O Globo
Lula resolveu culpar os endividados pelo endividamento da população. Nas suas palavras:
“Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo.”
Culpar a população por um problema é a marca
dos governantes tontos. E Lula não está tonto porque o endividamento das
famílias aumentou. O que o leva a culpar o povo são as pesquisas. Segundo a
Atlas/Bloomberg, a desaprovação do governo chegou a 54% e além disso, uma
simulação do segundo turno da eleição mostrou-o tecnicamente empatado com
Flávio Bolsonaro. O presidente tem 46,6% das intenções de voto e Bolsonaro II
ficou com 47,6%. Diferindo de seu pai, que aproveitava qualquer oportunidade
para fazer campanha, seu filho está jogando parado. Não apresentou plano de
governo e mal opina sobre as questões relevantes da vida nacional. De certa
maneira, alimenta-se do mau humor dos eleitores com o desempenho do governo.
Lula 3.0 completou três anos de governo sem
que tenha fixado uma marca. A fila do INSS arrisca bater a marca dos 3 milhões
de vítimas antes de outubro. Apesar do programa Pé de Meia, as matrículas de
jovens no ensino médio encolheram 6,3%.
Pode ser que o mau humor tenha a ver com o
cansaço, com os escândalos que não partiram do governo, com má marquetagem ou
também com salto alto.
Um exemplo dos perigos do salto alto veio do
ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e do presidente do INSS, Gilberto Waller
Júnior. Apesar das promessas do governo, a fila de vítimas aumentando, Queiroz
sustentou que os segurados deverão ser atendidos “no menor tempo possível”. O
doutor perdeu uma oportunidade de explicar porque três anos de promessas
atolaram.
Os estrategistas do Planalto surpreenderam-se
com a erosão da popularidade de Lula no andar de baixo. Não poderia ser de
outra forma, os aposentados foram roubados e os segurados não conseguem
atendimento. Waller Junior ofereceu um número que pode explicar a ruína: em 2022
(governo Bolsonaro) o INSS tinha 36 mil funcionários e em 2025 (governo Lula),
esse número caiu para 18 mil. O presidente do INSS comporta-se como um analista
que nada tem a ver com a gestão do governo.
O ministro pediu que se faça uma “boa
propaganda” da Previdência. Ganha um fim de semana em Teerã quem souber como
isso pode ser feito.
O cérebro de Trump
Algum parafuso está solto no cérebro do
presidente dos Estados Unidos. No dia 6 de março, Donald Trump, disse que
atacará o Irã até que ele ofereça sua “rendição incondicional”.
Três semanas depois, colocou na mesa de
negociação um plano de 15 pontos, rejeitado pelos aiatolás.
Em maio de1945, os Aliados exigiam a rendição
incondicional da Alemanha. O almirante Doenitz, que assumiu o governo depois do
suicídio de Hitler, mandou emissários ao general Eisenhower para negociar uma
paz na frente Oeste.
Nenhum deles foi sequer recebido.
Blefe
Com a decisão do Supremo Tribunal Federal de
limitar parcialmente os penduricalhos da magistratura, ressurgiu a ameaça de
provocar pedidos de aposentadoria.
É blefe. Noves fora os penduricalhos os
doutores têm gabinetes, secretárias e carros com motorista.
Fora da folha de pagamento da Viúva, essa
infraestrutura custa em torno de R$ 50 mil.
Aposentados, para manter o padrão de vida, os
doutores ficarão com essa conta.
Lulinha
Abril vem aí e Fábio Luís Lula da Silva, o
Lulinha, defende-se com o silêncio. É tudo que a oposição precisa.
Há um mês ele entrou na frigideira da CPI do
INSS e já está entendido que viajou com o Careca a Portugal para prospectar um
negócio. Agora sabe-se que ele prestou serviços de consultoria à Fictor, jogada
na frigideira do bando Master y otras cositas más.
Enquanto o negócio do Careca do INSS em
Portugal era essencialmente privado, na Fictor Lulinha era ligado ao empresário
Luiz Rubini, um ex-sócio da empresa, que passou a integrar o Conselho do
Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão. Este plenário tem
nome comprido e atribuições nulas. Apenas enfeita os currículos dos seus integrantes.
O Planalto ainda tem tempo para desativar
essa bomba relógio, armada para explodir na campanha eleitoral.
Lula tem dezenas de parentes e, desde que o
marechal Deodoro encrencou-se pela parentela, ele foi um dos presidentes que
menos misturaram a família com negócios do Estado.
A surpresa de Francisco
Está na rede um bom livro, infelizmente em
inglês. É The Election of Pope Leo XIV: The Last Surprise of Pope Francis (A
Eleição do Papa Leão XIV: A Última Surpresa do Papa Francisco, dos jornalistas
Gerard O'Connel e Elisabetta Piqué. Ele mostra como Francisco armou o quadro
que levou à eleição do americano/peruano Robert Prevost.
O argentino Jorge Bergoglio agiu em duas
direções. Numa, mudou o eleitorado, reduzindo a participação de cardeais
europeus e, sobretudo, italianos. Quando morreu, tinha nomeado 80% do Colégio
de Cardeais. Noutra, alavancou religiosos, principalmente o americano Robert
Prevost, bispo de uma diocese peruana e quem entregou o Dicastério dos Bispos.
Pela sabedoria convencional, a sucessão de
Francisco ficaria entre o secretário de Estado, o italiano Pietro Parolin e o
conservador hungaro Péter Erdö (o mais votado no primeiro escrutínio). Prevost
foi o segundo mais votado e Parolin o terceiro.
Prevost e Bergoglio conheceram-se em Buenos
Aires, mas o encontro foi desastroso para o americano. Prevost achou que nunca
chegaria a ser bispo. Feito Papa, Francisco deu-lhe uma diocese e estimulou sua
carreira de pastor no Peru. Anos depois entregou-lhe o poderoso Dicastério dos
Bispos, em Roma (responsável pela nomeação dos sacerdotes.)
A escolha de Leão XIV preserva o legado de
Francisco mas costura uma pacificação com os cardeais conservadores. Francisco
nunca deu pistas da sua preferência, mas O'Connel e Elisabetta Piqué, amigos
pessoais de Bergoglio, decifraram a armação.
Urucubaca fluminense
Em outubro os eleitores do Rio de Janeiro
irão às urnas. Esse eleitorado reelegeu Sérgio Cabral e Cláudio Castro com mais
de 60% dos votos.
Sete governadores do Rio deram-se mal.
Moreira Franco, Sérgio Cabral, Anthony Garotinho e sua mulher Rosinha, bem como
Luiz Fernando Pezão foram presos. Wilson Witzel foi impedido e seu vice,
Cláudio Castro, renunciou para não ser cassado.
Neste século, todos os cidadãos eleitos para governar o Estado do Rio foram presos e/ou impedidos.

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