quinta-feira, 18 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Permanência de Ciro Nogueira no Senado ficou insustentável

Por O Globo

Se parlamentares continuarem inertes ante novas evidências da relação com Vorcaro, serão cúmplices

São estarrecedoras as novas revelações da Polícia Federal (PF) sobre a relação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e artífice de fraudes multibilionárias, com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas (PP). É inaceitável a promiscuidade de líderes graduados do Congresso com um corruptor contumaz. À medida que o inquérito sobre corrupção e lavagem de dinheiro se aprofunda, acumulam-se evidências contra Nogueira. Torna-se a cada dia mais insustentável sua permanência no Senado. O que se sabe até o momento já é suficiente para abertura de processo de cassação por quebra de decoro, independentemente de decisão da Procuradoria-Geral da República sobre denunciá-lo.

Bancos centrais, juros e guerra, por Míriam Leitão

O Globo

A incerteza sobre os desdobramentos de um acordo no Oriente Médio e os efeitos do El Niño mantêm a economia em um cenário imprevisível

A economia apelidou de superquarta o dia em que Brasil e Estados Unidos decidem a taxa de juros. Engana-se quem pensa que o tema não tem emoção. Lá, na terra de Donald Trump, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, foi escolhido para baixar os juros. Teve que mantê-los e avisar que pode até subi-los no ano. Aqui, Gabriel Galípolo conduziu mais uma decisão unânime por um cortezinho, a terceira vez de uma queda de metade de meio ponto. De 0,25 em 0,25, a Selic foi para 14,25%. A guerra de Trump foi um tiro no pé dele e no nosso. Os juros poderiam ter caído muito mais este ano, não fosse o conflito no Oriente Médio.

Interpretação atrapalha, por Merval Pereira

O Globo

Divergências entre ministros, do STF, além de patéticas, ficam cada dia mais expressivas à medida que temas delicados, como o caso Master, entram na pauta

O excesso de subjetividades e interpretações constitucionais pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em suas decisões faz com que seus votos sejam com muita frequência incongruentes com a jurisprudência da própria Corte ou com decisões dos próprios magistrados. Houve um debate recente entre os ministros Dias Toffoli e André Mendonça em que o primeiro acusava seu colega de ter atribuído a ele, relator do caso, uma decisão que dizia não ter tomado. “O senhor está colocando no meu relatório palavras que eu nunca disse”, reclamou Toffoli. Mendonça rebateu: “Não estou não, estou lendo aqui”. Disse estar interpretando o voto. Toffoli reclamou que o voto era dele, e não fora aquilo que decidira. E fechou o debate: “Vossa Excelência interpreta meu voto, e eu interpreto o seu”.

Disputa eleitoral se dá em deserto de ideias, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Sem visão de futuro, pré-candidatos carecem de propostas inovadoras

A discussão programática faz diferença para a qualidade dos governos

A disputa presidencial rasteja em um verdadeiro Saara tropical.

Em entrevista a Pedro Doria, do Canal Meio, questionado qual político lhe servia de inspiração, o ex-governador Ratinho Jr, então pré-candidato à Presidência, citou ninguém menos que dom Pedro 2º (!).

Ronaldo Caiado, pretendente ao Palácio do Planalto pelo PSD, embora sua carreira política remonte aos anos 1980, com passagens pelas duas Casas do Congresso, só consegue falar de Goiás, que governou por dois mandatos.

O mineiro Romeu Zema, talvez por não se dar propriamente bem com o idioma, até agora foi incapaz de articular qualquer proposta que justifique sua ambição presidencial.

Sem querer, querendo, Banco Central não diz o que vai fazer dos juros altos, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Apesar de conjuntura e expectativas ruins para a inflação, BC corta Selic outra vez

Em texto nebuloso, BC parece indicar que IPCA pode estar na meta no início de 2028

O Banco Central torturou o português para dizer que não dá para saber o que será da próxima reunião em que vai decidir o nível da Selic. Nesta quarta (17), cortou a taxa básica de juros de 14,5% para 14,25%, um quase nada no que diz respeito aos custos de financiamento na economia.

