O Globo
Senador sugeriu que eleição presidencial só
será ‘livre e justa’ se ele vencer
Flávio Bolsonaro quer convencer o governo americano a interferir na eleição brasileira a seu favor. O filho do capitão fez o pedido no Texas, terra dos caubóis. “Apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente”, conclamou, no fim de semana passado. Para o senador, as instituições funcionam quando se dobram ao autoritarismo do pai.
O Zero Um discursou na CPAC, reunião anual de
ultranacionalistas, supremacistas brancos e outros extremistas de direita. À
vontade, ele se apresentou como o “Bolsonaro 2.0” e prometeu ser um “parceiro
confiável” para Donald Trump.
Depois sugeriu entregar riquezas do subsolo em troca do apoio do republicano.
“O Brasil é a solução dos Estados Unidos para romper a dependência da China em
relação a minerais críticos, especialmente terras-raras”, afirmou, sem corar.
A vassalagem não parou na oferta de recursos
naturais. O senador descreveu o próprio país como uma peça a ser anexada ao
tabuleiro de Trump. “O Brasil está se tornando o campo de batalha onde o futuro
do hemisfério será disputado”, sustentou. Ele disse que o capitão estaria preso
por “defender nossos valores conservadores” e repetiu chavões contra a “elite
global” e a “agenda woke”.
Herdeiro do golpismo do pai, o candidato
insinuou que a eleição só será “livre e justa” se ele vencer. Acrescentou que o
capitão teria lutado contra a “tirania da Covid”. A frase deveria servir de
alerta a quem quer acreditar que Flávio é diferente de Jair. No governo do
Bolsonaro 1.0, quase 700 mil brasileiros morreram enquanto o presidente atacava
a vacina e sabotava as medidas de distanciamento.
Em outros tempos, o pedido de interferência
estrangeira poderia ser desprezado como mera bravata. Não é o caso no segundo
governo Trump. Desde que voltou ao poder, o republicano tem usado a diplomacia
do porrete para impor seus interesses à América Latina. Já ameaçou invadir o
Panamá, sequestrou o presidente da Venezuela e se meteu na eleição de Honduras.
Agora endurece o bloqueio a Cuba, deixando a ilha sem luz e combustível para
tentar derrubar o regime castrista.
Flávio está empenhado. Só neste ano, já foi aos EUA três vezes, embora ainda não tenha conseguido a sonhada foto com Trump. Deve voltar ao país em maio para encontros com lobistas e banqueiros. Seu irmão Eduardo continua a conspirar em solo americano contra as instituições brasileiras. Nesta quarta, ele disse que a Lei Magnitsky pode voltar a ser usada contra ministros do Supremo. “O Brasil corre o risco de não ter uma eleição reconhecida pelos Estados Unidos”, ameaçou o Bananinha.
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