domingo, 24 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula não encontra limite em sua gastança eleitoreira

Por O Globo

‘Bondades’ se sucedem em ritmo desenfreado e deixarão conta altíssima para o próximo governo

A obsessão do governo em distribuir “bondades” para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até as eleições começou no ano passado e não parece ter fim. Basta acompanhar a sucessão de programas ou medidas de objetivo nitidamente eleitoreiro anunciadas em ritmo a cada dia mais frenético. Todos os governos costumam ampliar gastos às vésperas das eleições. Mas Lula parece não encontrar limites.

Em novembro, o governo sancionou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Em 12 março, voltou à carga eliminando impostos federais sobre importação e venda de diesel, usando a guerra no Oriente Médio como pretexto. Menos de duas semanas depois, retomou o Plano Brasil Soberano, com crédito barato do BNDES a empresas exportadoras. Mostrando estar disposto a agradar diferentes perfis de eleitor, em abril lançou novo pacote com isenção de combustíveis e ampliou em R$ 20 bilhões os recursos do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, estendendo o foco à classe média. Também em abril, o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou linha de financiamento a empresas do setor aéreo. O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou R$ 10 bilhões em crédito para máquinas e implementos agrícolas, e Lula ampliou o programa para compra de ônibus e caminhões.

Entrevista| 'Timing do escândalo com Vorcaro foi bom para Flávio Bolsonaro, dará tempo de se recuperar', diz Marcos Nobre

Por Vinicius Mendes – BBC News Brasil, publicada em 22 de maio de 2026.

Em entrevista à BBC News Brasil, o filósofo e pesquisador Marcos Nobre afirma que terceira via é uma 'ilusão' e contesta a ideia de que exista uma polarização no país hoje.

Embora a revelação das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, hoje preso, tenha afetado negativamente a campanha à Presidência do filho de Jair Bolsonaro (PL), ela não será suficiente para impedi-lo de chegar, competitivo, ao segundo turno das eleições de outubro.

A leitura do cenário atual pelo filósofo e cientista político Marcos Nobre, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), porém, não vai na direção de que a polarização calcifica os polos antagônicos de forma a blindá-los de crises como essa.

Ao contrário, seu argumento é que, na estrutura da divisão social que o Brasil vive hoje, Flávio lidera a coalizão que busca interromper políticas de redistribuição de renda iniciadas nos anos 1990.

Essa coalizão, conformada por uma parte da direita tradicional e da direita radical, tem angariado votos desde, pelo menos, a eleição de 2018 — e reúne muitas condições para seguir disputando o pleito desse ano, na avaliação de Nobre.

Para ele, embora a relação de proximidade de Flávio com Vorcaro prejudique sua imagem de alguma forma, não abala sua campanha.

"Além disso, o timing da crise foi bom para o Flávio, porque dará tempo de ele se recuperar. Tem muito tempo até outubro", diz Nobre em entrevista à BBC News Brasil.

Flávio conta, para isso, com um novo ator da política brasileira, na visão de Nobre: um partido digital. Este é eixo central de O partido digital bolsonarista, livro que ele lançará em junho, ao lado da cientista política Ana Cláudia Chaves, pelo Centro para Imaginação Crítica (CCI) do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Do outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é apontado por Nobre como o líder de uma coalizão distributivista, que tem o desafio de não ter mais como acomodar o conflito pela distribuição da riqueza como fazia antes: por meio de um acordo entre as classes sociais. Foi por isso que, no atual mandato, ele partiu ao confronto com o Congresso, aponta o filósofo.

Para Nobre, é por isso que a tentativa de criar uma "terceira via" para o pleito de outubro é uma "ilusão". "Ela é como um estacionamento em que as pessoas ficam ali esperando se vão para um lado ou para o outro. É uma ideia fantasiosa", afirma.

Confira os principais trechos da entrevista.

A difícil arte da frente ampla, por Luiz Sérgio Henriques

O Estado de S. Paulo

Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática

Um mergulho no imaginário das esquerdas, em plena modernidade, permite identificar a questão recorrente de alianças e frentes. Com quais aliados contar para reformar o capitalismo, segundo os socialistas, ou para derrubá-lo, segundo os comunistas? A relação entre esses dois irmãos-inimigos atravessou boa parte do século passado, apontando o caminho seja de derrotas fragorosas, seja de momentos de resistência e avanço.

O feroz antagonismo entre os irmãos assumiu tons retóricos contundentes. Por um lado, os comunistas eram acusados de ser adeptos de soluções violentas, inviáveis no Ocidente político; os socialistas, por seu turno, não passariam de traidores da revolução, quando não de fraudulenta ala “social” do fascismo.

