Folha de S. Paulo
Polícias de SP mataram em média duas pessoas
por dia neste ano
Abusos policiais não têm nada a ver com
combate ao crime
As polícias paulistas nunca foram tão violentas quanto hoje sob Tarcísio de Freitas, ao menos desde o início da série histórica, há 30 anos. Entre outubro a dezembro de 2025, policiais em SP mataram 276 pessoas, o trimestre mais sangrento desde 1996, quando se iniciou a contagem. Em 2026, policiais paulistas mataram uma média de duas pessoas por dia, 130 ao todo entre janeiro e fevereiro, um aumento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Não há que se falar em moderação política se
Tarcísio titubeia no controle das polícias. Não é preciso ser de esquerda para
prover segurança pública sem aumentar a letalidade policial: por exemplo, o
governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, conseguiu reduzir em 43% a
letalidade policial entre 2024 e 2025 com queda drástica nos crimes violentos
entre 2019 e 2025. Tarcísio poderia ouvir mais seu secretário de Segurança
Pública pós-Derrite, para quem as câmeras protegem o bom policial e para quem é
possível mudar o cenário de letalidade policial.
É verdade que a letalidade policial no Brasil
não é privilégio da direita. O número de pessoas mortas por policiais aumentou
em 17 estados do país em 2025, em governos comandados por PT, PL, União Brasil,
Republicanos, PSD, PSB, Novo e MDB.
O caráter ideologicamente eclético da violência policial
revela, de um lado, o quão estrutural é o problema e, de outro, a falência de
discursos de combate à insegurança, pauta cara ao eleitorado, com menos
letalidade.
Dados em SP mostram que a violência policial
se espalhou, com mais casos ocorrendo em cidades do interior do estado, e foi
puxada pelas tropas de elite da PM, que deveriam melhor controlar seus agentes.
Arrastar uma diarista no meio da avenida
Paulista para uma viatura ou esperar mais de 30 minutos para resgatar uma pessoa
baleada por uma PM na zona leste de São Paulo —dois
exemplos recentes— mostram que abusos policiais não têm nada a ver com combate
ao crime. Falta moderação a Tarcísio por negar que segurança pública seja mais
que mortes pela polícia.

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