida com a Constituição e com padrões mínimos de decência, para
disputar a Presidência e impedir que o petista Luiz Inácio Lula da Silva ganhe
mais quatro anos para arruinar o País. Para isso, a direita não pode seguir a
reboque de um desqualificado como Jair Bolsonaro e de seu clã, cuja trajetória
política é marcada desde sempre por sua vocação antidemocrática, por sucessivos
escândalos, pela confusão deliberada entre público e privado e pela
imoralidade.
Graças às conversas reveladas pelo site
Intercept Brasil, confirmadas pelo Estadão,
essa depravação fica ainda mais explícita. Nelas, constata-se o grau de
proximidade entre um senador da República, hoje com a pretensão de governar o
Brasil, e um banqueiro que já naquela época era suspeito de ser o protagonista
do maior crime já cometido contra o sistema financeiro nacional.
De acordo com os documentos da Polícia
Federal (PF) publicados pelo site, Flávio Bolsonaro negociou diretamente com
Vorcaro uma quantia equivalente a US$ 24 milhões para a produção de Dark Horse, a tal
cinebiografia do ex-presidente, dos quais US$ 10 milhões já teriam sido pagos
ao longo de 2025.
Primeiro, Flávio tentou negar. Questionado
por jornalistas, disse que se tratava de “mentira”. Depois, quando as provas
vieram à luz, o senador teve de reconhecer que pediu mesmo o dinheiro, mas
enfatizou que se tratava de uma relação “privada”, sem envolver recursos
públicos.
Ora, pouco importa se o dinheiro era privado
ou público. O busílis é a origem dos recursos. A fortuna do sr. Vorcaro não
advém do seu sucesso empresarial em atividades legais. Segundo a PF, o
banqueiro construiu patrimônio por meio de fraudes bancárias, algumas das quais
envolvendo fundos de previdência de servidores públicos em diversos Estados e
municípios, além do Banco de Brasília (BRB). Em paralelo, Vorcaro construiu uma
rede de influência nos Três Poderes, ao que parece a peso de ouro. Tudo isso já
era sabido na época da conversa entre os dois.
O problema central aqui, portanto, é outro.
Flávio Bolsonaro não pode ser tratado como um cidadão qualquer pedindo ajuda a
um financiador qualquer. Era um senador com pretensões presidenciais esperando
receber milhões de dólares de um notório escroque, cuja prisão aconteceria no
dia seguinte à tal conversa.
Ademais, constrange o tratamento fraterno que
Flávio Bolsonaro dispensa a Vorcaro. “Irmão, estou e estarei contigo sempre.
Não tem meia conversa entre a gente”, disse o senador. A frase não deixa margem
para dúvidas sobre a relação de proximidade, confiança e eventual “gratidão
política”, chamemos assim, envolvidas naquela negociação.
Para piorar, a mambembe explicação do entorno
bolsonarista só aprofundou as suspeitas sobre as reais intenções de Flávio
Bolsonaro. O produtor do filme, o deputado Mário Frias (PL-SP), afirmou
textualmente que “não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”. Ora, se não havia
dinheiro do banqueiro na produção, para onde iria a dinheirama cobrada pelo
senador?
Não cabe a este jornal antecipar julgamentos.
Mas tampouco se pode condenar quem acredite que a relação entre Flávio
Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolva suspeitas de lavagem de dinheiro, formação
de caixa dois ou enriquecimento ilícito. Um pré-candidato à Presidência
envolvido em transações desse jaez tem o dever de dar explicações convincentes
ao País, o que Flávio Bolsonaro ainda não fez. Por ora, preferiu mentir, atacar
a imprensa e zombar da inteligência alheia.
