terça-feira, 7 de abril de 2026

Entrevista | Cristovam Buarque: "divisão enfraquece narrativa progressista"

Por Raphaela Peixoto / Correio Braziliense

Pré-candidato a deputado federal pelo PSB, Cristovam Buarque defende unificação do campo progressista e cobra responsabilização pela crise no BRB. Ele também explica seu retorno à política aos 82 anos: "Uma omissão ficar em casa"

Recém-filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), o ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque afirma que o cenário atual o incentivou a voltar para a política. "Não estava na minha cabeça ser candidato. Mas, diante do que a gente vê hoje, eu, 82 anos, mas com saúde, é uma omissão ficar em casa escrevendo", afirmou aos jornalistas Ana Maria Campos e Luiz Felipe, no Podcast do Correio.

Cristovam relatou que a mudança de partido ocorreu devido a divergências internas no Cidadania, o que classificou como alvo de um "golpe cartorial". "Eu não saio do partido, eu saio da sigla. O meu partido eu levo comigo", declarou o político. O ex-governador integrou um bloco de políticos que buscou abrigo na legenda liderada nacionalmente por Carlos Siqueira e João Campos.

Com atuação política focada na defesa da educação, ele voltou a propor a criação de um sistema nacional público único de ensino, com qualidade independente da renda das famílias. "A educação é o verdadeiro vetor do progresso, não é a fábrica, não. A fábrica é uma consequência", afirmou.

Ao analisar o cenário político do Distrito Federal, o ex-governador classificou o eleitorado local como majoritariamente conservador. Ele também demonstrou preocupação com a fragmentação das forças de esquerda e centro-esquerda na região. Na avaliação do ex-senador da República e ex-ministro da Educação, a divisão enfraquece o campo progressista e compromete a construção de uma narrativa unificada. "Eu me preocupo muito com essa divisão. Primeiro, porque essa divisão enfraquece e, segundo, porque essa divisão quebra a narrativa da família progressista", afirmou.

Sobre a crise financeira que o Banco de Brasília (BRB) enfrenta, ele classificou como fruto de "muita corrupção". "Eu, sinceramente, não temo em dizer que deve ter sido muita corrupção", disse Cristovam, que completou: "Ninguém compra uma coisa mal cheirosa, como títulos, se não está ganhando alguma coisa".

Para Cristovam, o caso serve como "um símbolo de ineficiência e corrupção" que extrapola os limites do Distrito Federal. Buarque defendeu que o banco deve ser preservado como instituição pública, mas exigiu a apuração de responsabilidades: "Eu acho que a gente tem que salvar o BRB. (...) Mas eu acho que a gente tem que analisar o que é que está por trás das decisões, dos gestos, e quem ganhou dinheiro com isso".

O pré-candidato questionou a atuação dos órgãos de controle e da diretoria do banco na condução dos negócios. "Onde é que estavam todos os fiscalizadores que não agiram e deixaram chegar esse tamanho?", indagou. Para ele, o caso serve como "um símbolo de ineficiência e corrupção" que extrapola os limites do Distrito Federal.

Na avaliação dele, o episódio vai além da gestão bancária e se insere em um contexto mais amplo de moralidade pública e eficiência estatal. "Eu espero que impacte, porque não é o Master, é um conjunto de coisas relacionadas com a decência e a eficiência", disse. Avaliou, ainda, que as irregularidades associadas ao caso atingiram diferentes esferas do poder público. "Chegou ao Judiciário, chegou a outras instâncias, e virou uma questão nacional", afirmou, ao destacar a amplitude das consequências.

Veja, abaixo, o vídeo:


 

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