Folha de S. Paulo
Tempo é o maior inimigo, mas é a política que
está impedindo governador de enfrentar o problema de frente
Emedebista, que quer se candidatar ao Senado,
tenta empurrar a solução com a barriga
Sem apresentar até agora uma proposta
consistente para salvar o BRB,
o governador da oposição Ibaneis Rocha (MDB) vai ficar
de pires na mão e terá que pedir socorro ao governo Lula após o envolvimento do
banco público no escândalo de fraudes do Master.
O tempo é o maior inimigo do BRB, mas é a política que está impedindo Ibaneis de enfrentar o problema de frente. O governador quer se candidatar e ganhar uma vaga no Senado e tenta empurrar a solução com a barriga.
Uma operação de capitalização com apoio do
governo federal exigiria o reconhecimento público do rombo que a sua gestão
deixou no banco, diminuindo as suas chances de vitória e quiçá de concorrer nas
próximas eleições.
Ibaneis apresentou um plano chocho de
capitalização do BRB à Câmara Legislativa do DF porque teimosamente ainda acha
que pode resolver o vespeiro com o menor sacrifício financeiro e político
possível. Chega uma hora, porém, que contra números não dá mais para brigar.
Com a demora, o risco é aumentar a crise de confiança no BRB.
Os grandes privados, que já ajudaram adquirindo carteiras de crédito do BRB,
resistem em comprar ativos da instituição ligados ao Master. Os banqueiros
nunca engoliram a nebulosa transação de compra do banco de Daniel
Vorcaro pelo BRB e vão puxar o preço dos ativos para baixo na
bacia das almas. Já os bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa, por outro
lado, não estão autorizados pelo Ministério da Fazenda a fazer negócio com o
BRB. Não autorizar nada agora aumenta o poder de barganha depois do governo
petista.
Uma operação de empréstimo com garantia da Tesouro para capitalizar o BRB só
poderia ser feita se a Fazenda abrir uma exceção, uma vez que o governo do DF
está com as finanças em situação precária após um gestão voltada para a
expansão de despesas.
É a política no comando de um lado e de outro.
Só que o BRB não tem, na prática, os 180 dias que o Banco Central deu
para implementar um plano de capitalização crível e cobrir o rombo gerado pelas
carteiras fraudadas do Master.

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