quarta-feira, 10 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Censura de Flávio e Kassio a pesquisa merece repúdio

Por Folha de S. Paulo

Aspirante do PL tenta calar críticas, e presidente do TSE arbitra aspectos técnicos de sondagem eleitoral

Praga da tutela estatal se acentua nas eleições, quando ataques duros e conteúdos incômodos dão ensejo a interditos do Judiciário

Liberdade de expressão para os amigos e as notícias favoráveis. Para os adversários e os fatos desabonadores, a censura. Flávio Bolsonaro, senador do Rio aspirante ao Planalto pelo PL, incidiu nesse clássico da hipocrisia política, coadjuvado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, o que é perturbador.

O partido chefiado pelo notório Valdemar Costa Neto achou por bem requisitar ao órgão regulador das eleições o veto à divulgação de uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel que detectou queda do seu pré-candidato presidencial após a revelação das escandalosas relações entre Flávio e o capo da máfia do Banco MasterDaniel Vorcaro.

País ainda vai tomar taxa venenosa de juros por um tempo assustador, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Custo do dinheiro e pagamentos de credores estão em níveis recordes no século

Anabolizante do capital externo ajudou a disfarçar problemas no curto prazo

As taxas de juros não vão cair tão cedo. No máximo, o Banco Central talvez dê uma gorjeta pequena na reunião da semana que vem, quando decide a Selic: corte mínimo e basta. No mais, o caldo entornou, em uma situação já muito grave. O país não parece ligar muito.

O Desenrola 2 vai enxugar mais gelo. Empresas continuam no caminho de renegociação de dívidas e recuperação judicial ou gastam o que ganham em juros ou, aquelas em situação melhor, deixam de investir por causa do custo de capital. A taxa de investimento, sempre longe do necessário nos últimos 40 anos, vai minguando para níveis dos anos da economia deprimida.

Direita chegou a um impasse com candidatura de Flávio Bolsonaro, por Wilson Gomes*

Folha de S. Paulo

Presença do senador impede outros nomes de crescer

Nenhum candidato avança sem passar pelo bolsonarismo

A direita brasileira tem hoje um candidato que gostaria de abandonar e um eleitorado do qual não pode abrir mão.

Esse é o seu dilema na corrida presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro atrapalha os planos, mas o bolsonarismo continua sendo a única direita com piso eleitoral relevante e base mobilizada. A direita chega à disputa com uma vantagem: a rejeição a Lula é enorme e o antipetismo continua em alta. O problema é que isso só será força real se passar pelo eleitorado bolsonarista.

A direita tradicional adoraria se livrar o quanto antes da candidatura de Flávio Bolsonaro. Não lhe faltam candidatos, ambições ou projetos alternativos, mas Ronaldo CaiadoRomeu Zema e Renan sabem que Flávio ocupa um espaço que os impede de crescer. O senador larga na frente graças ao sobrenome e torna a direita refém das próprias vulnerabilidades.

Campanhas põem o Pix nos palanques, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

PT e PL enganam o eleitor ao tomar para si uma ferramenta que não pertence a Lula nem a Bolsonaro

Melhor defesa do Pix seria o apoio à emenda que amplia a autonomia do Banco Central

Nesta campanha eleitoral, o Pix foi posto no palanque e assumiu o lugar que já foi do Bolsa Família e, antes disso, da caderneta de poupança como objetos de disputa e terrenos férteis à plantação de mentiras entre partidos e políticos adversários. A característica em comum entre eles é o caráter de unanimidade nacional.

No século passado, a moda era acusar o oponente de planejar o sequestro do dinheiro da poupança dos brasileiros. Foi assim na primeira eleição presidencial direta, quando Fernando Collor pregou a suspeição em Luiz Inácio da Silva, ganhou a parada e no dia seguinte à posse confiscou praticamente tudo de todos.

Transparência vacinal, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Mortes e efeitos adversos graves relacionados ao imunizante do Butantan contra a dengue precisam ser investigados

Sucesso da vacinação na redução de óbitos no planeta depende de confiança do público em cientistas e autoridades

Até que se saiba melhor o que acontece com a vacina contra a dengue produzida pelo Butantan, é preciso mesmo seguir os protocolos, suspender a imunização e investigar os casos de efeitos adversos graves e óbitos. É exatamente isso que as autoridades estão fazendo. Ponto para elas. A pior coisa que poderiam fazer seria varrer o problema para debaixo do tapete.

Cidadão do mundo, por Ivan Alves Filho*

Autor de um dos livros mais impressionantes que li na vida, A invasão da América Latina, editado pela Civilização Brasileira, do saudoso Ênio Silveira, o jornalista e professor John Gerassi já nasceu como cidadão do mundo. 

Eu explico. Seu pai era um judeu sefardita, natural de Istambul, e tinha o espanhol como língua materna. Era pintor de profissão, e ninguém menos do que Pablo Picasso o tinha em alta consideração profissional. Fernando Gerassi, este o seu nome, lutou na Guerra Civil espanhola, pelas Brigadas Internacionais comandadas pelo comunista italiano Palmiro Togliatti, chegando a ser um dos generais do Exército Republicano. Sua mulher, a escritora Stephania Awdykowicz, nasceu na Ucrânia. Quanto ao filho, John, este veio ao mundo em Paris, e se consagrou como correspondente internacional do prestigioso New York Times. Foi um profundo conhecedor não só da realidade latino-americana e estadunidense, como também da cultura francesa: John Gerassi herdou do pai a amizade de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. 

Poesia | André Morais | A Implosão da Mentira, de Affonso Romano Sant'anna

 

Música | MPB4, Zeca Pagodinho - Olé, Olá (Chico Buarque)