Por Estevão Taiar, Marlla Sabino e Sofia Aguiar/Valor Econômico
Moraes defendeu que texto só entre em vigor após julgamento de questionamentos; bolsonaristas criticam movimento
A oposição ao governo federal começou a falar
em uma reação à suspensão, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Alexandre de Moraes, da Lei da Dosimetria. No sábado (9), Moraes suspendeu a
aplicação da lei até que o plenário do STF julgue Ações Diretas de
Inconstitucionalidade (ADIs), ajuizadas respectivamente pela Associação
Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação Psol-Rede. A Lei da Dosimetria,
que reduz penas de condenados pelos atos do 8 de janeiro e beneficia o
ex-presidente Jair Bolsonaro, tinha sido promulgada um dia antes pelo
presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Uma das medidas defendidas por parlamentares foi a votação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) em tramitação na Câmara dos Deputados que limita decisões monocráticas do STF.
“Cabe à Câmara reagir com firmeza e aprovar,
com urgência, a PEC contra decisões monocráticas que suspendam leis aprovadas
pelo Congresso”, disse em nota o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho
(PL-RN).
O texto a que Marinho se refere foi aprovado
pelo Senado em 2023 e prevê, entre outros pontos, que o STF só possa suspender
a eficácia de leis por meio de decisão colegiada. A matéria foi aprovada pela
Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em 2024, mas não avançou.
Também crítico à decisão de Moraes, o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, disse que a
suspensão parece “um jogo combinado” e representa uma “canetada burocrática”
contra uma decisão dos parlamentares.
O texto aprovado pelos parlamentares altera
trechos da Lei de Execução Penal, de 1984, e do Código Penal, de 1940. Com
isso, permite que, em crimes contra as instituições democráticas, possa ser
considerado para o cálculo da pena somente o crime mais grave - sem somar a
pena prevista para outros tipos de ilegalidades que tenham sido cometidas. As
mudanças abrem a possibilidade de redução da pena de Bolsonaro, condenado a
mais de 27 anos por liderar uma trama para reverter o resultado das eleições em
2022.
A suspensão realizada por Moraes, que foi
sorteado na sexta-feira como relator das ações que contestavam a lei, foi uma
resposta a pedido da defesa de uma mulher condenada pelos atos de 8 de janeiro.
Segundo Moraes, as ADIs representam “fato processual novo e relevante”, que
poderão “influenciar no julgamento” e recomendam “suspensão da aplicação da
lei, por segurança jurídica, até definição da controvérsia pelo Supremo
Tribunal Federal”. Ainda não há definição sobre quando o STF julgará as ADIs.
Moraes tinha dado decisões semelhantes em ao
menos dez ações que pediam a aplicação da lei, afirmando que era preciso antes
julgar as ações que questionavam a constitucionalidade do texto.
Já os governistas comemoram a decisão do
ministro do Supremo.
“Bomba para o bolsonarismo. Alexandre de
Moraes acaba de suspender a validade da Lei da Dosimetria”, disse o deputado
federal e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara, Pedro Uczai
(PT-SC), no X. “Aqueles que tentaram reduzir as penas para os golpistas
criminosos que queriam destruir nossa democracia, assassinar presidente eleito,
vice-presidente, ministro e implantar ditador no Brasil perderam.” (Colaborou Tiago Angelo)

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