Quanto ao mais importante, o BC parecia querer criar névoa suficiente para ninguém achar que a Selic pode ficar na mesma na próxima reunião. Sem querer, querendo, também poderia estar dizendo que a Selic pode continuar caindo, pois pode ser que a inflação esteja na meta no início de 2028.

Trump gagá, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Não será surpresa se, numa dessas em que cochila em eventos, ele cair da cadeira

Que sua influência sobre nós se dilua antes de ele vestir a cueca por cima das calças

Donald Trump completou 80 anos neste domingo (14), anunciando em tom imperial o fim de uma guerra interesseira que ele próprio começou e perdeu. Os observadores viram nisso mais um sintoma da iminente gagaíce de Trump, manifesta em seu comportamento abilolado, marcado por atitudes sem nexo, declarações que faz e desfaz em questão de horas e sintomas de que já não é quem ele simula ser. O fato de ter sido fotografado cochilando em recentes eventos públicos preocupa a Casa Branca –temem que, numa dessas, ele caia da cadeira.

Trump volta a criticar o Brasil, e Lula pede que não se meta nas eleições, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O episódio do G7 talvez seja apenas o primeiro capítulo de uma campanha eleitoral em que Washington terá presença muito maior do que em pleitos anteriores

O choque político e ideológico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no contexto das eleições brasileiras, estava escrito nas estrelas. Não é um episódio isolado, provocado apenas pelas recentes declarações de Trump sobre a política brasileira ou pela reação de Lula durante a reunião do G7. O conflito tem raízes mais profundas: a estreita ligação política e ideológica entre o bolsonarismo e a atual administração republicana, o novo posicionamento internacional do Brasil sob o governo Lula e a própria complexidade histórica das relações entre Brasília e Washington. A disputa pode reavivar uma polarização que marcou a vida política nacional nas décadas de 1950 e 1960: o confronto entre nacionalistas e “entreguistas”, sob novas circunstâncias e narrativas.

Ciclos políticos eleitorais no Brasil, por Benito Salomão*

Correio Braziliense

Conhecer as posições dos candidatos quanto aos temas parece ainda mais fundamental no presente contexto em que a inflação descolou novamente da meta e a dívida pública atinge patamares preocupantes

O ciclo econômico entendido como uma flutuação no produto e no emprego é um fenômeno "natural" nas economias capitalistas. Nas últimas décadas, houve um grande progresso no tocante à sua identificação. Se a mensuração dos ciclos se tornou algo factível aos economistas, a identificação de suas causas ainda é um ponto de grande controvérsia. Keynes foi o precursor de uma teoria do ciclo causado por flutuações na demanda efetiva. Para os economistas novo-clássicos, da tradição dos ciclos reais, esse é um fenômeno do lado da oferta, causado, entre outras coisas, por choques tecnológicos.

Reprise das nulidades no Master terá resistência, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Processo mais cauteloso, robustez de provas e plateia vacinada contra conchavos diferencia inquérito daquele da Lavajato

Cotejadas, as duas sessões ocorridas em lados opostos na Praça dos Três Poderes, na tarde desta terça, antecipam os desdobramentos daquele que o relator denominou de maior escândalo financeiro da história do país. A insistência com a qual, tanto na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal quanto no plenário do Senado, se fizeram remissões entre a Lava-Jato e o Master demonstra o tamanho da aposta na repetição das nulidades, a começar por aqueles que foram alavancados na vida pública pelo lavajatismo.

Abalroado por uma reportagem da Veja, que o coloca no centro de uma suposta delação de Daniel Vorcaro, o presidente do Senado promoveu uma sessão pública destinada ao desagravo a si mesmo. Davi Alcolumbre (União-AP), que estreou no comando da Mesa surfando o lavajatismo bolsonarista, agora é atropelado pelas investigações do Master.

O preço da desglobalização e o custo para o Brasil, por Eduardo Belo

Valor Econômico

Nos EUA, trabalhadores já sentem efeito de salários menores

A fragmentação do sistema financeiro global é tema do relatório “Deepening Divides”, publicado no início de junho pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês) em parceria com a consultoria Oliver Wyman. A fragmentação se traduz em tarifas, restrições a investimentos, controles de exportação e medidas de retaliação entre países.

