sábado, 6 de junho de 2026

Por amizade, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Daniel Vorcaro tem esculachado – sob novos graus de esculacho – a já esculachada colaboração premiada brasileira, cuja matriz a serviço do interesse público está posta em xeque novamente, pela preponderância da má-fé de um corruptor obstrutor da Justiça que opera os recursos de uma concessão excepcional do Estado para proteger o próprio patrimônio; também a sua porção imaterial...

Quantas chances lhe darão Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal? Quantas, se as investigações estão lá na frente – capazes já de lhe prescindir da palavra – e o tipo insiste em gerir a negociação como instrumento de defesa de mão única, protelatório, com contrapartida debochante e plantador de condições para nulidades?

Quando a humanidade virou negócio, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

Nenhuma tecnologia consegue ocupar o lugar de uma família – a menos que nós mesmos o entreguemos

Uma cena muito comum hoje é um casal com uma filha durante o almoço, num restaurante, quando o pai e mãe estão entretidos com os seus smartphones e a criança assistindo a um vídeo. A imagem pode num primeiro instante se mostrar lúdica, afinal a criança está distraída, não dando trabalho algum, e os pais, também, distraídos, envoltos consigo mesmos. Quadro que ilustra bem o argumento trazido por Eugênio Bucci no seu artigo O Papa e a técnica, quando ele diz que uma criança diante de uma tela não está apenas consumindo mídia; está participando de uma engrenagem econômica que transforma atenção em receita; dados, em valor; e comportamento, em lucro.

A primeira vítima, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O autor do livro "A primeira vítima", o inglês Phillip Knightley, afirma que, em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade. Nos dias de hoje, Donald Trump dá razão ao autor

Há um livro clássico sobre o exercício do jornalismo em tempo de guerra. Seu título é A primeira vítima, do autor inglês Phillip Knightley, publicado em 1978 pela editora Nova Fronteira. É um ótimo trabalho de pesquisa, recomendável para quem gosta de estudar a ação dos jornalistas em momentos tumultuados. O autor não alivia: em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade. Nos dias de hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dá razão ao autor. Ele diz e desdiz, dia após dia, o que ocorre na sua guerra contra o Irã.

No primeiro momento, a imprensa dos Estados Unidos anunciou que a defesa do adversário estava destruída. Depois, os jornais verificaram que a realidade não era aquela. Em seguida, os jornais foram obrigados a reconhecer que o dispositivo nuclear daquele país está preservado. Trump anunciou o desaparecimento de um império, em referência à Pérsia, ofereceu sucessivos prazos para que o conflito terminasse. E não aconteceu nada. O Estreito de Ormuz continua fechado. O preço do barril de petróleo, que é a única expressão da verdade, persiste muito elevado.

Fim do Pix? Um debate que não deveria existir, por Juliana Diniz*

O Povo (CE)

Por mais que a opinião pública esteja muito firme no seu apoio ao meio de pagamento brasileiro, o simples fato de que um expoente do bolsonarismo, filho de Jair Bolsonaro e irmão do pré-candidato, se sinta autorizado a colocar a possibilidade na mesa deveria causar espanto

Depois do anúncio de mais um tarifaço e da classificação de duas organizações criminosas brasileiras como terroristas, temos um outro tema no centro das tensões entre Estados Unidos e Brasil: o Pix. Os americanos já manifestam há algum tempo seu descontentamento com o meio de pagamento que se popularizou por aqui: considerado uma ameaça ao lucro das empresas de cartão de crédito, o Pix foi inserido por Donald Trump num caldo confuso que envolve combate ao crime organizado e debate sobre equilíbrio da balança comercial.

Que as medidas tenham sido anunciadas logo após a visita do senador Flávio Bolsonaro não é uma surpresa. A correlação entre visita e sanções é notória, e nem precisaríamos da foto publicada pelo próprio presidente americano no dia da revelação do tarifaço para perceber o esforço do bolsonarismo em instrumentalizar sanções para fins eleitorais.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Há saídas para Brasil enfrentar tarifas americanas

Por O Globo

Além de ampliar lista de exceções, país pode diversificar exportações para China e, sobretudo, Europa

Não há como menosprezar o impacto da investida tarifária disparada pelos Estados Unidos na direção do Brasil. Se vingarem as duas ondas — a primeira derivada de uma investigação específica de práticas comerciais brasileiras, a segunda com base em acusações de uso de trabalho forçado dirigidas a 60 países —, produtos brasileiros serão submetidos a taxas de até 37,5% para entrar no mercado americano. Mas também não se deve menosprezar a capacidade de adaptação da economia brasileira para mitigar os efeitos dessas medidas. Há duas vias de escape às tarifas, e ambas vêm sendo desbravadas.

