sexta-feira, 22 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais /Opiniões

Decretos de Lula sobre redes sociais são oportunos

O Globo

Diante da omissão do Congresso, ação do Executivo e do Judiciário se faz necessária para coibir crimes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva baixou decretos atualizando a regulamentação do Marco Civil da Internet, com base na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que criou, para plataformas digitais, obrigações sobre o conteúdo que veiculam. Embora tal caminho regulatório seja incomum, são medidas necessárias diante dos crimes no meio digital e do vácuo resultante da omissão reiterada do Congresso, onde o Projeto de Lei das Redes Sociais não avança.

Um dos decretos determina que as plataformas ofereçam canais para notificação de crimes ou atos ilícitos. Uma vez notificadas, são consideradas corresponsáveis e devem remover o conteúdo imediatamente, sem esperar decisão judicial, mecanismo que já vigora na União Europeia e noutros países. A exclusão deve ser informada e justificada ao responsável, que poderá contestá-la. O decreto trata exclusivamente de crimes previstos na legislação, como fraudes, exploração sexual de crianças e adolescentes, incentivo à automutilação ou ao suicídio, tráfico humano, terrorismo ou violência contra mulheres.

A Síndrome de Estocolmo da direita, por Fernando Luiz Abrucio*

Valor Econômico

Nos últimos quatro anos todos os pretendentes à direita fora da família Bolsonaro não tiveram a coragem de buscar a independência, seja por amor ou medo do patriarca

O bolsonarismo tem significado a redenção e a desgraça da direita brasileira. Esse paradoxo está ficando cada vez mais claro com a crise na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Suas relações com Daniel Vorcaro são mal contadas e injustificáveis, pensam aliados e outros candidatos do lado direitista. Porém, como criticar profundamente ou abandonar o filho de um grande líder popular que reordenou o mapa ideológico do país, antes com predomínio inconteste do espectro que vai do centro para a esquerda?

Compreender as razões desse dilema é fundamental para a direita não bolsonarista. Ela vive hoje uma espécie de Síndrome de Estocolmo, caracterizada por uma simpatia ou lealdade irrestrita em relação ao sequestrador. O bolsonarismo sequestrou quase todos os políticos direitistas e mesmo uma parcela mais ao centro. Tal aprisionamento impede críticas às posições ou atos da família Bolsonaro e dificulta sobremaneira um projeto efetivamente independente de poder, mesmo quando hoje temos mais presidenciáveis à direita do que à esquerda.

O desmanche político, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Explicação de Flávio Bolsonaro para pedido a Vorcaro é episódio que desconstrói o enredo e a trama e expõe cruamente a incongruência do visível, mas sobretudo a extensão do invisível

O programa de Julia Duailibi, com Malu Gaspar e Otávio Guedes, na GloboNews da quinta-feira dia 14, foi muito mais do que um programa rotineiro sobre temas da atualidade política. Horas antes o pré-candidato da extrema direita à Presidência da República Flávio Bolsonaro teve que ver-se com a divulgação de sua própria conversa com o principal protagonista do caso do Banco Master, de pedido de recursos milionários para realização de um filme sobre o ex-presidente Jair Messias.

Os entrevistadores foram objetivos e claros no questionamento do entrevistado quanto à coerência de seus argumentos para defender-se de ser impróprio o pedido de dinheiro envolvendo um banco em situação anômala. O banqueiro seria preso no dia seguinte ao do pedido.

Alcolumbre repetiu erro de Eduardo Cunha? Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Fontes bem informadas da cúpula do PL descartam chance de substituição de Flávio Bolsonaro pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na corrida presidencial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é mais o nosso Lionel Messi, o craque argentino, hoje no Inter Miami, que corre o meio de campo, dribla adversários, bate o escanteio e faz a rede balançar.

Na opinião de um observador político, o Lula do terceiro mandato está mais para o Romário: “precisa que alguém arme o jogo e coloque a bola na cara do gol pra ele chutar”, provocou. O ex-artilheiro do Flamengo entrou para a política, está filiado ao PL e se reelegeu senador do Rio de Janeiro em 2022.

