Folha de S. Paulo
Racismo científico apregoou existência de uma
hierarquia racial na qual pretos e pardos encontram-se em condição de
inferioridade
Isso explica o fato de o talentoso jogador de
futebol Vini Júnior ter sofrido 20 ataques racistas em sua atuação pelo Real
Madrid nos últimos oito anos
Macaco. A designação comum aos primatas,
excetuando os seres humanos, é uma das manifestações mais explícitas e
agressivas de racismo.
Chamar, ou melhor, xingar uma pessoa negra usando essa expressão é uma forma de
desumanização, animalização, inferiorização e negação de direitos humanos.
A origem da associação criminosa (racismo é crime, vale lembrar) de pessoas negras a símios (macacos, gorilas, chimpanzés…) segue a lógica da teoria (furada) do racismo científico, que apregoou existência de uma hierarquia racial na qual pretos e pardos encontram-se em condição de inferioridade.
É isso o que explica o fato de um jogador
profissional de alto rendimento e extremo talento como é o Vini Júnior ter
sofrido 20 ataques racistas durante sua atuação em campo pelo Real Madrid nos
últimos oito anos. O mais recente
episódio ocorreu numa partida contra o Benfica, em Portugal, na
semana passada. A Uefa, organismo máximo do futebol europeu,
abriu investigação para apurar o caso.
Recentemente A Fifa elaborou um protocolo
antirracismo (que abrange manifestações da torcida, gestos discriminatórios de
jogadores, integrantes de comissões técnicas e funcionários de clubes) para
responder às ofensas raciais cada vez mais frequentes nos estádios.
Para além dos campos de futebol, creio que
todo mundo lembre da postagem racista do presidente dos EUA em sua rede social
associando, com o auxílio da IA, os rostos do ex-presidente Barack Obama (único
negro a chegar ao comando da Casa Branca) e de sua esposa, Michelle, a corpos
de macacos.
Por estas bandas, xingar de
"macaco" ou fazer gestos que remetem ao comportamento deste animal
configura injúria racial (Lei 14.532/2023), crime equiparado ao racismo, com
pena de reclusão de 2 a 5 anos. Neste ano, uma turista
argentina foi presa preventivamente após ofender funcionários
de um bar da zona sul do Rio de Janeiro, chamando os trabalhadores de mono
(macaco em espanhol). A prisão foi revogada e o processo corre em sigilo. A
conferir.

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