sábado, 11 de abril de 2026

Trump diz que vai fortalecer economia da Hungria se Orbán vencer eleição

Por Folha de S. Paulo

Governo dos EUA interfere no pleito húngaro para tentar ajudar autocrata, no poder há 16 anos

Presidente diz estar ansioso para 'investir na prosperidade criada pela liderança contínua" de Orbán

O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, disse nesta sexta-feira (10) que vai "fortalecer a economia da Hungria" caso o primeiro-ministro Viktor Orbán, que enfrenta uma eleição acirrada neste domingo (12), permaneça no poder.

"Meu governo está pronto para usar todo o poderio econômico dos EUA para fortalecer a economia da Hungria, como fizemos para nossos aliados no passado, se [Orbán] e o povo húngaro precisarem", escreveu Trump em sua plataforma, a Truth Social. "Estamos ansiosos para investir na prosperidade futura gerada pela liderança contínua de Orbán!"

Trata-se da mais recente e flagrante interferência de Trump e seu governo no pleito da Hungria —que, segundo pesquisas, pode acabar com o longo período de Orbán no poder. O autocrata comanda o país do Leste Europeu há 16 anos e transformou suas instituições para permanecer no cargo, aparelhando o Judiciário, alterando regras eleitorais e controlando a imprensa.

O vice-presidente americano, J. D. Vance, esteve no país nesta semana e transmitiu juras de amor de Trump a Orbán. "O presidente ama você", disse Vance. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, já havia estado no país fazendo campanha para o primeiro-ministro. Mais cedo, o próprio Trump pediu votos para o premiê húngaro em postagem no Truth Social: "SAIAM E VOTEM EM VIKTOR ORBÁN".

Apesar da pesada interferência —ou talvez por causa dela—, levantamentos apontam que o primeiro-ministro pode perder a eleição desta vez: a coalizão centrista de Péter Magyar está dez pontos percentuais à frente do Fidesz, partido de Orbán.

No domingo, 8,1 milhões de húngaros aptos a votar responderão se Orbán seguirá no poder após 16 anos de gestões controversas, marcadas por conservadorismo e mudanças institucionais.

O governo brasileiro, por sua vez, vê as eleições húngaras como um teste para uma possível interferência dos Estados Unidos no pleito presidencial no Brasil em outubro. Parte do governo monitora a votação para avaliar a eficiência das ações do governo Trump em favor de Orbán.

Nas palavras de um integrante do governo Lula, a eleição húngara será a primeira lição de casa de observação para o Planalto avaliar como lidar com as tentativas de interferência americana. As eleições na Colômbia (em 31 de maio, em que concorre um candidato de esquerda apoiado por Gustavo Petro) e do Peru (também no próximo domingo) serão outros dois pontos de observação.

Reportagens investigativas revelam que, além dos EUA, serviços de inteligência russos trabalham ativamente para a recondução do primeiro-ministro húngaro, cuja proximidade com Vladimir Putin incomoda a União Europeia.

O presidente russo é tratado como uma ameaça existencial pela maioria dos integrantes do bloco desde a invasão da Ucrânia, em 2022, e os seguidos vetos de Orbán à medidas de apoio à Ucrânia transformaram o pleito atual em um dos maiores desafios para Bruxelas nos últimos anos.

Em uma carta endereçada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, membros do Parlamento Europeu que monitoram o Estado de Direito na Hungria alertaram para o risco de manipulação do pleito patrocinada por Moscou.

O Kremlin estaria repetindo ações híbridas já detectadas em eleições recentes do Leste Europeu, que vão de canais de notícias criados por inteligência artificial a conteúdo viralizado por canais do Telegram. Segundo o jornal americano The Washington Post, assessores russos chegaram a recomendar um atentado encenado contra Orbán, entre outras medidas de impacto para tentar reverter a tendência das pesquisas de opinião.

A notícia de que explosivos teriam sido encontrados em um gasoduto na Sérvia, outro país na esfera de influência de Moscou, também foi percebida como armação. A campanha de Orbán tenta resgatar um sentimento nacionalista, acusando Ucrânia e UE de sabotarem a segurança energética do país e tentarem arrastar a Hungria para a guerra.

 

 

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