A percepção de que o líder petista deixou de ser o craque da política nacional não é isolada. Mas aliados ressalvam que, seja no campo de futebol, seja no tabuleiro de xadrez, Lula continua sendo um estrategista capaz de driblar outros jogadores e surpreender opositores.

Congresso derruba vetos de Lula e amplia o vale-tudo eleitoral

Medida libera doações federai a estados e prefeituras, obras em rodovias e repasses a cidades pequenas inadimplentes nos três meses antes do pleito

Vale tudo pelo voto

Com derrubada de veto de Lula, Congresso libera doação antes das eleições e reforça caixa de aliados em redutos

Por Letícia Pille, Lauriberto Pompeu e Paulo Assad – O Globo

Contaminado pelo ambiente de pré-campanha, o Congresso deu aval ontem a mais um pacote de bondades para favorecer aliados de parlamentares em seus redutos eleitorais. Sem dificuldades e com apoio de quase todos os partidos, Senado e Câmara retomaram, em sessão conjunta, dispositivos legais que vão aumentar os repasses federais a municípios ainda neste ano. A liberação, contrariando consultoria técnica do Legislativo, facilita o empenho de mais emendas e ocorreu a partir da derrubada de vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva feitos à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Em plenário, governistas e o PT respaldaram a decisão.

Especialistas avaliam que a manifestação do Congresso viola tanto a legislação eleitoral quanto a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Um dos trechos derrubados diz respeito ao artigo 95 da LDO, que estabelece que a “doação de bens, valores ou benefícios” públicos não configura descumprimento das restrições da legislação eleitoral, desde que haja contrapartida. Na prática, o dispositivo flexibiliza repasses, transferências e doações, como cestas básicas e tratores, por exemplo, em período eleitoral — a lei proíbe esse tipo de prática três meses antes da eleição. O placar foi de 329 a 194 pela derrubada.

Congresso revoga o Axioma de Tiririca, por Vera Magalhães

O Globo

'Libera geral' promovido nesta semana por deputados e senadores supera em falta de cerimônia a tentativa de aprovação da PEC da Blindagem

Em 2010, o humorista e cantor Tiririca explodiu em votos para deputado federal com um slogan justificando sua decisão de entrar para a política: "Pior do que tá, não fica". Ele se elegeu, se reelegeu e pode-se dizer que a qualidade do trabalho piorou muito — e o artista que começou sua carreira no circo não pode ser responsabilizado por isso, nem pela profecia errada.

A lambança promovida por deputados e senadores nesta rara semana em que resolveram pegar no batente presencialmente supera, em desfaçatez e ousadia, a malfadada jornada pela aprovação da PEC da Blindagem no ano passado. Supera porque, desta vez, o Senado não se sente pressionado a “corrigir” as decisões escandalosas e participa delas ativamente.

O teatro da CPI, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ao se dizer favorável a investigação, senador ameaça tirar prêmio de Jim Caviezel na categoria pior ator

O senador Davi Alcolumbre pode ser acusado de muitas coisas. Menos de impaciente. Na sessão de ontem do Congresso, ele deixou parlamentares do governo e da oposição se esgoelarem à vontade. Num raro momento de consenso, todos cobravam a instalação da CPI do Master.

“Vossa Excelência não vai conseguir ficar sentado em cima dessa CPI”, bradou o petista Lindbergh Farias. “É obrigatória essa instalação”, reforçou o bolsonarista Carlos Jordy.

Depois de uma hora e meia de falatório, Alcolumbre retomou a palavra para o que chamou de “esclarecimento de ordem técnico-regimental”. Sem alterar a voz, informou que não leria os requerimentos de abertura da CPI. Disse que a decisão era um “ato discricionário da Presidência da Mesa do Congresso Nacional” — ou seja, dele mesmo.

Atualização do Marco Civil traz dois perigos, por Pablo Ortellado

O Globo

Conceito de publicidade enganosa sobre políticas públicas não está bem definido

Ontem o governo publicou dois decretos regulamentando a decisão do STF de junho de 2025 que mudou o entendimento sobre a responsabilidade civil no Marco Civil da Internet. Embora os decretos sejam em geral corretos, dois dispositivos ampliam de forma preocupante o poder do governo sobre o discurso digital.