O vexame das blusinhas
Por O Estado de S. Paulo
Menos de dois anos após taxar a importação de
bugigangas chinesas, Lula revoga a medida, enfurece indústria e comércio
nacionais e confirma que não tem limites na busca pela reeleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
oficializou o vale-tudo na busca pela reeleição ao zerar o Imposto de
Importação sobre bugigangas estrangeiras – sobretudo chinesas. Conhecida como
“taxa das blusinhas”, a cobrança, que gerou tanta celeuma nos últimos três
anos, foi revogada por meio de uma medida provisória assinada em cerimônia
improvisada no Palácio do Planalto.
O evento em que a nova medida foi anunciada
nem sequer estava na agenda presidencial, mas, segundo a ministra da Casa
Civil, Miriam Belchior, tudo foi pensado “com calma e cuidado” pelo governo. O
ministro do Planejamento, Bruno Moretti, por sua vez, disse que a revogação
contribui para “melhorar o perfil da tributação brasileira”, como se uma medida
puramente eleitoreira pudesse ter o efeito de uma reforma estrutural.
Mas quem se superou mesmo foi o
secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron. Segundo ele,
“depois de três anos em que conseguimos combater o contrabando e regularizar o
setor, nós podemos dar um passo adiante”. É isso mesmo: o contrabando no País,
de acordo com Ceron, teria sido praticamente “eliminado” em razão da taxa das
blusinhas. É sintomático que a perda da arrecadação com a suspensão do imposto,
que garantiu R$ 1,78 bilhão somente nos quatro primeiros meses do ano e R$ 5
bilhões em 2025, não tenha sido sequer mencionada.
O governo petista simplesmente não consegue
ser honesto a respeito da taxa das blusinhas. Primeiro, decidiu implantá-la
unicamente com o objetivo de aumentar a arrecadação – mas a desculpa na época
era de que se fazia necessário “equilibrar o jogo” no varejo brasileiro, como
argumentou o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Agora, edulcora a
decisão de suspender a taxa com argumentos que insultam a inteligência dos
cidadãos brasileiros e que mal e porcamente escondem o caráter escandalosamente
eleitoreiro da medida.
A indústria têxtil e o comércio varejista,
claro, ficaram furiosos, e com toda a razão. As bugigangas chinesas jamais
foram isentas de Imposto de Importação, mas o governo se abstinha de cobrá-lo
quando os envios eram realizados entre pessoas físicas e o valor do produto era
inferior a US$ 50. Tal brecha acabou por ser fartamente explorada por
plataformas estrangeiras que se passavam por pessoas físicas, fracionavam as
encomendas e inundavam o País com quinquilharias sem pagar impostos.
Não é uma questão de protecionismo comercial.
Os produtos asiáticos, sobretudo chineses, já chegam ao País a preços abaixo
dos praticados no mercado exatamente porque são subsidiados já na origem. Com a
isenção do Imposto de Importação, passam a ter uma vantagem adicional diante de
setores nacionais que geram empregos, pagam tributos e enfrentam condições mais
que desfavoráveis para produzir e comercializar no País, a começar pelas altas
taxas de juros. Na prática, o governo optou por subsidiar empresas estrangeiras
em detrimento da indústria e do comércio locais, por puro interesse eleitoral.
Melhor seria reduzir a carga tributária suportada pelas empresas brasileiras,
de modo a melhorar a competitividade do produto nacional ante a inundação de
blusinhas chinesas. Mas isso um governo petista, perdulário por natureza,
jamais faria.
Lula, a bem da verdade, sempre manteve uma
atitude pusilânime em relação ao tema. A cobrança da taxa das blusinhas poderia
ter sido instituída por meio de medidas infralegais, mas veio por meio de um
jabuti envergonhado no projeto de lei sobre o Programa Mover, de incentivos à
indústria automotiva. Coube ao então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),
mobilizar os parlamentares pela aprovação da proposta, provavelmente à custa de
muitas emendas ao Orçamento.
A mobilização recente da oposição para
derrubar a taxa acrescenta insulto à injúria. Quando a medida que instaurou a
cobrança tramitava no Congresso, ninguém trabalhou para derrubá-la, tanto que o
texto passou por 380 votos a 26 na Câmara e por 67 votos a zero no Senado. E
Lula, embora dissesse ser pessoalmente contra a cobrança, não vetou o texto à
época.
