O Estado de S. Paulo
O temor de analistas é de um maior impulso
fiscal por meio da execução do Orçamento e de medidas populistas
Aumentou a probabilidade de o presidente Lula colocar um piso na desaceleração da economia neste ano depois que as recentes pesquisas de intenção de voto mostraram uma corrida para a eleição presidencial bem mais apertada do que se observou logo após o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Com o recuo do índice de aprovação do governo, a expectativa de analistas é de que o petista poderá lançar mão de novas medidas, com impacto fiscal relevante, para turbinar o consumo das famílias, que tem peso de 64% no cálculo do PIB.
Após a alta de 3,4% do PIB em 2024 ter
desacelerado para 2,3% em 2025, a mediana das projeções na pesquisa Focus, do
Banco Central, prevê uma expansão de apenas 1,82% da economia neste ano. Mas a
maioria dos analistas – quando indagados sobre o viés para essas projeções do
desempenho do PIB, se para cima ou para baixo – diz que o risco é de o
crescimento em 2026 ficar mais próximo de 2% do que desacelerar para 1,5%.
Já está na conta das projeções de analistas
para o desempenho da economia em 2026 medidas como a isenção do Imposto de
Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Também embutida nas estimativas de PIB está
a redução dos juros, atualmente em 15%. A aposta, conforme a pesquisa Focus, é
de a taxa Selic encerrar o ano ao redor de 12%, com o Copom iniciando o ciclo
de corte de juros ao ritmo de 0,50 ponto porcentual por reunião.
Ou seja, do ponto de vista da política
monetária, o Copom teria de acelerar esse passo para 0,75 ponto, a fim de
estimular a expansão do crédito, turbinando a demanda e, por tabela, a economia
como um todo. Por ora, todavia, essa não é a sinalização do Banco Central.
É bom lembrar que o consumo das famílias
registrou alta de 5,1% em 2024. Em 2025, o aumento foi de apenas 1,3%. O que
vem sustentando a atividade econômica é um mercado de trabalho ainda apertado,
com crescimento real da renda. O temor de analistas é de um maior impulso
fiscal neste ano, não somente por aumento da execução do Orçamento federal,
como se viu na segunda metade de 2025, mas também por medidas populistas.
No início de fevereiro, o Ministério da
Fazenda atualizou a projeção do PIB de 2026 para um crescimento de 2,3%. Resta
saber de onde o governo vai tirar da cartola um impulso para sustentar um nível
de expansão da economia igual ao registrado em 2025 – medidas que, com base no
consenso mais baixo das estimativas do mercado, os analistas não incluíram nos
cálculos do PIB. O problema é que a fatura por gastos extras terá de ser paga
em algum momento. •

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