Direita, de uma queda foi ao chão, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Ao que parece, as revelações não são um mero incidente de campanha, mas revelam o tamanho do erro de essa corrente de opinião se tornar refém da liderança de Jair Bolsonaro

Quando baixar a poeira do envolvimento de Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master, muitas perguntas poderão ser respondidas sobre o futuro da direita e, indiretamente, o futuro imediato do próprio País. Ao que parece, as revelações não são um mero incidente de campanha, mas revelam o tamanho do erro de essa corrente de opinião se tornar refém da liderança de Jair Bolsonaro. É um homem limitado para uma tarefa complexa, e o simples fato de ter optado por um caminho dinástico, apresentando o filho como candidato, já é um sinal de estreiteza.

Erro de cálculo de Vorcaro, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Banqueiro do Master erra feio ao temer mais Flávio e Ciro do que a PF e a PGR

O presidiário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro erra feio ao jogar fora a chance de reduzir sua pena por temer mais o senador Ciro Nogueira e o ainda précandidato Flávio Bolsonaro do que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Um erro de cálculo que pode lhe custar décadas atrás das grades e no fundo do precipício.

Vorcaro já deu tudo o que tinha de dar e já recebeu tudo o que tinha de receber de Ciro Nogueira e de Flávio Bolsonaro, que estão em viés de baixa, como se diz na economia, e bastante encrencados, do ponto de vista político e policial.

Embate inédito no Supremo, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Há brechas para que Mendonça rejeite a delação de Vorcaro, mesmo com o aval da PGR

A rejeição da delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pela Polícia Federal deixou uma nódoa sobre o processo, mas, juridicamente, ele segue de pé.

A PF desconfia que Vorcaro está protegendo políticos. Seu receio se fundamenta nas provas que já colheu durante as investigações e que vão além do que Vorcaro ofereceu.

Mas o titular da ação penal é a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não precisa da PF para selar essa delação.

Na PGR, a visão é oposta. Dizem que não falta seriedade do ex-banqueiro e de sua defesa e que não faz sentido bater a porta de uma possível colaboração. Querem aguardar uma contraproposta.

Meter a mão no dinheiro que o público dá a partidos ficou baratinho, decidem deputados, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

PSOL-Rede, Novo e Missão se opuseram à mumunha; PT votou com centrão e extrema direita

Mudança reduz multa a gorjeta, dificulta punição e facilita jorro de "fake news" por mensagens

Fazer rolo com o Fundo Partidário ficou baratinho. O dinheiro desse fundo serve para bancar o funcionamento dos partidos. Neste ano, vai custar ao público cerca de R$ 1,4 bilhão. Se um partido desse um sumiço ou cometesse irregularidade, digamos, no valor de R$ 1 milhão, fosse pego e condenado, teria de pagar multa de até R$ 200 mil (de até 20%). Agora, a multa máxima é de R$ 30 mil, com 180 meses (15 anos) para pagar, se é que alguém vai ser condenado e pagar. Note-se de passagem que, além desse fundo, os partidos terão neste ano quase R$ 5 bilhões para a campanha eleitoral.

O Brasil das capitanias hereditárias sobrevive nos 'nepo babies' da política, por Eliane Trindade

Folha de S. Paulo

Herdeiros de oligarquias e clãs trafegam com vantagem na disputa por indicações, cargos e visibilidade

Há a ideia de que determinados sobrenomes carregam uma espécie de direito natural à liderança

A entronização de Flávio Bolsonaro como herdeiro-mor do bolsonarismo é exemplo de como o Brasil das capitanias hereditárias sobrevive nos "nepo babies" da política nacional.

O termo em inglês "nepo baby" é usado para descrever filhos de celebridades que seguem a carreira dos pais, herdando contatos e privilégios do nome famoso. Assim como no entretenimento e na moda, os ‘nepo babies’ dão o que falar no meio político, onde herdeiros de oligarquias e clãs trafegam com vantagem na disputa por indicações, cargos e visibilidade.

