O Estado de S. Paulo
Pacote de bondades do governo Lula tem dois motivos, a guerra do Irã e a (re)eleição
O presidente Lula assistia ao desmoronamento
de sua reeleição de camarote, ou saltitando, para mostrar energia e juventude,
mas a realidade e as pesquisas puseram o Planalto e o próprio Lula em estado de
alerta. E lá vem o tradicional pacote de bondades de ano eleitoral.
Quem paga não é o coelhinho da Páscoa, que já passou, nem Papai Noel, que só chega em dezembro. Logo, é você!
As bondades incluem subvenção extra para gás
de cozinha, diesel importado e nacional, suspensão de tributos federais para
biodiesel e crédito para o setor aéreo, além de isenção de PIS/Cofins para
querosene de aviação. E o governo vai entrar na revisão da jornada de 6 X 1,
com um projeto de lei prevendo 5 X 2, com quarenta horas semanais.
Parte do pacote tem um bom motivo, a guerra
do Irã e os efeitos nos combustíveis, nos preços, na inflação e, possivelmente,
nos juros do Brasil. A outra parte – não tem como disfarçar – é um investimento
eleitoral, nos votos da baixa renda e da classe média e na boa vontade de
produtores e das companhias aéreas.
A recepção, porém, não é tão automática, nem
tão promissora assim para a candidatura Lula.
A gritaria de economistas contra a farra
fiscal aumenta, a pressão para os subsídios chegarem às bombas e às passagens
aéreas esquenta e o contra-ataque da oposição será forte, pelas redes sociais.
Na questão do 6 X 1, a reação contrária vem
do setor produtivo, que vai pagar a conta, e do Congresso, que já tem um
projeto próprio em tramitação, reclama de estar sendo atropelado e não quer
dividir o bônus eleitoral.
Num momento já tão ruim para Lula, é que a
guerra do Irã desabou no mundo e no Brasil justamente na fase da desincompatibilização,
quando ele se adapta à tropa reserva, inclusive na Economia, no Planejamento e
na Agricultura, áreas chaves para driblar os efeitos das loucuras de Donald
Trump.
Se a tropa é reserva, o comandante anda numa
fase ruim e sem estratégia e não adianta a desculpa esfarrapada de que a culpa
é da comunicação. É da gestão – do governo e da política.
Resultado: a seis meses da eleição,
diferentemente de 2006, 2010 e 2014, o candidato do PT à reeleição tem
desaprovação superior à aprovação.
A favor de Lula, há dois fatores: o anti-bolsonarismo equivale ao anti-petismo e a oposição é craque em errar o alvo, com a família Bolsonaro dando tiro no pé e trocando desaforos entre si e com aliados estratégicos.

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