Em resumo, nada do que está relacionado à tal
taxa das blusinhas diz respeito aos interesses dos cidadãos brasileiros. Os
únicos interesses atendidos são os dos políticos que só pensam em voto, e não
no País.
Espírito protecionista
Por O Estado de S. Paulo
Ação da UE contra carne brasileira pegou o
governo de ‘surpresa’, mas não deveria
A decisão da União Europeia de retirar o
Brasil da lista de países autorizados a vender produtos de origem animal a
partir de setembro foi recebida “com surpresa” pelo Planalto. A confidência
chama atenção menos pelo tom diplomático do que pelo que sugere sobre a forma
como Brasília ainda enxerga o comércio internacional. Não havia muito de
inesperado no episódio. As exigências sobre antimicrobianos eram conhecidas há
anos. O próprio setor privado já trabalhava em protocolos de adaptação. E o
acordo Mercosul-União Europeia inevitavelmente ampliaria o escrutínio
regulatório sobre o agro sul-americano.
A Europa pratica, há muito tempo, uma forma
sofisticada de protecionismo agrícola. Tarifas explícitas foram suplantadas por
barreiras sanitárias, ambientais e técnicas. Resíduos químicos,
rastreabilidade, regras climáticas, bem-estar animal, certificações e
auditorias passaram a funcionar como instrumentos de filtragem comercial. O
componente político é evidente. Agricultores europeus continuam entre os grupos
mais protegidos e subsidiados do mundo. Países como França ou Polônia
transformaram interesses setoriais em força de veto em Bruxelas. Mesmo embalado
em roupagem ambiental ou sanitária, o impulso protecionista é indisfarçável.
Ainda assim, nossos parceiros no Mercosul,
assim como México ou Colômbia, permanecem habilitados a exportar para o bloco.
Não houve nenhuma “surpresa” em Buenos Aires ou Montevidéu.
O agronegócio brasileiro já opera em escala
global. A Europa, embora menos relevante do que China ou EUA, tornou-se um
mercado particularmente valioso pela sofisticação e pelo prêmio pago por
qualidade. As vendas de carne brasileira ao bloco cresceram mais de 130% no ano
passado. Nada disso sugere fragilidade produtiva. O problema apareceu na camada
institucional.
O comércio internacional mudou mais
rapidamente do que parte do Estado brasileiro parece ter percebido. Grandes
mercados passaram a exportar seus padrões regulatórios junto com seus
interesses econômicos. O debate já não se restringe à qualidade do produto.
Envolve documentação, rastreabilidade, protocolos sanitários e capacidade de
comprovação permanente. Em cadeias superiores de alimentos, qualidade sem
certificação robusta vale cada vez menos.
Por isso a reação do governo importa tanto
quanto o episódio em si. Comitês de crise e reuniões emergenciais podem
dissipar a turbulência imediata. O risco está em tratar cada nova exigência
como evento excepcional. O acordo Mercosul-UE tende a aprofundar a dinâmica
protecionista, não suavizá-la. Quanto maior a presença brasileira nos mercados
ricos, maior será a pressão regulatória sobre cadeias produtivas, sistemas de
inspeção e mecanismos de rastreamento.
O Brasil tem razões legítimas para criticar o protecionismo europeu. Mas indignação não substitui preparação. O agro demonstrou capacidade extraordinária de produtividade, tecnologia e adaptação. O desafio é construir um aparato estatal capaz de acompanhar esse avanço. Mercados sofisticados compram produto, processo e prova ao mesmo tempo. É nessa fronteira que a competição internacional está sendo decidida.
