O Globo
No STF existe uma disputa antes velada, agora
quase escancarada, para saber que grupo controlará a maioria do plenário ou,
pelo menos, da Primeira Turma, hoje composta pelos ministros Flavio Dino,
Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Carmem Lucia e Luis Fux.
Em meio a toda crise institucional que o Supremo Tribunal Federal (STF) vive, existe uma disputa antes velada, agora quase escancarada, para saber que grupo controlará a maioria do plenário ou, pelo menos, da Primeira Turma, hoje composta pelos ministros Flavio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Carmem Lucia e Luis Fux. O provável futuro ministro da Casa, Jorge Messias, vai compor esse grupo, pois Fux pediu para sair por divergências com a maioria dele. O indicado pelo presidente Lula está tendo ajuda até mesmo dos ministros indicados por Bolsonaro, como André Mendonça e Nunes Marques, mas conta também com ministros mais ligados a Lula, como Gilmar Mendes.
Essa nova composição do plenário do Supremo
terá importância fundamental, por exemplo, no julgamento do caso do Banco
Master, mas pode atuar até mesmo na definição da eleição do Rio de Janeiro se o
processo de sua sabatina no Senado for mais rápido do que a decisão sobre o
Rio. No momento, o ministro Flavio Dino, que é um dos quatro ministros que já
se pronunciaram no julgamento virtual a favor da eleição direta, pediu vistas
para ganhar tempo até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgue o
acórdão da decisão que tornou inelegível o então governador do Rio Cláudio
Castro.
Os ministros do TSE, comandados pela
presidente Carmem Lucia, não aceitam que o STF tome uma decisão diferente do
que o TSE já decidiu, isto é, pela eleição indireta, já que a renúncia de
Castro aparentemente não foi analisada no julgamento, que já havia sido
começado quando ele renunciou, tendo dois votos na direção da cassação de seu
mandato, seguindo a relatora. Como são três ministros do Supremo que compõem o
atual plenário do TSE- presidido pela ministra Carmem Lucia, e mais os
ministros André Mendonça e Nunes Marques - eles já têm quatro votos, pois o
ministro Luis Fux também já votou a favor da eleição indireta.
Como falta um membro na Corte, pode dar
empate. Os ministros Edson Fachin e Dias Toffoli vão decidir a parada, se der
empate, ganha a parte que está sendo contestada, o governo do Rio de Janeiro.
Não há dúvidas de que o então governador Cláudio Castro deu um golpe
renunciando, evitando que o julgamento do TSE cassasse seu mandato, o que
levaria automaticamente a uma eleição direta para o mandato-tampão. A
presidente do TSE, ministra Carmem Lucia, definiu como “uma agressão” a
proposta de parte dos ministros do STF de se realizar uma eleição direta, muito
mais ainda a proposta do ministro Cristiano Zanin de que haja apenas a eleição
de outubro, com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador
Ricardo Couto permanecendo no cargo até o fim do ano.
Para complicar - ou facilitar - o julgamento,
a Lei da Ficha Limpa já prevê que se a renúncia for para escapar da cassação,
ela não vale. Já existe na lei eleitoral, portanto, a punição para esse tipo de
caso. Os que, com ingenuidade ou intencionalidade, argumentam que o governador
Cláudio Castro já havia anunciado que seria candidato ao Senado, alegam essa
circunstância para não verem no gesto um golpe eleitoral. A votação no Supremo
está revelando, também, um racha na Primeira Turma, que sempre teve uma maioria
muito coesa.
No entanto, a ministra Carmem Lucia e o
ministro Luis Fux divergiram com relação à solução para o Rio proposta pelos
ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flavio Dino. Há quem veja no
resultado até agora um recado da maioria da Primeira Turma para a futura
direção do TSE, que será presidido pelo ministro André Mendonça, tendo como
vice Nunes Marques.
A decisão sobre o caso deverá demorar devido
à burocracia interna do TSE, e ao impasse entre os membros do STF. O julgamento
aconteceu quatro anos depois, quando a denúncia foi feita antes mesmo da
eleição acontecer. Durante o julgamento, houve pedido de vista e o caso só foi
colocado novamente em votação quatro meses após ter sido liberado, como acusou
o ministro Gilmar Mendes.
O caso ganhou nova dimensão com as
declarações do presidente Lula que, querendo se afastar da crise do Banco
Master, colocou o ministro Alexandre de Moraes em situação delicada ao revelar
que o aconselhou a se dar por impedido no julgamento do caso. Com quem será que
o evangélico petista ficará no julgamento?

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