O filho 01 foi o escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para ser candidato à presidência, como herdeiro de um espólio político que já o fizera saltar de deputado estadual a senador.

Flávio Bolsonaro queima o filme, leva cavalo de pau, e Lula ganha, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Há quem aposte que, apesar das mentiras e armações, senador voltará a se revelar competitivo

Desgaste é grande e atinge direita Master e seu espectro conservador que se estende ao mercado

Depois do flagra no escurinho do cinema, quando o site Intercept Brasil publicou o áudio de sua tentativa de pegar dinheiro de Daniel Vorcaro para supostamente financiar a cinebiografia de seu pai, Flávio Bolsonaro vem sofrendo desgaste sobre desgaste. "Dark Horse", azarão em inglês, bem que poderia ser intitulado "O Pangaré Obscuro"

O filme do senador e pré-candidato pelo PL foi queimado por ele mesmo. Sua ascensão nas pesquisas, que causou frisson nos mercados, sofreu um cavalo de pau. Flávio mentiu e continua mentindo para tentar escapar dessa fase negativa. A questão é saber se ele ainda poderá se apresentar como candidato competitivo quando a campanha de fato começar.

Malandragem de deputados tenta fazer o público de mané, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Aproveitando-se da distração geral com o escândalo da vez, a Câmara voltou a legislar em prol dos seus

Na essência, a proteção aos partidos é semelhante à tentativa de blindar parlamentares de ações da Justiça

Distraído que estava o público com o escândalo da vez, a Câmara dos Deputados voltou a fazer o que mais gosta: legislar em prol dos seus. E, de novo, com o método de sempre.

À sorrelfa, no de repente da urgência conveniente, em votação simbólica os deputados aprovaram uma série de facilidades para os partidos, à qual deram o nome de minirreforma do sistema que rege as legendas. Não bastasse, determinaram que a coisa tenha vigência imediata, atropelando a regra de anterioridade anual.

Eu resilo. Tu resilas? Ele resila, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Antes que a palavra ficasse na moda, ninguém era resiliente e não havia problema nisso

Como não podemos mais fugir de resiliência, por que não adotar também o verbo resilir?

Quer um conselho? Não saia de casa sem a palavra "resiliência". É leve, portátil, fácil de carregar —serve para tudo, cabe na memória e, em último caso, será audível e compreensível mesmo se simplesmente sussurrada, devido a seus sons sibilantes. Hoje, sem resiliência, não chegaremos a lugar nenhum. É o que todos querem de si mesmos —ser resilientes.

O Caminho para a Liberdade, por Ricardo Marinho*

Obra resenhada: Joseph E. Stiglitz. O caminho para a liberdade: Transformar a Economia e a Sociedade, criando um futuro livre para todos. Tradução de Maria de Lourdes Sete. Primeira Edição. São Paulo, Benvirá: 2025. 372 págs.

Resenhar o livro mais recente do Prêmio Nobel em Ciências Econômicas de 2001 dispensa apresentações, dada a sua ampla reputação no mundo. Na hipótese de alguém ainda não ter tido a oportunidade de conhecê-lo, Joseph E. Stiglitz é professor da Universidade Columbia e economista-chefe do Instituto Roosevelt. Foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos do Presidente Clinton e economista-chefe do Banco Mundial. Ao longo de sua extensa carreira, Stiglitz desenvolveu uma perspectiva crítica sobre as abordagens correntes na economia e sobre os resultados (ineficientes e injustos) da economia de livre mercado (ou como ele sabiamente chama de “economia de mercado descontrolada”, sem regulação, regulamentação e/ou mecanismos de controle). Ele elaborou essa perspectiva crítica da economia em seus livros como A Globalização e seus Malefícios (2002), O mundo em queda livre (2010), O Preço da Desigualdade (2013), O grande abismo: sociedades desiguais e o que podemos fazer sobre isso (2016) e Povo, poder e lucro: Capitalismo progressista para uma era de descontentamento (2020), entre muitos outros.

Poesia | Desencanto, de Manuel Bandeira

 

Música | Travessia - Milton Nascimento 1969[com Tenório Jr ,o pianista é o que seria assassinado na Argentina por engano na ditadura militar)