Em modo eleitoral, governo abre as torneiras
do crédito
Por Valor Econômico
A volúpia de estímulos pode se aproximar de
R$ 200 bilhões se o governo bater o martelo em R$ 30 bilhões de créditos para
renovação da frota para taxistas e motoristas de aplicativos
O governo federal perdeu qualquer escrúpulo
em usar dinheiro público em programas de cunho eleitoral que beneficiem a
candidatura à reeleição do presidente Lula. A sequência de medidas nos últimos
dias é frenética. Com os atos recém-anunciados, sabe-se que a União e os bancos
públicos se incumbirão de financiar a renovação de todo tipo de transporte do
país: caminhões, ônibus, máquinas e implementos agrícolas, carros para taxistas
e motoristas de aplicativos. Estuda ainda crédito para motos para entregadores
de aplicativo, e, em praticamente todos os casos, com taxas abaixo da Selic.
Além disso, não há dívida em atraso que o governo não se proponha a auxiliar,
bancando garantias na renegociação, de produtores rurais a consumidores e
pequenas e médias empresas.
O milagre da multiplicação do dinheiro, em
uma gestão que encerrará seu mandato em dezembro com déficit de cerca de R$ 50
bilhões, está sendo feito sem que a meta fiscal e o avanço das despesas
permitidos pelo regime fiscal sejam alterados. Medidas legais técnicas, com
fins não discerníveis para não especialistas, foram tomadas para preparar o
terreno a aportes do Tesouro em fundos públicos e privados com participação do
Estado, permitindo o uso de superávits de vários deles para financiamentos. É o
que está sendo feito, a toque de caixa, para melhorar a popularidade do
presidente, cujo índice de desaprovação de seu governo ainda supera o de
aprovação. Há pelo menos uma dezena deles que bancou operações de R$ 164
bilhões no ano passado (Folha de S. Paulo, 30 de abril).
Grande parte desses fundos foi criada com
destinações específicas que, uma vez cumpridas, deveriam devolver os saldos de
recursos ao Tesouro para redução dos débitos públicos. Isso não ocorreu, e hoje
são veículos para mais empréstimos a atividades. Em geral, são bilhões de reais
que não transitam pelo Orçamento da União, o que levou um relatório técnico de
auditoria do Tribunal de Contas da União a classificar o uso de 16 desses
veículos públicos e privados como “estruturas orçamentárias e financeiras paralelas”.
A recomendação dos técnicos, que ainda necessita de aprovação da cúpula do
tribunal, é que a União deixe de utilizar esses expedientes e os substitua por
procedimentos orçamentários, plenamente transparentes e facilmente auditáveis.
Até o início da semana, havia aumento de
crédito e gastos com benesses no ano eleitoral de R$ 145 bilhões. A volúpia de
anúncios de novas providências elevou esta conta em mais alguns bilhões e ela
se aproximará mais dos R$ 200 bilhões se o governo bater o martelo em R$ 30
bilhões de créditos para renovação da frota para taxistas e motoristas de
aplicativos.
Ministros e equipe econômica negam que as
medidas visem a estimular o consumo, e sim o investimento, um argumento torto.
O investimento em primeiro momento eleva a demanda para só depois ampliar a
capacidade de oferta. Por outro lado, a taxa de investimento do país, a que
aparece na contabilidade nacional, está em queda e não em expansão.
As ações mais recentes do Planalto foram o
subsídio à gasolina, item de maior peso individual no IPCA, a renovação do
subsídio ao diesel, que expiraria no fim de maio, e a revogação da “taxa das
blusinhas”, imposto federal de 20% a bens importados de até US$ 50, instituída
sob intensa polêmica em junho de 2024. O governo argumentou que o imposto
inibia o consumo dos mais pobres, e o ministro Bruno Moretti, do Planejamento,
que seu fim melhoraria o “perfil de nossa tributação”.
Ninguém explicou por que o imposto foi
criado, mas a mensagem eleitoral é clara.