Fantasmas do passado, por Merval Pereira

O Globo

Lula, assim como Bolsonaro fez, está fazendo “o diabo” com o dinheiro público, e se arrisca a receber uma herança maldita, verdadeira, dele mesmo

Todo governo “faz o diabo” para continuar no poder, como já admitiu a ex-presidente Dilma Rousseff, e essa é uma das várias razões para que a reeleição seja muito contestada, tanto aos governos regionais quanto à presidência da República. Lula, assim como Bolsonaro fez, está fazendo “o diabo” com o dinheiro público, e se arrisca a receber uma herança maldita, verdadeira, dele mesmo. Já a eleição para a Câmara e o Senado obedece a uma outra concepção. Quase ninguém lembra em que candidato votou na última eleição, e o que funciona mesmo são as máquinas eleitorais regionais que, na maioria das vezes, não coincidem com quem está no comando nacional.

Um presidente, dois Brasis, por Bernardo Mello Franco

O Globo

País que elegeu Lula em 2022 era bem diferente do que elegeu Lula em 2002, afirma cientista político Jairo Nicolau

O Brasil que elegeu Lula em 2022 era bem diferente do que elegeu Lula em 2002. A conclusão é do cientista político Jairo Nicolau, que analisa duas décadas de disputas presidenciais em “O país dividido”.

O livro cruza dados e esquadrinha pesquisas para examinar as mudanças no perfil e no comportamento do eleitor. “Para onde quer que olhemos, veremos profundas transformações”, resume o professor do CPDOC da Fundação Getulio Vargas.

Em 20 anos, o eleitorado ficou mais velho, mais escolarizado e mais feminino. Ao mesmo tempo, uma revolução tecnológica mudou a forma de receber notícias e acompanhar campanhas. O horário eleitoral na TV perdeu importância, e milhões de brasileiros passaram a se informar — ou a se desinformar — pelas redes sociais.

A semana da insensatez, por Míriam Leitão

O Globo

Em uma das semanas mais sombrias do Legislativo, Congresso impõe agenda de destruição ambiental e institucional

A pesquisa eleitoral chegou na sexta-feira mostrando os efeitos do abalo sísmico que atingiu o candidato da extrema direita e os dias se passaram com notícias sucessivas em torno de Daniel Vorcaro. Neste contexto, o Congresso passou a semana impondo ao país a agenda Bolsonaro no governo Lula. Na área ambiental, a Câmara aprovou medidas que reduzem o tamanho de uma estratégica floresta nacional, transferem para o Ministério da Agricultura atribuições do Ministério do Meio Ambiente, diminuem o alcance da tecnologia como parte da vigilância ambiental e abrem a porta para a destruição de campos naturais em todos os biomas.

O experimento, por Dorrit Harazim

O Globo

Atletas se submeteram a um intensivão de treinos e doping individualizados, sob supervisão de um corpo médico

Começa hoje em Las Vegas um experimento humano criado por um punhado de venture capitalists obcecados em retardar a finitude da vida — no caso, a deles em primeiro lugar. Batizado por seus fundadores de Enhanced Games (algo como jogos aprimorados, ou turbinados), o experimento em forma de competição esportiva reúne 50 atletas de alto rendimento que disputarão provas de atletismo, natação e levantamento de peso. Mas apenas as modalidades mais extremas e cintilantes desses esportes: a corrida de 100m rasos, os 50m e 100m nados livre e borboleta e o levantamento de até 510 quilos. Tudo movido a um inédito regime de doping declarado, com premiação milionária aos atletas-cobaias.

Quem será o Jair de 2026? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Jair Bolsonaro foi beneficiário dos escândalos em 2018; quem será o das denúncias em 2026

A inflação dos escândalos de presidenciáveis disparou de forma estratosférica em menos de dez anos, se comparados os valores envolvidos na prisão de Lula e nos pesadelos de Aécio Neves com os atuais de Flávio Bolsonaro, que mente, desmente e insiste na pré-candidatura à Presidência, mas abre uma janela de oportunidades para a direita tradicional.

Lula passou 580 dias preso no Paraná por um triplex no Guarujá que não estava em seu nome e onde não morava, nunca tinha morado e nunca iria morar. Por quanto o imóvel foi leiloado na Operação Lava Jato? Por R$ 2,2 milhões.

Entre escândalos e baixo crescimento, por Rolf Kuntz

O Estado de S. Paulo

Bandidos atrapalham, mas o pior está mesmo na economia insegura longa duração

Milhões de Vorcaro, vexames de um candidato, doações eleitorais, influenciadora ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e pressões de Trump contra Cuba encheram o noticiário da semana no País, deixando em segundo, terceiro ou quarto plano as necessidades de um Brasil ainda atolado na estagnação. A economia brasileira cresceu 2,3% no ano passado, com expansão de 11,7% na agropecuária, 1,8% nos serviços e 1,4% na indústria, um setor sem o dinamismo observado nas três décadas finais do século passado. Além disso, o avanço de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) marcou uma forte perda de impulso em relação ao ano anterior, quando o crescimento chegou a 3,4%.

China se beneficia das crises dos EUA, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

A cúpula Xi Jinping-Vladimir Putin e os últimos movimentos de Donald Trump em relação ao Irã e a Cuba ampliaram os ganhos estratégicos da China em sua disputa por hegemonia com os EUA.

