Folha de S. Paulo
Os três tenores de Kassab apostam na batalha
das rejeições para romper a barreira dos favoritos
Ratinho, Leite e Caiado dividem os discursos
em abordagens diferentes como se um completasse o outro
A percepção de fadiga moral no chamado
sistema é sempre pior para quem está no governo, a representação do "tudo
isso que está aí", a conjuntura vigente.
Daí se depreende que o derretimento da reputação nas e das instituições tende a cair na conta do presidente da República candidato à reeleição e talvez nos apoiados por ele nos estados.
O governador Tarcísio
de Freitas (Republicanos) precisa agradar aos radicais, o que
prejudica a imagem de moderação a ser vendida ao eleitorado. Já Flávio
Bolsonaro (PL) não tem necessidade de se mostrar confiável nesse
campo, não perde tempo e fica livre para tecer sua pele de cordeiro.
No meio disso, os três postulantes no PSD de Gilberto
Kassab —chamados em São Paulo de
"os três tenores"— estão atentos à urgência de explorar questões
concretas da vida das pessoas e traduzir suas propostas em linguagem do
cotidiano nos vários setores da sociedade pouco interessados em saber quem é
conservador ou progressista, fascista ou comunista.
Enquanto não é anunciado o escolhido para
representar o partido na corrida presidencial, eles dividem os discursos como
se um complementasse o outro. O paranaense Ratinho Júnior fala
tanto aos clássicos "dona Maria e seu José" quanto ao empresariado,
com foco nos aspectos econômicos de um projeto de país.
Ronaldo
Caiado ressalta os feitos de sua bem avaliada gestão em Goiás, é o
mais agressivo e, por isso, de um lado visto como melhor candidato ao embate.
Por outro, pecaria por manter em cena a lógica do atrito em tese condenada pelo
grupo.
Já o gaúcho Eduardo Leite tem
uma elaboração mais sofisticada, próxima de sua origem tucana. Para ele, é
possível conciliar visões de mundo da direita e da esquerda, aproveitando o
melhor de cada lado. Sempre adotando a política como forma de abrir espaço para
as melhorias administrativas.
É com essa composição que começam a navegar,
na tentativa de transpor a barreira hoje aparentemente intransponível dos
favoritos, também campeões na batalha das rejeições.

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