Como o Congresso não votou com a presteza
esperada pelo Planalto o projeto de lei que permite usar o aumento de
arrecadação com o petróleo para compensar os subsídios à gasolina, diesel, gás
e biocombustíveis, o governo anunciou em MP que haverá subvenção de até R$ 0,89
por litro na gasolina e R$ 0,35 no litro de diesel. A intenção oficial, por
enquanto, é bancar o subsídio do litro da gasolina, a um custo de R$ 1,2 bilhão
por mês. A Warren Investimentos estima gastos de R$ 35,4 bilhões do programa,
com compensação de R$ 19,28 bilhões com aumento de tributação, especialmente o
imposto de exportação, e custo líquido de R$ 15,86 bilhões.
A Petrobras deve
aumentar em breve o preço da gasolina, que, segundo a associação dos
importadores, está defasada em R$ 1,60 por litro em relação à cotação
internacional. A subvenção proposta permitiria à Petrobras reduzir de um quarto
à metade essa diferença com reajustes, sem que o preço em tese se alterasse
para o consumidor.
Ao usar pesada artilharia eleitoral, em crédito com taxas de juros abaixo da Selic, a conta do subsídio implícito — diferença entre taxas que o Tesouro paga para se financiar e aquela pelo qual será remunerado — será cobrada do Tesouro, isto é, dos contribuintes. Às voltas com o choque do petróleo, de um lado, e medidas expansionistas ininterruptas, o Banco Central poderá ter de interromper corte dos juros em breve. Depois de herdar R$ 150 bilhões para gastar do governo Bolsonaro, com a PEC da transição, o governo Lula amplia estímulos à economia acima disso, via créditos, para se eleger. Eleito, herdará mais rombos fiscais do que os que não quis resolver em quatro anos.
China, EUA e o alerta de Tucídides
Por Correio Braziliense
A falência do diálogo entre as duas potências
não é uma hipótese distante, mas um processo de ruptura em curso que ameaça
qualquer vestígio de estabilidade global.
Há 2.500 anos, o historiador grego Tucídides
observou que a Guerra do Peloponeso, na Grécia Antiga, não foi causada por um
incidente específico, mas simplesmente pela ascensão inevitável de uma potência
que ameaçava a hegemonia da outra. "A ascensão de Atenas e o medo que isso
provocou em Esparta tornaram a guerra inevitável", disse. A lição
atravessou os séculos e ganhou nome contemporâneo: a "Armadilha de
Tucídides" descreve o risco estrutural de conflito quando uma força
emergente desafia a estabelecida.
Na cúpula realizada nesta quinta-feira em
Pequim, o líder chinês Xi Jinping colocou essa armadilha explicitamente na mesa
ao questionar o presidente Donald Trump se China e Estados Unidos conseguirão
escapar dela. Não foi digressão acadêmica. Foi o reconhecimento de que a
falência do diálogo entre as duas potências não é uma hipótese distante, mas um
processo de ruptura em curso que ameaça qualquer vestígio de estabilidade
global.
O paralelo entre Atenas e Esparta é evidente
no atrito entre China e EUA. O conflito já se materializa diariamente na
inflação persistente, no custo dos combustíveis e na volatilidade cambial que
penaliza o poder de compra das populações. A guerra tarifária permanente, o
bloqueio cruzado no mercado de semicondutores e a reconfiguração forçada das
cadeias de suprimentos transferem uma fatura altíssima, impiedosamente, aos
países em desenvolvimento. Enquanto Washington e Pequim jogam xadrez pela
supremacia tecnológica e militar, as nações do Sul Global enfrentam pressões
severas para escolher um lado, sacrificando segurança alimentar e energética em
nome de um alinhamento que não lhes oferece garantia alguma.
O histórico recente da relação bilateral não
autoriza qualquer entusiasmo. A política externa norte-americana, marcada pela
imprevisibilidade e pela ameaça constante de rupturas tarifárias unilaterais,
encontra sua contrapartida no expansionismo assertivo de Pequim, na intimidação
sobre Taiwan, no controle agressivo das rotas do Mar do Sul da China. Na última
década, ambos os governos notabilizaram-se por esvaziar fóruns multilaterais e
instrumentalizar as regras de comércio como arma de coerção. Falar em
"coexistência" num cenário em que a confiança mútua foi
deliberadamente destroçada soa como estratégia retórica para ganhar fôlego, não
como inflexão genuína.
