Valor Econômico
Na política do Rio não se pergunta mais se o
ex-governador Claudio Castro será preso, mas quando. Seria o sexto titular do
Palácio Guanabara, nos últimos dez anos, com este destino. Vereador de pouco
destaque, Claudio Castro foi alçado a vice de um cabeça de chapa igualmente
desconhecido, Wilson Witzel, eleito em 2018 no rabo de foguete da ascensão de
Jair Bolsonaro.
Fragilizado ao assumir o cargo depois do impeachment do titular, empossado havia apenas um ano, poderia ter se valido da legitimidade de sua reeleição para sair da sombra e refundar sua gestão. Afinal, foi o primeiro governador do Rio reeleito em primeiro turno desde Sérgio Cabral, em 2010.
A inspiração deste precedente, porém, foi
mais forte. A operação da Polícia Federal de terça mostrou que Castro não era
um simples refém da Alerj. Era um operador ativo de um esquema fraudulento no
Rioprevidência e na Cedae que lhes causou um prejuízo não de R$ 1 bilhão como
se imaginava, mas de R$ 3,7 bilhões. Colocou o Estado a serviço do Master assim
como, segundo o ministro Alexandre de Moraes, o fez com a Refit.
A decisão do ministro André Mendonça endossa
a visão de que não se trata de um executor de ordens mas um articulador com
“vínculo próximo” do ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro: “A representação
[da PF] aponta sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes
financeiros subsequentes do RPPS, além de conversas encontradas no celular de
Vorcaro indicando que a liberação de determinados investimentos dependia de
alinhamento político com o ex-Chefe do Executivo estadual”.
Esses vínculos, segundo o relatório, se deram
em “ambientes privados e no exterior”, custeados por Vorcaro, e “com elevada
coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência”.
Foi este alinhamento, escreveu Mendonça, que permitiu as nomeações de
dirigentes estratégicos para a política de investimentos do fundo público “em
consonância com os interesses do Master”.
A assinatura de Mendonça no relatório
desmonta uma das linhas de defesa do ex-governador que, na operação “Sem
Refino”, atribuiu sua condição de alvo à “perseguição” do ministro Alexandre de
Moraes, relator deste inquérito. No caso de Mendonça, porém, o carimbo
bolsonarista de sua indicação deixa a defesa de Castro desguarnecida. Se está
sendo caçado, é porque tem contas a prestar.
Condução do inquérito por André Mendonça
desautoriza tese de perseguição
Além dos dois inquéritos que correm no
Supremo Tribunal Federal, a devassa do governador Ricardo Couto na gestão de
Castro sugere que uma ou mais denúncias do Ministério Público do Rio estejam a
caminho. Em ofício enviado ao gabinete do governador no dia 20, o
procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, pediu informações
relativas a servidores fantasmas e contratos fraudulentos, além dos documentos
produzidos pelo governo sobre os fatos atestados pela operação “Sem Refino”,
que alvejou a Refit, e por aquela que resultou na busca e apreensão desta
terça.
Com Castro cercado, o PL já cogita o
lançamento do ex-chefe da Polícia Civil, Felipe Curi (PL), para disputar o
Senado. A chapa de Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj e pré-candidato do
bolsonarismo ao governo, seria completada pela candidatura do ex-prefeito de
Belford Roxo Maurício Canella (União) ao Senado, que teria como suplente a mãe
dos três filhos mais velhos do ex-presidente, Rogéria Bolsonaro (Republicanos).
Do outro lado, estaria o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), numa chapa que
tem, por enquanto, dois pré-candidatos ao Senado, os deputados federais Benedita
da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD).
A grande incógnita é o tamanho do estrago
dessas operações policiais sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Sua maior
vulnerabilidade, por enquanto, são as investigações que correm contra o
ex-secretário de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca (PL). Principal aliado
do senador na gestão Castro, Fonseca, segundo o Metrópoles, teve conversas com
integrantes do CV interceptadas pela PF.

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