Para além das implicações na economia mundial, o relatório traz algumas considerações sobre o Brasil, especialmente no que trata da guerra comercial travada pelos Estados Unidos contra praticamente o mundo inteiro pela via do tarifaço e pela expansão do protecionismo.

Partidos pedem manutenção de teto de gastos nas eleições, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Presidentes dos principais partidos políticos se uniram para encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para que o teto de gastos com as campanhas eleitorais não seja reajustado neste ano. Não prosperou, entretanto, o movimento de algumas siglas para tentar reservar um volume maior de recursos para as candidaturas de deputados federais, estaduais e distritais.

Cabe à corte eleitoral editar uma resolução estabelecendo os limites das despesas dos candidatos nas eleições, e a expectativa é de que o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, acolha a reivindicação dos dirigentes. Procurado pelo Valor, o ministro respondeu, por meio da assessoria, que recebeu o pleito das legendas, mas que o mesmo ainda está sendo analisado.

De acordo com dirigentes ouvidos pelo Valor, há uma preocupação com o encarecimento das campanhas, em contraponto aos recursos disponíveis. Sob pressão da opinião pública, o Congresso destinou ao fundo eleitoral, no Orçamento de 2026, o mesmo valor de R$ 4,9 bilhões fixado para o pleito de 2022, sem correção pela inflação ou outro índice. Partidos com as maiores bancadas recebem as maiores fatias do fundo. Os três principais beneficiados entre 30 legendas são o PL com R$ 881 milhões; o PT com R$ 615 milhões; e o União Brasil com R$ 526 milhões.

Para Trump, tanto faz, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Falta ao Brasil uma estratégia para lidar com a doutrina Donroe

Cada um a seu modo, os Bolsonaros e Lula acham que serão ajudados por Trump nas próximas eleições. Só Trump salva, parece acreditar uma parte substancial da oposição. Só Lula nos salva de Trump, segundo o marketing político do Planalto.

Ocorre que, para Trump, tanto faz. Ele confunde os Bolsonaros entre si e as respectivas situações individuais, como demonstrou à margem do encontro do G-7. E deseja a Lula “bom trabalho”, naquele país “complicado politicamente e perigoso”, e que “joga duro”.

Mendonça vira ‘líder da minoria’ no STF, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Mesmo com delação de Daniel Vorcaro rejeitada, ministro mostrou que não dará alívio a autoridades

André Mendonça pode até integrar uma ala minoritária no Supremo Tribunal Federal (STF) pelas ideias que defende e pelos votos que profere. Mas, na última terça-feira, saiu da sessão da Segunda Turma consolidado como líder da minoria na Corte, para pegar emprestado um termo do Congresso Nacional.

Por três votos a um, o colegiado confirmou a decisão do relator das investigações sobre o Banco Master de manter presos o pai e o primo de Daniel Vorcaro. Com apenas quatro ministros votantes, Mendonça só precisava de dois aliados para sair vencedor.

Copom segue expectativa, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Por decisão unânime, o Copom cortou os juros básicos (Selic) em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano. Confirmou, assim, as previsões dos analistas.

Desta vez, a sintonia com o mercado pode ter sido a principal razão desse corte. Esta diretoria do Banco Central (BC) já deu sinais de que não só procura formar as expectativas, como também, em caso de alguma falta de clareza, costuma segui-las.

O dado mais importante é o de que a inflação voltou a dar seus pinotes. Os números de maio mostraram que, no período de 12 meses, a inflação saltou para 4,72%, acima do teto da meta, que é 4,5%. Foi o suficiente para que o mercado, sondado pela Pesquisa Focus, projetasse a inflação do ano para 5,3%. É indicação de que o BC teria de acionar sua política de juros para voltar a conduzir a inflação para a meta.

Lula fala ao vivo em coletiva de imprensa após reunião com líderes da cúpula do G7; assista


 

Poesia | Presságio, de Fernando Pessoa

 

Música | Alceu Valença - Meu querido São João (Ao Vivo na Fundição Progresso)