O presidente americano se vê obrigado a ceder discretamente nas negociações com o Irã, conforme se intensificam as pressões econômicas e políticas decorrentes do choque de energia causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. A manutenção de um programa nuclear pacífico iraniano agora está sobre a mesa de negociações.

Para compensar a visível derrota, Trump volta a pressionar Cuba, cuja mudança de regime ele vê como um fruto ao alcance da mão – o que Binyamin Netanyahu o fez acreditar sobre o Irã.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se em Havana no dia 14 com o coronel Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro e responsável pela segurança do veterano líder revolucionário, com o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas, e o diretor da inteligência cubana, Ramón Romero Curbelo.

Lula atrai 29% do eleitorado de centro, contra 20% de Flávio, mostra Datafolha, por Fábio Zanin

Folha de S. Paulo

Pesquisa mostra que eleitor moderado se fragmenta; terceira via patina no segmento

Candidatos vêm tentando suavizar a imagem atrás dos votos centristas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece mais bem posicionado do que Flávio Bolsonaro (PL) para receber o votos dos eleitores de centro, mostra a pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (22).

Ao mesmo tempo, os pré-candidatos que se apresentam como "terceira via" ainda patinam no segmento dos brasileiros mais moderados.

'Dark Horse' abala Flávio Bolsonaro na direita, mas antipetismo é amortecedor no 2º turno, por Bruno Boghossian*

Folha de S. Paulo

Filho de Bolsonaro perde apoio em grupos evangélicos, no Sul e entre bolsonaristas que se declaram moderados

Senador mantém competitividade e continua recebendo votos de eleitores antipetistas em embate direto com Lula

O caso "Dark Horse" não derrubou Flávio Bolsonaro (PL), mas pode ter provocado um abalo em sua pré-candidatura justamente nos segmentos em que o filho de Jair Bolsonaro deposita suas fichas para tentar se diferenciar do pai e superar a derrota da eleição de 2022.

Os números da primeira pesquisa do Datafolha feita integralmente após a revelação dos diálogos de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro apontam que o escândalo não causou mais do que um soluço dentro do núcleo mais bolsonarista do eleitorado, que costuma defender o clã mesmo em seus momentos difíceis.

Uma demanda de limpeza ética, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Com os velhos caciques, o Rio de Janeiro era uma feitoria político-social; hoje, uma malfeitoria estrutural

Essa é a saga ominosa de 30 anos de governos cariocas finalizados na prisão

"Malandro demais se atrapalha", rezam as rodas de brasilidade, onde sabedoria é experiência vivida. Isso se revela na profilaxia administrativa operada pelo governo interino do Rio de Janeiro. Pode-se rir ou chorar ao tomar conhecimento, por exemplo, de que o ex-governador Cláudio Castro tinha criado uma Subsecretaria de Gastronomia, com nada menos do que uma "Superintendência de Demandas Cotidianas". E dirigida por ninguém menos que Pazuello, o general-ministro bolsonarista da pandemia.

O rachadão dos Bolsonaro no Brasil embalado pelo pancadão do debate ruim, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

A montanha de novos escândalos de Flávio pariu um rato nas intenções de voto

Discussão nacional segue ruim, entre planos 'Mais Coisinha' de Lula e barbárie da direita

A montanha de escândalos de Flávio Bolsonaro pariu um rato nas intenções de voto, como mostrou o Datafolha. A esta altura do campeonato eleitoral, era previsível. Falta alternativa para quem quer evitar Lula 4, entre outros motivos das profundezas da preferência pelos Bolsonaro. Faz tempo e até agora, o antilula tem uns 40% dos votos.

Não quer dizer que a situação não possa se alterar, para pior ou melhor, a depender do gosto do freguês eleitor. Os motivos deveriam ser óbvios e podem ser relevantes em disputa acirrada.

Flávio Bolsonaro na casa de Vorcaro, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

A única conclusão que não ofende a lógica é que o senador foi discutir sua situação diante de um escândalo que os dois sabiam que seria gigante

Um acordo explicaria a tranquilidade com que o senador falava do Master

Flávio Bolsonaro foi visitar o dono do Banco Master. Poucos dias antes da visita, Daniel Vorcaro havia saído da cadeia com tornozeleira eletrônica. No dia seguinte à visita, segundo o jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, Flávio foi anunciado como candidato à Presidência da República.

O que explica esse delivery de político golpista na casa de um banqueiro ladrão?

PL está enredado nos maus lençóis da família Bolsonaro, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A candidatura do primogênito do ex-presidente está em xeque, sentada na antessala da demolição

O partido que cresceu ao abrigo do clã, queda-se vendido em meio à incerteza sobre o que vem por aí

Jair Bolsonaro não é alguém que se caracterize por ter boas ideias. Uma delas, a de enfrentar a pandemia a golpes de negacionismo custou-lhe a reeleição; outra, a de montar uma rede de ilegalidades para ficar no poder, o levou à prisão. A mais recente, de fazer do primogênito candidato a presidente, está em xeque na antessala da demolição.

Poesia | A Rosa de Hiroshima, de Vinicius de Moraes

 

Música | Paulinho da Viola e a Velha Guarda da Portela