O Estado de S. Paulo
Senador está sendo cobrado pela Faria Lima a anunciar o comandante da economia
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está sendo
cobrado pela Faria Lima a anunciar o comandante da economia caso vença as
eleições em outubro. A expectativa em seu entorno é de que o nome seja
divulgado em breve, seguindo o mesmo roteiro adotado por seu pai na campanha de
2018.
À medida que o senador vai subindo nas pesquisas de intenções de voto e se consolidando como o candidato da direita, a ansiedade do mercado aumenta. Enquanto o posto de vice-presidente é barganhado pelos partidos políticos, é o ministro da Fazenda que interessa aos investidores porque ele precifica o “risco” do candidato.
E detona ou não um rally de preços.
Alguns nomes dos postulantes a novo Posto
Ipiranga já circulam por aí e são todos ligados à gestão do ex-presidente Jair
Bolsonaro: Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro, Gustavo Montezano,
ex-presidente do BNDES, Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC.
Também é aventada a possibilidade de uma
mulher: Daniella Marques, ex-presidente da Caixa.
Embora não desponte como favorita na campanha
de Flávio, Marques é muito bem-vista no mercado, não só por sua capacidade
técnica, que é excelente, mas também por ser mulher.
Ele é chamada de “PG de saias”, uma
referência ao ex-ministro Paulo Guedes, de quem é muito próxima.
No bolsonarismo e também no mercado, ser mulher não costuma ser um predicado muito valorizado.
Porém, alguns banqueiros atentos, em
conversas com a coluna, elencaram o ganho que a escolha de Marques traria para
a campanha de Flávio, que vem tentando fazer acenos para o centro, para as
mulheres e até para a comunidade LGBTQIA+.
Formada em Administração pela PUC-Rio,
Marques já era uma das assessoras mais próximas de Guedes quando assumiu a
Caixa em junho de 2022. Foi num momento delicadíssimo, após denúncias de
assédio sexual contra o ex-presidente do banco Pedro Guimarães.
Daniella soube tirar o banco da crise de
imagem e certamente fortaleceria a pauta feminina num eventual governo Flávio
Bolsonaro.
Mais moderada e mais política que Guedes,
adequa-se com perfeição ao perfil que Flávio quer passar. Ele deseja convencer
a sociedade de que é mais moderado e político do que o pai.
Banqueiros acreditam que, com o respaldo de
Marques, Flávio poderia ganhar credibilidade e se apresentar como uma nova
geração. Pelo menos na economia. As dúvidas sobre o respeito dos Bolsonaro à
democracia permaneceriam as mesmas.

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