Folha de S. Paulo
O Brasil já teve um núcleo político de ação e
pensamento que dissolvia crises antes que virassem impasses
Submerso pela onda radical, esse pessoal tem
a tarefa de emergir da nova geração que aguarda o toque de reunir
Outro dia, no trajeto para uma visita
ao Museu de
Identidades que Ronaldo Cézar Coelho fez em Vassouras (RJ) no
restauro da Santa Casa de Misericórdia da região do Vale do Café, andei
conversando sobre como faz falta o núcleo de ação política que dava conta da
dissolução de crises antes que virassem impasses.
Éramos 20 no grupo primordialmente interessado no que será do amanhã de um Brasil fadado a escolher se renova o mandato de um presidente sem saber exatamente para quê ou se põe na Presidência um emergente da ala que obrigou o país a se defender do retrocesso democrático/civilizatório.
Não se pode dizer que o hiato paralisante foi
perda de tempo. A necessidade levou o país a reabrir uma questão que há 40 anos
parecia ter começado a ser resolvida definitivamente.
Debelado o surto autoritário por imposição da
legalidade, eis que a hora é de prosseguir sem dar espaço a recuos nem ceder
aos ditames atrasados do populismo. O horizonte
eleitoral que se desenha, no entanto, não favorece, ao
contrário, interdita esse caminho.
Vamos para mais uma eleição presidencial
reféns da tal da batalha das rejeições, com metade dos brasileiros dizendo não
a Luiz Inácio
da Silva (PT) e a outra metade desde já negando voto a Flávio
Bolsonaro (PL). Ainda assim, os dois são favoritos e, segundo o
registro das pesquisas de opinião, hoje um deles seria escolhido
para chefiar a nação até 2030.
Ocorre que a eleição não é hoje e a política
não é atividade submissa a exercícios de futurologia. Em tese daria tempo de
alterar o roteiro nos sete meses que restam até o desfecho.
Na prática, não se vislumbra essa
possibilidade. Por ausência daquele núcleo de ação e pensamento que se deixou
engolir pelos grupos arraigados aos seus propósitos obsoletos.
Submerso por essa onda, o centro democrático
tem a tarefa inadiável de se organizar para em algum momento emergir de uma
nova geração de políticos que pode não parecer, mas está aí à espera de que o
bom senso dê o toque de reunir.

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