O Globo
Os próximos dias serão decisivos para o BRB e
seu plano de capitalização, que pode incluir um pedido de empréstimo ao FGC
O governo do Distrito Federal colocará 15 imóveis para a operação de capitalização do BRB. Ao todo, esses ativos somariam R$ 10 bilhões em garantia. Eram nove na última versão da proposta que será discutida amanhã na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Na sexta-feira, o presidente do Banco de Brasília, Nelson Souza, visitou bancos em São Paulo explicando seus planos. Um deles é tentar um empréstimo no FGC e outro lançar um Fundo de Investimento Imobiliário com a venda de cotas. O banco também avalia negociar subsidiárias integrais e a criação de um banco digital com o Flamengo.
O Fundo Garantidor de Créditos só aceitará
participar de um empréstimo se for em um pool de bancos, sendo apenas um dos
fornecedores do crédito. No BRB o que eu ouvi foi que o prejuízo, em caso de
liquidação do banco, será bem maior, porque “o banco tem nove milhões de
clientes, e o desembolso para os investidores cobertos pelo Fundo ficaria entre
R$ 25 bilhões e R$ 28 bilhões”. O argumento não convence o Fundo. A minha
apuração é que o Fundo exigirá “boas garantias, boa segurança jurídica, um
consórcio de bancos, uma série de condicionantes, e uma operação bem
estruturada porque se o banco continuar frágil, lá na frente ao invés de ser R$
25 bilhões, pode ser R$ 50 bilhões”. Quem ouve os dois lados percebe que há
muito a ser conversado.
O empréstimo, se ocorrer, seria destinado ao
controlador do BRB, o governo do Distrito Federal, que é deficitário e tem nota
C na Capag (Capacidade de Pagamento), indicador do Tesouro Nacional. Com essa
classificação, não pode contratar empréstimos com garantia da União. Segundo
apurei, o Tesouro nem pensa em abrir mão dessa regra. Por este motivo é preciso
tantos imóveis para construir a garantia, mas a oferta depende de aprovação na
Câmara Legislativa do DF. Outra ideia é formar com esses 15 imóveis um fundo
imobiliário.
Até agora, o banco já vendeu R$ 5 bilhões em
carteiras e com isso aumentou a sua liquidez. Ainda não foram oferecidos os
ativos da carteira comprada do Master. Parte é fraude, mas há também bons
ativos. O banco avalia vender algumas das subsidiárias integrais. A Financeira
BRB teria já dois interessados. Integram o conglomerado o BRBCard, a Seguros
BRB, a BRB DTVM e a BRB Serviços.
A instituição é um dos poucos bancos
estaduais sobreviventes da crise bancária dos anos 90. Tem R$ 83 bilhões de
ativos, R$ 30 bilhões em depósitos judiciais e uma carteira imobiliária de R$
14 bilhões. Tem R$ 6,5 bilhões de patrimônio de referência e um enorme e
crescente rombo derivado da desastrosa compra da carteira do banco Master.
Na quinta-feira, 26, o banco comemorou uma
vitória. Conseguiu uma liminar com bloqueio e arresto das ações que estavam de
posse da rede de fundos do ecossistema do Master. A investigação independente
contratada pelo BRB mostrou que a sequência de fundos escondia sócios. Entre
eles, Daniel Vorcaro, João Carlos Mansur, Maurício Quadrado e outros alvos da
operação Compliance Zero. Fontes que acompanham o assunto sustentam que Nelson
Tanure também teria sido identificado como um dos acionistas, através do grupo
WTN. A defesa do empresário nega que ele tenha ações do banco, seja direta ou
indiretamente.
No final de 2025, essas ações arrestadas
correspondiam a 23,5% do capital do banco. No entanto, houve uma diluição desse
capital quando o Will Bank foi liquidado e a Mastercard executou as garantias
tornando-se também acionista do BRB.
Outro plano do BRB é a formação de um banco
digital com o Flamengo. Na quinta-feira, foram discutidos com o clube os
detalhes, que seria independente do BRB. Há inclusive uma agência física na
Avenida Rio Branco “envelopada de Flamengo”, como se diz no banco.
O BRB vive dias decisivos. Convocou uma
Assembleia Geral para o dia 18 e planeja a capitalização para o dia 26. No dia
31 de março vai divulgar o balanço. Na verdade, são três balanços: o do
terceiro trimestre do ano passado ainda não divulgado, o do ano fechado de 2025
e o do primeiro trimestre de 2026.
No BRB se conhece a máxima do mercado
bancário: um desequilíbrio de capital provoca morte lenta, mas uma crise de
liquidez leva à morte súbita. Por isso a preocupação é reequilibrar o capital
antes que as dúvidas que cercam a instituição provoquem uma crise de liquidez.
Confia para isso nos bons ativos que o banco tem e o GDF também.

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