Folha de S. Paulo
Conversa é o primeiro áudio conhecido de
alguma autoridade cobrando dinheiro diretamente do dono do Master
O valor do negócio acertado chama atenção e
exige explicações do Flávio sobre o real destino dos recursos
O áudio
divulgado pelo site Intercept Brasil com uma conversa
entre Flávio
Bolsonaro e Daniel
Vorcaro mostra uma relação indiscutivelmente próxima entre os
dois.
É o primeiro áudio conhecido de alguma
autoridade cobrando dinheiro diretamente de Vorcaro. O diálogo chegou como um
tsunami à campanha do pré-candidato do PL ao Palácio do
Planalto, balançou a República e caiu como uma bomba no mercado financeiro.
O filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro cobra dinheiro do dono do Master, o brasileiro mais tóxico do momento, de quem todos os políticos querem ficar a léguas de distância, para pagar um filme que conta a história do pai.
É uma quantia astronômica. Vorcaro pagou R$
61 milhões para financiar o filme
"Dark Horse", e Flávio pediu mais. O total negociado
chegou a R$ 134 milhões, valor superior aos R$ 129 milhões do contrato de três
anos firmado pelo Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de
Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de
Moraes.
É preço de produção cinematográfica digna de
Hollywood. Difícil imaginar que algum filme tenha custado tanto na história do
cinema nacional. Um crítico de cinema resumiu o quadro: nem que o Bolsonaro
fosse todo criado digitalmente, chegaria a um terço disso.
O filme "Ainda
Estou Aqui", tão criticado pelo bolsonarismo e que rendeu
um Oscar,
custou R$ 45 milhões, de acordo com estimativas do setor.
O valor do negócio acertado chama atenção,
levanta suspeitas sobre lavagem de dinheiro para o financiamento de campanha e
exige explicações de Flávio Bolsonaro sobre o real destino dos recursos.
A resposta do senador, de que foi uma relação
privada, e o apelo a chavões do Bolsonarismo, como o uso da Lei Rouanet, não
convenceu: "Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet".
Pelo visto, Flávio prefere receber recursos
de um banqueiro acusado de crimes do que um incentivo tributário previsto numa
lei em vigor.
Na Faria Lima, esta quarta-feira (13) é
chamada de Flávio's Day, com os juros
futuros dando um pulo.

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