A primeira via é a lista de exceções aberta pelo próprio governo americano na investigação que recomenda as tarifas, incluindo commodities como carne e café, além de dezenas de outros produtos que interessa aos Estados Unidos continuar comprando do Brasil — na prática, as tarifas mais elevadas recaem sobre algo como um quinto das exportações brasileiras, a maioria industriais. Enquanto essa lista não estiver fechada, os negociadores do Itamaraty e grupos empresariais farão todo tipo de pressão para ampliá-la. Os americanos já se disseram abertos e poderão ceder em vários mercados.

A segunda via de escape é a mais relevante. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que, se os Estados Unidos não quiserem comprar do Brasil, venderemos para outros países. Na prática, é o que já vem acontecendo. Enquanto as exportações para os americanos caíram 16% no ano passado (de R$ 16,6 bilhões para R$ 14 bilhões), as vendas aos chineses cresceram 22% (de R$ 37,9 bilhões para R$ 46,2 bilhões). A participação chinesa no total de importações de produtos brasileiros cresceu de 28% para 31%, enquanto a americana caiu de 12% para 9%. Já diminuiu, portanto, a importância do mercado americano para os exportadores brasileiros.

A maior oportunidade de diversificação parece estar não apenas na China, mas sobretudo na União Europeia (UE), cuja participação nas compras do Brasil caiu de 15% para 14,7%, embora em valor elas tenham subido, de R$ 20,4 bilhões para R$ 21,8 bilhões. Com o distanciamento dos Estados Unidos da Europa, abalando a aliança atlântica, surgiu uma oportunidade de aproximação com o Brasil. Ela ganha força com o acordo comercial Mercosul-UE, que entrou em vigor no início de maio, mesmo parcialmente.

Os benefícios para a economia brasileira serão enormes. Além de ampliar o mercado de exportação, o tratado beneficia o país ao expor setores industriais e de serviços à competição externa. Uma vez consolidado, o bloco comercial reunirá 720 milhões de habitantes, pouco mais que o dobro da população americana, com PIB conjunto de US$ 22 trilhões, menor que o americano e pouco maior que o da China.

No período de 27 anos em que o acordo foi negociado, a agropecuária brasileira deu um salto, a ponto de passar a ser temida pelo setor agrícola europeu. Da mesma forma, setores industriais e de serviços no Mercosul temem empresas europeias. Ambos os lados ganharão com a competição mútua. O Brasil precisa aproveitar para se modernizar e extirpar bolsões de ineficiência que persistem na economia. Se o mercado americano se fecha, o europeu se abre, e o chinês continuará ávido por produtos brasileiros. Não há, portanto, nenhum motivo para pânico com as tarifas americanas.

Investigação sobre venda de sentenças no Judiciário deve prosseguir até o fim

Por O Globo

Zanin fez bem em prorrogar prazo de inquérito que apura esquema envolvendo Justiça local e STJ

Foi acertada a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de manter na Corte inquéritos que apuram venda de sentenças judiciais e de prorrogar o prazo das investigações. Na última semana de maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nove suspeitos, sob a acusação de acesso indevido e venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Há mais a apurar. Como alguns alvos investigados têm direito a foro especial por prerrogativa de função, Zanin manteve parte dos inquéritos no STF. Ele enviou outros inquéritos sobre irregularidades em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins a tribunais de instância inferior.

No dia 5 de dezembro de 2023, o advogado Roberto Zampieri foi morto a tiros em frente a seu escritório em Cuiabá. No celular dele, os policiais encontraram registros de negociações sobre a venda de decisões judiciais em diversos tribunais. De lá para cá, a Polícia Federal (PF) deflagrou operações que resultaram em mandados de busca e apreensão para apurar a suspeita de crimes como formação de organização criminosa, corrupção, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro. Zampieri, como as investigações revelaram depois, era cliente de esquemas em tribunais locais e de um com atuação no STJ.

O trabalho policial colheu indícios e provas contundentes sobre acesso antecipado a minutas de voto, influência na distribuição de processos e atuação coordenada para dirigir resultados. De acordo com relatório da PF, entre 2019 e 2023 funcionou um “mercado paralelo de influência” no STJ com a atuação de três núcleos: servidores do tribunal, advogados, intermediários e empresários, sobretudo do setor agroindustrial.

