Folha de S. Paulo
Queda de Toffoli, PF, ação da CPI do Crime
Organizado e ataque a Lulinha perturbam acerto
Recomeço de investigações e medo de perder
proteção incentivam ameaças e retaliações
O acordão para "abafar o caso" está
com desarranjo. Balançam os acertos tácitos ou explícitos de proteger amigos e
comparsas nos casos do Master, da roubança do INSS e
até dos esquecidos fundos secretos da Reag.
As partes envolvidas, sejam investigadores, políticos ou seus aliados, estão atirando mais à vontade e, no caso da política, uns contra os outros. A soberba de Dias Toffoli ajudou. A Polícia Federal mais solta contribui. A barbeiragem dos governistas na CMPI do INSS também. Políticos investigadores em campanha eleitoral põem algum fogo no circo.
Há até parlamentar interessado de fato na
investigação contribuindo para prejudicar o arranjo da impunidade. O fato é que
a turma do abafa vai ter de repactuar o acerto.
Quando há desarranjo no acordão, dá besteira.
Ou melhor, risco de besteira para os envolvidos, a possibilidade de que muito
documento seja jogado no ventilador. Não é assim que deveria funcionar a
República, mas esta República está funcionando de modo ainda pior do que de
hábito.
Além das corrupções mais corriqueiras, parece
haver corrupção mais extensa ou evidente para institucionalizar a corrupção
(sic) e, assim, também entrincheirar feudos na política (como é o caso da
roubança das emendas e, talvez, o do Master).
O estremecimento do pacto da pizza ficou
evidente nas providências de quarta-feira da CPI do Senado contra
o Crime Organizado, que se tornou CPI alternativa e em escala menor do Master,
pois uma CPI de fato sobre os rolos federais do banco de Daniel Vorcaro está
barrada pelos comandos de Senado e Câmara.
A coisa desandou nesta quinta, na CPMI do
INSS, com dezenas de convocações, de quebras de sigilo de gente envolvida e de
Fábio Lula da Silva, o Lulinha,
troféu da oposição, embora gente graúda na roubança do INSS tenha ficado de
fora da ofensiva.
"O jogo virou", disse Carlos Viana
(Podemos-MG), presidente da CPMI, depois da derrota do governismo, que dominava
a comissão. Enfim, como revelou o Poder360, os sigilos do filho do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva haviam sido quebrados por André
Mendonça, ministro do STF, a pedido
da PF, em janeiro.
O desarranjo suscitado por medo da polícia e
suspeitas de ataque político começou com a queda de Dias Toffoli da relatoria
do inquérito do Master, de certo modo provocada pela PF, que vinha sendo objeto
de tentativas de intimidação. Sob André Mendonça, a PF foi liberada para
investigar o rolo Master —ou ao menos perdeu antolhos e rédeas da relatoria
Dias Toffoli.
Mendonça também liberou o trabalho do Coaf.
Mas permitiu que os irmãos de Toffoli cabulem a convocação da CPI do Crime
Organizado. A PF já vinha causando raiva por causa das investigações sobre a
roubança das emendas, o que irrita sobremaneira Davi Alcolumbre (UB-AP),
presidente do Senado.
Centrões e direitões acham que Lula instiga
os policiais contra parlamentares suspeitos de apropriação indevida do
Orçamento —mas a PF investiga Lulinha. Os governistas foram justamente a
Alcolumbre para pedir uma espécie de habeas corpus político para Lulinha, para
cancelar a quebra do sigilo do filho de Lula, que teria sido aprovada, entre
outros 86 requerimentos, em votação fraudulenta.
Alcolumbre está incomodado com o governo
desde 2025 e, neste ano, deixa morrer projetos de interesse de Lula 3. A PF
solta dificultaria o acordão. Há muito fio solto, de resto. Repactuar o arranjo
vai dar trabalho. Mas vai ter conversa.
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