O que o impasse atual — entre uma potência
estabelecida que resiste em ceder espaço e uma nação ascendente que reivindica
protagonismo imediato — exige não é um armistício calibrado pelas conveniências
do calendário político de cada capital, mas salvaguardas concretas: regras de
comércio previsíveis, canais de comunicação que funcionem fora das cúpulas e
mecanismos de contenção de crises que independem da disposição pessoal de dois
líderes.
A invocação de Tucídides serve como lembrete de que a história não costuma perdoar a arrogância de grandes impérios. Se os Estados Unidos insistirem na contenção de Pequim pela força comercial bruta, recusando-se a acomodar o novo peso geopolítico chinês, e se a China confundir ascensão econômica com salvo-conduto para atropelar a soberania alheia, o confronto deixará de ser uma analogia política com a Grécia Antiga para se tornar um trágico fato consumado. A história reserva encargos pesados para quem subestima o custo de um erro de cálculo nessa escala.
A insuficiência das explicações de Flávio
Bolsonaro
Por O Povo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é
pré-candidato à Presidência da República pelo seu partido, está obrigado a
apresentar explicações mais convincentes sobre suas relações com o notório
ex-banqueiro Daniel Vorcaro, consideradas as revelações apresentadas nas
últimas horas em reportagem do site The Intercept. Demonstra-se imperativo que
tudo seja esclarecido, numa primeira instância em respeito aos seus eleitores,
aliados e simpatizantes.
O material jornalístico que caiu como uma
bomba nos meios políticos nas últimas horas revela uma proximidade pessoal
entre Flávio e Vorcaro com a publicação de mensagens que os dois trocavam,
inclusive enquanto as investigações contra o ex-banqueiro avançavam. Uma delas
foi captada um dia antes de sua prisão quando tentava embarcar para Dubai,
viagem - que a Polícia Federal entendeu como tentativa de fuga - objeto de
tratativa na conversa entre os dois.
Abstraída a questão eleitoral, é importante
que um representante escolhido pelo voto popular, hoje no Senado da República,
dê as expplicações acerca do que tem sido publicado. De início, àqueles que
nele depositaram confiança para exercer um mandato. Até porque, até então, ele
procurava mostrar distanciamento do personagem apontado como responsável pelo
maior escândalo do sistema financeiro do Brasil, preso desde novembro de 2025.
Ideia que o material do The Intercept, ao
qual Flávio Bolsonaro não fez reparo quanto à legitimidade, contraria de
maneira frontal, ao expor um intenso fluxo de conversas e contatos entre os
dois, parte deles indicando haver uma relação pessoal para além do protocolar.
Além disso, um acerto para que Vorcaro financiasse um filme que, na linha
cinebiográfica, conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do
senador.
É natural que o episódio esteja tendo ampla
repercussão nos meios políticos e seja discutido sob a perspectiva eleitoral,
mas, de início, cobre-se de Flávio Bolsonaro, a partir da função pública que
exerce, explicação sobre a extensão do seu relacionamento com Daniel Vorcaro.
Ontem houve a sexta operação da Polícia Federal como desdobramento da
investigação em torno da fraude que levou à quebra do Banco Master, para
diálogos no nível dos que apareceram nas últimas horas, parte deles envolvendo
um pedido explícito de (muito) dinheiro não merecer uma resposta que esclareça
ponto a ponto as dúvidas levantadas pelo material jornalístico.
Quanto ao projeto de candidatura presidencial do senador, neste momento é algo secundário na perspectiva da sociedade. Menos para seu grupo político e a militância mais arraigada, que pode definir suas prioridades e trabalhar em torno delas. Flávio Bolsonaro é que não pode, nesta hora crucial, fazer uma escolha equivocada.

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