Folha de S. Paulo
Já não basta a Trump ser o homem mais
poderoso deste mundo; quer ser o do outro também
Para a psiquiatria nos EUA, seu caso já é de
camisa de força e doses triplas de sossega-leão
Quais são os mais populares heróis de hospício? Perdão, quais são as figuras históricas que pessoas mentalmente comprometidas mais são dadas a interpretar nas casas de repouso? Pelos compêndios, os campeões são Napoleão, Sherlock Holmes, Elvis Presley e Jack, o Estripador. Para as mulheres, Cleópatra, a rainha Elizabeth e Marilyn Monroe. Mas há uma figura que supera todas as outras, e que a ciência já nem considera: Jesus Cristo.
O que leva esses infelizes a se julgarem tais
mitos? Segundo os especialistas, são desvios de várias categorias, levando à
troca de identidade. Não quer dizer que todos os assolados por esses males
tenham os ditos delírios. Só mesmo os muito, muito graves, acometidos pelo que
tecnicamente se chama "complexo de messias". É como aliviam seu ego
do complexo de inferioridade e de insegurança, criando uma identidade de
grandeza compensatória. Os personagens heroicos lhes conferem a ilusão de
importância e poder em grau máximo.
Estes são textos de psiquiatras que colhi por
acaso na literatura médica há alguns dias. Pois não é que, na segunda-feira
(13), o mundo foi surpreendido pela chegada do novo messias há tantos séculos
esperado? E logo quem! Donald Trump,
o homem mais poderoso do mundo em sua condição civil de presidente dos Estados
Unidos! Num pôster oficial da Casa Branca, surgiu-nos
como ninguém menos que Jesus Cristo, com um facho de luz na mão
esquerda, enquanto, com a direita, salva um moribundo. À sua volta, um soldado,
uma enfermeira, uma fiel e um homem com um boné do MAGA ("Make America
Great Again"), todos abençoados por águias e soldados celestiais e pela
bandeira americana.
Não há uma terceira via. Ou são loucos os
fiéis a esse Trump senhor do céu e da Terra ou o louco será única e apenas
Trump, por acreditar em si próprio. A favor da segunda opção, levantam-se
sérios profissionais da medicina nos EUA, para os quais o presidente já é caso
de camisa de força e doses triplas de sossega-leão.
Que isso nos previna contra os messias do
nosso hospício.

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