Entre os denunciados pela PGR estão Daimler Campos, ex-chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti, e Márcio Toledo Pinto, ex-técnico judiciário do STJ que atuou no gabinete da ministra Nancy Andrighi. “O desenvolvimento das apurações afastou qualquer elemento de vinculação subjetiva das referidas autoridades aos fatos examinados”, afirmou o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em manifestação que acompanhou a denúncia, Gonet disse não haver referência aos nomes das ministras. Embora não haja indício de envolvimento delas, outros integrantes do Judiciário ainda estão no radar da polícia.

As investigações sobre venda de sentenças judiciais precisam prosseguir e ser aprofundadas. Nada pode ser mais prejudicial à imagem da Justiça brasileira do que a proteção a altas autoridades envolvidas em crimes ou irregularidades. Não pode pairar nenhuma dúvida sobre a idoneidade de quem tem a responsabilidade de tomar decisões judiciais. Além de investigar, denunciar e julgar os acusados, é preciso tomar medidas para evitar que novas máfias tomem conta de tribunais em Brasília e no resto do país.

Eduardo Bolsonaro colocou a digital contra o Pix e foi tudo gravado, por Adriana Fernandes


Folha de S. Paulo

Ao citar o Zelle, um sistema privado de pagamentos e transferências operado por bancos americanos, Eduardo Bolsonaro propôs negociar com os Estados Unidos

Não há nada a negociar. O Pix é hoje a marca mais forte admirada pelos brasileiros

Eduardo Bolsonaro colocou a digital contra o Pix e foi tudo gravado. Ao citar o Zelle, um sistema privado de pagamentos e transferências operado por bancos americanos, o ex-deputado federal cassado propôs negociar com os Estados Unidos.

Ele disse literalmente: "Os Estados Unidos, né, têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle. É o Pix dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá para você sentar, dá para negociar."

Filho de Bolsonaro vai de Rachadinha a Tariflávio, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

O tarifaço 2.0 é um desastre para a campanha bolsonarista

Aumenta a desconfiança de que está em curso uma ofensiva dos EUA nas eleições

Para afastar o caso "Dark Horse" de seus calcanhares, Flávio Bolsonaro decidiu bajular Donald Trump. Conseguiu a foto no salão oval e um elogio do bufão —"garoto inteligente"—, mas o problema está longe de terminar.

Além da operação da polícia de São Paulo contra Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, novas mensagens obtidas pelo site Intercept Brasil indicam que, após as cobranças de Flávio, o "irmãozão" Daniel Vorcaro deu prioridade aos pagamentos que teriam sido destinados ao filme.

Fundos de pensão, Banco Master e boa governança, por Marcus Pestana

Assegurar dignidade a todos aqueles que se dedicaram décadas ao trabalho e aposentam foi uma preocupação crescente ao longo do século XX. O primeiro sistema previdenciário de âmbito nacional foi criado antes disso, por Bismarck, na Alemanha, em 1883.

A ideia era reunir uma poupança financeira a partir de contribuições de patrões, trabalhadores e do governo, para socorrer as pessoas impossibilitadas, temporária ou definitivamente, de ganhar a vida com seu trabalho, graças a um agravo de saúde, acidente de trabalho, invalidez, envelhecimento, desemprego. No Brasil, a Lei Eloy Chaves data de 1923. Foi a base inicial de nosso sistema previdenciário, permitindo a organização de diversas Caixas de Aposentadorias e Pensões de ferroviários, bancários, entre outros.

Nossa “Escolha de Sofia”, por Cristovam Buarque

Revista Veja  

Milhões de brasileiros são abandonados à margem da educação

Dos 2,5 milhões de brasileiros nascidos em 2025, no máximo 300000 concluirão, em 2043, a educação básica com a qualidade necessária para enfrentar e usufruir do mundo contemporâneo, dispondo do mapa para buscar sua felicidade pessoal e das ferramentas para construir um país melhor. A cada ano, o Brasil escolhe 2 milhões de seus recém-nascidos e os deixa para trás, abandonados por uma espécie de “Escolha de Sofia”.

No livro de William Styron, depois levado ao cinema, a mãe, obrigada por soldados nazistas a escolher qual de seus dois filhos sobrevive, fica traumatizada e termina sua vida em suicídio. O Brasil sacrifica milhões de suas crianças como se não houvesse escolha: abandonadas pela lógica de que seus pais não têm recursos para pagar uma boa escola privada ou porque não conseguem vaga em uma das raras públicas de excelência, quase sempre federais. Como se fosse um destino natural que define quem recebe boa educação e o direito à inclusão social, e quem é abandonado.

