O Estado de S. Paulo
Joesley e Odebrecht financiavam campanha; Daniel Vorcaro distribui apartamentos
Doze anos depois do início da Lava Jato,
Daniel Vorcaro, do banco Master, substituiu Marcelo Odebrecht, da antiga Odebrecht,
e Joesley Batista, da JBS, no noticiário dos escândalos de corrupção do Brasil.
Assim como naquela época, as investigações
não poupam nenhum lado do espectro político. Atingiram o senador Jaques Wagner
(PT-BA), que é amigo próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o
senador Ciro Nogueira (PPPI), que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.
As suspeitas bateram no senador Flávio Bolsonaro (PLRJ), pré-candidato à Presidência. Chegaram à cúpula do Congresso, respingando no presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Mas há diferenças importantes. Boa parte do
dinheiro distribuído por Odebrecht e Joesley era caixa 2 de campanha,
principalmente do PT, mas não só. Dizia-se que o financiamento público
resolveria o problema.
Em 2026, o fundão eleitoral chega a R$ 4,96
bilhões, com PL, PT e União Brasil abocanhando as maiores fatias. No entanto, a
PF descobre evidências de que Vorcaro estava distribuindo dinheiro a rodo em
Brasília.
Trata-se de corrupção pura e simples. Para
Wagner, a suspeita é de tratativas para a compra de um apartamento de R$ 2,45
milhões em Salvador. Já Ciro recebia pagamentos mensais que variavam entre R$
300 mil e meio milhão de reais.
São apartamentos para lá e para cá, viagens
de luxo na Europa
e em resorts caríssimos, caronas em jatinhos,
festas nababescas, jantares em restaurantes estrelados com carne embalada a
ouro.
Além disso, os valores superam e muito
aqueles distribuídos individualmente nas épocas de mensalão ou petrolão, quando
poucas vezes passavam da casa do milhão.
Segundo reportagem da revista Veja,
Alcolumbre teria recebido a estonteante quantia de R$ 155 milhões – algo ainda
a se confirmar.
Flávio pediu R$ 134 milhões para financiar o
filme Dark Horse, a autobiografia do seu pai. Apenas R$ 61 milhões teriam sido
efetivamente pagos, ainda assim, muito dinheiro para um filme.
Outro ponto que chama a atenção é ter cruzado
as fronteiras do Legislativo e atingido o Judiciário. O contrato com o
escritório da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de
Moraes chega a R$ 129 milhões. Já as transações com as cotas do resort do
colega Dias Toffoli atingem R$ 35 milhões.
É tanto dinheiro, em tantas frentes, que
espanta como um banqueiro de uma instituição média conseguiu ir tão longe.
Seria Vorcaro mesmo o cabeça e beneficiário principal de todo o esquema?

Um comentário:
Correto,eu só trocaria o ''autobiografia'' por cinebiografia.
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