Correio Braziliense
Houve reação em cadeia sobre
as relações do pré-candidato do PL com o banqueiro Daniel Vorcaro e há
controvérsias sobre a real destinação dos recursos do Master
Os áudios de Flávio Bolsonaro (RJ) pedindo
dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre o pai, Jair Bolsonaro,
instalaram uma séria crise na campanha do candidato a presidente do PL. Segundo
a colunista Ana Maria Campos, da coluna CB.Poder, colega aqui do Correio,
abertamente ou nos bastidores, até mesmo aliados retomam a discussão sobre a
possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) assumir o seu lugar
na disputa pela Presidência.
As gravações que vieram a público após reportagem do site The Intercept Brasil revelaram conversas em que Flávio cobra Vorcaro por repasses financeiros destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente. E provocaram uma reação em cadeia sobre suas relações com o ex-banqueiro, além de informações desencontradas sobre a destinação de recursos para a produção do filme.
Ontem, Tarcísio de Freitas (Republicanos),
saiu em defesa do senador. Segundo ele, o episódio não deve prejudicar a
pré-candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto. Durante entrevista coletiva,
o governador de São Paulo afirmou que há um desgaste da população com o atual
governo e avaliou que o cenário político favorece a oposição. Para Tarcísio, os
debates conduzidos por Flávio na pré-campanha continuam mobilizando apoiadores
e, por isso, a repercussão do caso não teria força para enfraquecer o senador.
O governador também afirmou que Flávio
procurou esclarecer rapidamente o conteúdo das gravações divulgadas. “O Flávio
imediatamente procurou dar os esclarecimentos, falou do que se tratava. Acho
que o Flávio precisa continuar dando os esclarecimentos à medida que as
perguntas forem aparecendo”, disse.
Tarcísio acrescentou que “o escândalo do
Banco Master está no centro das atenções dos brasileiros” e afirmou que a
população “não tolera mais corrupção”. Segundo a publicação, o banqueiro teria
se comprometido a investir R$ 124 milhões no projeto, dos quais cerca de R$ 61
milhões já teriam sido pagos. Após a divulgação do material, Flávio confirmou
que pediu dinheiro ao empresário, mas negou qualquer irregularidade.
A repercussão provocou divergências entre os
envolvidos na produção do longa. O deputado federal Mário Frias (PL),
produtor-executivo do filme, e a produtora GOUP Entertainment divulgaram notas
afirmando que o projeto não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou do Banco
Master. Segundo Frias — que voltou atrás naquilo que dissera —, Flávio não
possui participação societária na obra e apenas cedeu os direitos de imagem da
família Bolsonaro para a produção cinematográfica.
A produtora também alegou que contratos de
confidencialidade impedem a divulgação dos nomes dos investidores e repudiou
tentativas de associar o projeto a investigações envolvendo o banqueiro. Frias
afirmou ainda que a produção vem sofrendo “ataques direcionados” desde o
anúncio do longa.
Apesar das negativas, relatórios de
inteligência financeira do Coaf apontam que a empresa Entre Investimentos,
citada como intermediadora de repasses para o projeto, recebeu R$ 159,2 milhões
de fundos investigados pela Polícia Federal (PF) por suposta participação em
fraudes ligadas ao Banco Master. Até o momento, não há confirmação sobre quanto
desse montante teria sido efetivamente destinado à produção de Dark Horse.
Vorcaro está preso sob suspeita de comandar
um esquema de fraudes financeiras investigado pela PF, com prejuízo estimado em
até R$ 12 bilhões. Empresa que monitora as redes sociais em tempo real e avalia
as menções a todos os pré-candidatos à Presidência da República, a AP Exata
revela que Flávio já sofreu perda de credibilidade em larga escala. O volume de
menções negativas subiu de forma abrupta, com alta de sete pontos percentuais.
Hoje, 64,7% do que se fala sobre ele nas redes é negativo. Trata-se do pior
índice entre os candidatos monitorados e o pior patamar registrado por Flávio
desde que se lançou como candidato.
A perda de confiança também é significativa.
No caso de Flávio, ontem, o índice de confiança chegou a apenas 13,6%. Em
volume geral de menções, o senador é hoje o presidenciável mais citado nas
redes, com 25% do total. Em segundo lugar aparece Romeu Zema, com 23,4%,
seguido de Lula, com 21,5%. Renan Santos registra 11,9%, enquanto Ronaldo
Caiado mantém presença mais regionalizada, com 7,9%.
Outro lado
A propósito da coluna intitulada Agenda
evangélica pauta Lula na indicação de mulher à Defensoria Pública,
publicada em 29 de abril passado, os defensores públicos da União Leonardo
Trindade e Holdem Macedo rejeitam, categoricamente, qualquer alinhamento ao
bolsonarismo: “O rotulo a eles atribuídos não corresponde à realidade
funcional, histórica ou pessoal dos referidos servidores.” Ambos negam que “a
mera participação em uma chapa eleitoral interna à instituição implica em
alinhamento político-ideológico.”
Diz fui por aí
Em férias, estarei de volta à coluna em 16 de junho, uma terça-feira.

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