O impacto externo e as eleições, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Em uma disputa apertada, a crise com os EUA poderá ser decisiva

Pelo menos desde 1945 não há registro de eleições brasileiras tão influenciadas por fatores externos. Naquele ano, a ditadura de Getúlio Vargas foi derrubada a partir de uma situação paradoxal: o Brasil lutava contra regimes totalitários, ao lado das democracias clássicas, sendo ele próprio uma ditadura. Tinha sido arrastado ao conflito mundial em razão de seu valor estratégico como fornecedor de matérias-primas aos aliados.

Oitenta anos depois, estamos no meio de uma guerra tarifária, de uma disputa geopolítica pelas nossas terras-raras e ainda somos atingidos por decisões como a declaração de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas. As questões nos colocam no turbilhão geopolítico contemporâneo.

Trump ataca, por Pedro Serrano

CartaCapital

A classificação de facções criminosas domésticas como terroristas e a ameaça de um novo tarifaço não são atos isolados, e sim uma ofensiva contra a soberania brasileira

Os mais recentes ataques trumpistas à soberania brasileira, ao classificar facções criminosas domésticas como terroristas e ao propor um novo tarifaço por supostas práticas comerciais desleais, não são atos isolados, mas tentáculos de um autoritarismo nefasto. As formas autoritárias do século XXI possuem determinadas especificidades, quando comparadas com as do século anterior. Ainda que identifiquemos elementos de continuidade, as manifestações dos últimos anos, por estarem diluídas na rotina democrática, tornam o tema ainda mais desafiador.

O autoritarismo deixou de ser a manifestação de um governo de exceção, em sua acepção clássica, para dar lugar às medidas de exceção associadas à produção fractal e líquida. Utilizamos a denominação autoritarismo líquido para falar dessa nova natureza no interior das rotinas democráticas, por se tratar de medidas fragmentadas, cirúrgicas, acionadas sob uma aparência de legalidade, o que torna sua identificação mais difícil.

Patrulha no quintal, por Jamil Chade

CartaCapital

Trump apressa a militarização do subcontinente, com o beneplácito dos governos locais de extrema-direita

A América Latina, “quintal” dos Estados Unidos, nunca esteve tão vigiada. Em apenas 17 meses no poder, Donald Trump impôs acordos bilaterais a 17 países do subcontinente para garantir aliança militar, uso do espaço aéreo, instalação de bases, imunidade para soldados e espiões e troca de informações dos serviços de inteligência. A decisão de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas não foi gesto isolado. Desde o ano passado, o objetivo de Washington é retomar, de qualquer maneira, a influência política, militar e econômica na região, palco da nova disputa com a China.

Terras-raras, mentes rarefeitas, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

O déficit não é fiscal, é de inteligência. Austeridade já, corte duro e sem dó na estupidez tupiniquim!

Neste país abençoado por Deus e bonito por natureza, com 25% da oferta mundial de terras-raras e 1% de mentes raras, podemos concorrer com os Estados Unidos da América na estupidez, com certeza. Abundante em minérios críticos, raras mentes críticas.

Contra a hiperinflação nacional de estupidez não há regime de metas que salve! Propomos criar metas para a estupidez nacional, uma meta que disciplina não os preços relativos, mas o besteirol exponencial que exala diariamente nas mentes raras. Um corte drástico não de gastos, mas de asneiras. O déficit­ não é fiscal, é de inteligência. Austeridade já, corte duro e sem dó na estupidez tupiniquim.

O derradeiro humanista, por Leneide Duarte-Plon

Carta Capital

O filósofo Edgar Morin rejeitava todo tipo de nacionalismo e xenofobia

Um dos mais respeitados e lidos intelectuais franceses, doutor honoris causa de 40 universidades do mundo, pensador da complexidade e do saber transdisciplinar e humanista, Edgar Morin rejeitava toda forma de espírito clânico, qualquer nacionalismo, toda xenofobia. Costumava dizer que seu espaço era o mundo, todo ser humano era seu igual. Sentia-se cidadão da Terra-Pátria, ameaçada pela ação predadora do homem. Em seu engajamento pela biodiversidade, via “o poder esmagador do dinheiro na origem da degradação do meio ambiente”.

Poesia | Os sapos, de Manuel Bandeira

 

Música | Nara Leão e Fagner - Traduzir-se (Ferreira Gullar)